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Project Cars Project Cars #94

Road/Track: o acerto da suspensão do meu Voyage 1.9 Turbo, o Project Cars #94

 

Olá, amigos do Flatout, que acompanham o PC! Trago aqui mais um capítulo da saga do Pangaré, dessa vez explorando um dos clássicos dilemas de um gearhead: será que dá pra montar um setup de suspensão que seja bom para ir ao supermercado, ao trabalho, mas ao mesmo tempo te permita derreter na pista nos finais de semana?

Nesse momento posso afirmar que a maioria dos leitores estão dizendo um categórico “não”! Já fiz essa pesquisa informal em diferentes círculos, com diferentes pessoas, diferentes experiências e tempo ao volante – Mas por que será que alguns ainda acreditam ser possível tal feito? Obviamente não quero impor uma conclusão para tal polêmica, mas sim sugerir uma maneira de interpretar a questão – acho que a grande pergunta é: Qual é o objetivo de cada um?

 

Piloto de final de semana

Se você quer conciliar o uso cotidiano ao máximo de performance possível, é claro que nunca terá o melhor dos dois mundos; numa analogia de boteco, é o caso do carro flex, que não rende o que poderia nem no etanol nem na gasolina.

No Pangaré, defini o limite do acerto da suspensão como “ser possível de andar na rua com algum prazer”… Ou seja, eu consigo usar o carro em modo civil e houve um ganho significativo no uso soviético, nos eventos de pista.

Tenho planos de montar o carro exclusivamente para pista no futuro, o que me abrirá um leque de opções para acerto, trazendo como resultado um tempo de volta menor, mas nem por isso deixei de fazer algumas modificações básicas hoje mesmo! Vamos a elas!

 

Molas e amortecedores com maior carga

É natural pensar que com maiores solicitações, precisamos de maiores cargas para que o carro se comporte bem em condições de pista. Mas qual é a carga ideal? Podemos calcular? Existe uma receita?

Perguntas como essas são muito comuns e como você deve estar imaginando, não existe apenas uma resposta para cada uma delas. O que aprendi com o tempo e venho aplicando é: converse com muita gente, ouça, pergunte, corra atrás de opiniões diferentes – depois filtre tudo com base no SEU estilo de direção e faça o “ajuste fino”.

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Parafernália técnica para ajustes na pista

É claro que podemos fazer cálculos e estimativas, mas particularmente tenho uma dificuldade enorme em conversar tecnicamente com a maioria dos fornecedores locais (Brasil) – quantas e tantas vezes não liguei e perguntei se o cara sabia/podia fazer uma mola ou um amortecedor sob medida, com carga de “x”, etc e tal… Acabo sempre na mesma situação, tendo que pedir “me vê aí o dobro de carga do original” ou “manda um par de molas de 800 libras”…

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Exemplo de um catálogo de molas e suas propriedades. Imagem: Eibach

Nessa realidade, em relação aos componentes originais, aumentei cerca de 2,5 vezes a carga – mesmo perdendo muito do conforto de um carro original, ainda é possível usar o carro em ruas, avenidas e estradas “com dignidade”. E como estou nesse esquema de “suspensão flex”, optei por regulagem de altura – mas não se engane, nem tudo são flores, pois quando altero a altura do carro, preciso conferir o alinhamento.

 

Camber plate

Peça simples e fundamental para quem busca extrair um pouco mais de performance do seu carro em uma pista. Consiste em uma placa metálica que contém um “uniball” para ancoragem superior do amortecedor. A grande vantagem é poder ajustar a cambagem por cima, de forma prática e rápida.

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Camber plate – peça simples e eficiente para ajuste de pista.

Ao invés de ficar botando muita teoria, mostro aqui um exemplo prático do Pangaré, em dois momentos diferentes, com e sem o Camber plate. Veja como a roda de fora (lado do passageiro) fica melhor apoiada na curva., com o setup atual (usando o camber plate).

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Fotos tiradas na mesma curva – kartódromo municipal de Limeira – Hot Lap

Isso significa contornar mais rápido a curva, além de poder acelerar mais cedo nas saídas de curva – uma bela maneira de ganhar tempo de volta.

 

Rodas e pneus mais largos

Normalmente uso pneus 225/40 13 para correr nos eventos, calçados em rodas de 8 polegadas de largura. Esse conjunto contribui muito para que o carro fique bem apoiado nas curvas, tornando possível aproveitar o que as molas, amortecedores e alinhamento tem para oferecer. Especialmente em Limeira (kartódromo), o maior ganho com os pneus slicks é exatamente o apoio maior, ao contrário do que muita gente pensa, que os “slicks grudam mais” – apenas a título de informação, seriam necessárias mais de 8 voltas para que os pneus atingissem a temperatura ideal de trabalho, trazendo efetivos ganhos de performance em grip.

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Pneus Pirelli PZero 225/40 13 – melhor apoio para o Pangaré nas curvas

Para chuva, utilizo um jogo de Toyo R888 medida 195/50 R15, montados nas rodas originais do Gol GTi 16v GII (“bola”) – as rodas são de 5,5 polegadas de largura.

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Toyo R888 na chuva – passando a cerca de 200km/h na reta do AIC

 

E, claro, um bom acerto…

Não quero “chover no molhado”, mas não custa nada lembrar: você pode investir nas melhores peças, nas melhores marcas, gastar muito dinheiro… Isso não garante bons resultados. Já vi muitos carros excelentes na ficha técnica, mas que não rendem na pista.

Também não ficarei aqui falando de alinhamento, de teoria da suspensão, afinal estamos no Flatout e temos MUITO conteúdo de qualidade para quem deseja saber mais sobre o tema.

Relato aqui apenas o que uso hoje no acerto do Pangaré, apenas para informação.

Câmber: -2,5 (dianteira) -0,5 (traseira)

Cáster: +1,0

Convergência: -0,5

Mas e aí, vem tempo de pista com tudo isso?

Obviamente sim! Me recordo do primeiro Trackday em Interlagos, da primeira vez em Piracicaba no ECPA ou no Hot Lap Limeira…. Quanta evolução!

Apenas para dar uma noção do que todos esses detalhes que mencionei representam, meu primeiro tempo no Hot Lap foi 1:08:xxx e hoje consigo virar 1:02:100 – marca excelente para um carro “de rua modificado”, pois sei que para melhorar minhas marcas precisarei da  instalação do Santo Antônio e acerto da suspensão para pista.

Veja o carro em ação no Track day do ECPA, no dia 25/10/2015 – os pneus já estavam no fim da vida (são os que utilizo desde o início de 2014), difícil de tracionar nas saídas de curvas, o que acabou sendo mais desafiador para mim (por ter que “dosar o pé”, já que não estou usando booster no momento).

 

Próximos passos

Estou muito satisfeito com o setup atual, posso dizer que cheguei em um conceito que me diverte tanto em pista quanto na rua – mesmo tendo plena consciência de que não é o melhor para nenhum dos dois; tenho plena consciência das limitações de um “setup flex” – quero até o início do próximo ano fazer a construção do Santo Antônio e posterior ajuste de cargas e geometria de suspensão, aí sim farei o acerto de pista, visando melhorar meus tempos de volta.

Também penso em uma direção mais rápida, uma caixa que demande menos voltas no volante; em pistas/circuitos travados como o kartódromo de Limeira, ou mesmo o ECPA em algumas curvas, sofro muito com isso.

Mas até lá, não deixarei de andar com o carro e curtir momentos mágicos com outros gearheads maníacos, seja na pista ou fora dela!

Deixo aqui algumas (belíssimas) imagens do Pangaré, através de clicks de amigos fotógrafos, caras que acompanham eventos de trackdays e tem o dom de eternizar momentos fantásticos. Aproveito o espaço aqui para homenagear todos os fotógrafos, profissionais ou não, que acompanham eventos automobilísticos, especialmente trackdays, hot laps e arrancadas da vida – vocês são parte fundamental desse mundo, obrigado pela dedicação e paixão que vocês demonstram a cada foto, a cada evento!

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Grande abraço a todos e até a próxima!

Por Leo Ceregatti, Project Cars #94

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