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Royal Enfield Classic: conheça a moto que é praticamente a mesma desde 1955

Imagine se você pudesse voltar no tempo e comprar, zero quilômetro, os carros e motos antigos que povoam seus sonhos. Algumas empresas que fabricam veículos vintage, mas há quem faça as coisas exatamente como eram antigamente. É o caso da Royal Enfield Classic, uma moto fabricada praticamente sem alterações desde 1955 — e que você pode comprar hoje, novinha em folha.

Em 1891, uma pequena empresa que fornecia equipamentos para a Royal Small Arms Factory, uma fábrica de armas britânica começou a produzir bicicletas. Era a Enfield Manufacturing Company que, passou a se chamar Royal Enfield Manufacturing Company depois de licenciada pela Coroa britânica. A fábrica ficava em Redditch, Worcestershire — de onde também vem o famoso “molho inglês”.

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A primeira moto surgiu em 1901, depois que a Royal Enfield começou a realizar estudos com bicicletas mais resistentes e motorizadas. Depois de lançar alguns modelos inovadores e fornecer motos e veículos para as forças militares britânicas nas duas Guerras, a Royal Enfield lançou, em 1931, a Bullet, seu modelo de maior sucesso. O nome vinha do motor, um monocilíndrico de quatro válvulas e 350 ou 500 cm³ de deslocamento. Por sua vez, o motor foi batizado assim como referência à história da fabricante como fabricante de armas — tanto é que o lema da Royal Enfield é “Made Like a Gun” (“feita como uma arma”), e o logotipo da companhia é um canhão.

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Em 1949, a Bullet foi uma das primeiras motos do mundo a receber suspensão traseira com molas — antes, ela tinha o chassi rígido na traseira (conhecido como “rabo duro”) e o único meio de absorção de impactos eram as molas no selim.

Naquele mesmo ano, a Bullet começou a ser exportada para a Índia, pois governo do país queria dar motos a seus policiais e militares para facilitar o  patrulhamento da fronteira. A moto da Royal Enfield parecia perfeita, e a Índia fez uma enorme encomenda. Foi questão de tempo até que uma fabricante local, a Madras Motors, procurasse a Royal Enfield com o desejo de se tornar uma divisão indiana da marca e começasse, a montar Bullets sob licença, usando componentes importados do Reino Unido.  Isso aconteceu em 1955, e dois anos depois, a Madras — então rebatizada como Enfield India comprou o ferramental britânico para produzir sozinha os componentes necessários para a fabricação das motocicletas.

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Contudo, o que parecia só um investimento extra acabou salvando o legado da Royal Enfield.

Em meados da década de 1960, fabricantes japonesas invadiram o Reino Unido com motos mais baratas, modernas e confiáveis. A Royal Enfield, até então uma potência das motocicletas no país, foi perdendo mercado até ser forçada a deixar de fabricar motos em 1967. A empresa ainda sobreviveu fabricando equipamentos de precisão para armas, mas fechou as portas em 1971. Contudo, a atividade na Índia continuou firme e forte, tendo a Bullet como principal produto.

E assim foi por mais de três décadas, até que, em 1994, a Enfield India comprou os direitos para usar o nome Royal Enfield. Foi o renascimento da lenda, possível graças a um modelo que não havia mudado nada desde 1955.

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E é justamente este o modelo que você pode comprar hoje. Depois da compra do nome, a Bullet foi modernizada, ganhando um aspecto mais contemporâneo (o que não significa que não seja retrô) e tecnologia mais moderna, como ignição eletrônica e amortecedores a gás. Para a alegria dos fãs, porém, o modelo tradicional foi mantido, porém agora chamado “Classic”.

Graças a esta decisão, a Royal Enfield cresceu muito no setor de nicho. Ano após ano, a empresa expandia suas atuações até que, hoje, exporta motos para mais de 20 países. E o modelo favorito é justamente a Classic, por reter o visual clássico depois de tantos anos. Mas qual é a desta moto, afinal?

Olhar para uma Classic é voltar no tempo, em todos os sentidos. Ela é bem pequena e leve — são 2,18 m de comprimento e 183 kg. O motor não mudou muito ao longo das décadas: continua sendo um monocilíndrico com pistões de 84 mm de diâmetro por 90 mm de curso e comando de válvulas no bloco, capaz de entregar 27,2 cv a 5.200 rpm e 4,21 mkgf de torque a 4.000 rpm. A diferença é que, desde 2007, o motor tem injeção eletrônica e partida elétrica.

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A mudança no motor foi uma das razões para que a Royal Enfield se popularizasse nos últimos anos — a ponto de, no ano passado, a companhia inaugurar mais uma fábrica na Índia e dobrar  a capacidade de produção para suprir a demanda internacional. Entre os países em que a Royal Enfield atua oficialmente, está o Brasil.

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As motos são importadas desde 2012 da Índia, e o único modelo disponível é a Classic 500, oferecida em várias cores. Cada uma das cores recebe um nome especial — Classic Green, Chrome Black, Desert Storm e traz visual exatamente igual ao que era há quase 60 anos. O preço é condizente com o que se costuma pagar por uma moto deste porte: R$ 22.800 (mais frete). Para efeito de comparação, uma Honda CB500F custa R$ 23.500. É claro que a Honda é uma moto realmente moderna, muito mais rápida e melhor equipada, com freios ABS, comando duplo no cabeçote e quase o dobro da potência.

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Obviamente, quem quer uma Royal Enfield não está muito preocupado com eficiência ou custo-benefício — a anglo-indiana tem estilo de sobra e um charme único, e talvez o mais próximo que se pode chegar de voltar à década de 50 e comprar uma moto.

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Mas  nós ficaríamos felizes de verdade se a Royal Enfield trouxesse para cá outro modelo seu: a Continental GT (qualquer semelhança com o Bentley é mera coincidência), com um motor monocilíndrido de 535 cm³, 30 cv e estilo fiel ao das cafè racer da virada dos anos 50 para os anos 60 — porém com alguns recursos mais modernos:

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Convenhamos: ela parece bem mais divertida, não é?

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