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RS2 Feelings: nova Audi RS4 Avant V6 traz de volta parceria com a Porsche

No final de 1994 a Audi mudou a história dos esportivos mais uma vez ao lançar a primeira a RS2, o primeiro supercarro em forma de perua. Eram 315 cv em uma época em que a Ferrari tinha um V8 de 380 cv e o Porsche Carrera RS tinha 300 cv, algo nunca visto em uma perua até então.

Mas tão espetacular quanto sua ficha técnica era o fato de ela ter sido desenvolvida em parceria com a Porsche, que deu ao carro o acerto do motor 2.2 turbo de cinco cilindros, da suspensão independente nas quatro rodas, o escalonamento do câmbio, e o conjunto de freios e rodas do 911 964 Clubsport. Com a grife dos esportivos de Stuttgart, ela logo se tornou um dos carros mais desejados da época e um ícone instantâneo — especialmente porque era uma perua familiar que chegava aos 100 km/h antes que as crianças contassem até 6 e seguia acelerando até os 262 km/h — o que garantia uma boa educação aos seus filhos.

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A parceria com a Porsche, contudo, se limitou ao RS2. Nos modelos seguintes da linha RS, lançados somente no final da década, a Audi Sport deu um jeito de fazer tudo por conta própria, acumulando uma linhagem de supercarros que culminou com o atual R8 e o RS6 V10, que era outro supercarro disfarçado de perua familiar.

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Mas agora, depois de 25 anos do lançamento da RS2, a Audi voltou a contar com uma mãozinha da Porsche para fazer a tataraneta de sua primeira super perua (como você sabe, a RS2 era baseada no 80 Avant, que virou o A4 Avant). É quase uma viagem no tempo: ela é pintada de Nogaro Blue, tem um motor Porsche, tração integral e números que fariam certos esportivos mais tradicionais esconderem sua ficha técnica.

Começando pelo motor, sai o antigo 4.2 V8 da Audi e entra o novo 2.9 V6 biturbo, que estreou no RS5 Coupe e, mais tarde, no Panamera e no Cayenne. O motor foi desenvolvido em parceria pelas duas fabricantes e produz 444 cv e 61,1 mkgf.

 

É a mesma potência do antecessor, porém o torque é 17,2 mkgf maior — é praticamente um up! TSI de diferença, e também uma grande diferença na hora de arrancar e ganhar velocidade. Com uma ajudinha do peso 80 kg mais leve (1.790 kg vs. 1870 kg da antiga) — apesar de todos os sistemas novos incluídos no carro —, o novo RS4 Avant vai de zero a 100 km/h em 4,1 segundo (0,6 segundo mais rápido que seu antecessor). A velocidade máxima é limitada eletronicamente em dois níveis: 250 km/h de série ou 280 km/h mediante uma modesta quantia cobrada pelo pacote RS dynamic.

Além do desempenho superior, a nova RS4 Avant também ficou mais econômica, algo relevante até mesmo em um esportivo versátil como a perua. Enquanto o V8 rodava 9,3 km/l, o novo V6 pode chegar a 11,3 km/l.

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Diferentemente da sua ancestral dos anos 1990, a nova RS4 não tem um câmbio manual nem mesmo como opcional. Na verdade, sequer um automatizado de embreagem dupla: o câmbio é um automático convencional, com conversor de torque e oito marchas controladas pelo computador ou pelas borboletas no volante. Essa troca dos automatizados pelos automáticos, aliás, é uma tendência no mercado, iniciada com a atual geração de câmbios automáticos que podem ser tão rápidos quanto as caixas de embreagem dupla de especificação equivalente. Prova disso é que a Chevrolet e a BMW M não se importaram em instalar caixas automáticas no Camaro ZL1 e no novo M5.

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Quanto ao visual, ele também não traz elementos da Porsche como a RS2, mas com essa cara você não vai reclamar disso, vai? A dianteira tem um para-choques ainda mais agressivo que o da antecessora (mais agressivo que o dos Porsche atuais, na verdade), com tomadas de ar imensas e salientes na parte inferior e uma grade enorme que parece pronta para devorar qualquer porcaria que se meter na faixa da esquerda de uma autobahn.

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Na traseira o visual é menos agressivo, porém a esportividade é anunciada pelo difusor traseiro ladeado pelas saídas de escape pretas enormes e pelo spoiler na borda do teto. O toque de agressividade volta nas laterais, com as soleiras largas e encorpadas, para-lamas traseiros igualmente musculosos para acomodar a bitola 150 mm mais larga , e retrovisores exclusivos com carcaça de fibra de carbono. Faróis e lanternas são de LED, uma das assinaturas da Audi nos últimos anos.

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A suspensão RS sport é 7 mm mais baixa que a do A4 Avant convencional, e o RS4 também usa rodas de 20 polegadas e freios de carbono-cerâmica, um opcional que acompanha a suspensão adaptativa e uma caixa de direção mais direta.

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Entrando no carro você topa com um volante com base plana da linha RS, o quadro de instrumentos digital “Virtual Cockpit”, um console central também exclusivo da linha RS e uma tela suspensa no painel para o sistema multimídia. O quadro de instrumentos, aliás, inclui um programa próprio para o RS4, com displays de aceleração lateral e longitudinal, monitoramento de pressão dos pneus e entrega de torque.

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O RS4 chegará ao Brasil no primeiro semestre de 2018, acompanhado do irmão RS5 e do R8 Spyder.

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