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Saleen vai a leilão: eis a sua chance de começar a fabricar supercarros

OK, talvez não seja tão simples assim, mas escuta só: a Saleen Automotive será leiloada na semana que vem. E não estamos falando apenas do nome da empresa e de suas ações, mas de tudo mesmo — carros, peças e propriedade intelectual. Claro que isto tudo certamente custará uma fortuna e, bem, vamos encarar a realidade: você não tem esta grana. Nem nós. Mesmo assim: vamos dar uma olhada no que a gente está perdendo?

Entre 2000 e 2006, menos de 100 unidades do Saleen S7 foram fabricadas. Equipado com um V8 Ford de sete litros e 557 cv, ele foi um dos poucos superesportivos com motor central-traseiro vindos dos EUA (o Dodge Viper e o Chevrolet Corvette Z06 mostram que os americanos preferem o motor na dianteira) — e foi muito elogiado pela imprensa, diga-se.

No entanto, a passagem dos anos não foi tão gentil com a Saleen quanto foi com os carros feitos por ela — que, além de fabricar o S7, também era especializada na preparação do Ford Mustang. Em meados da década de 2000, problemas financeiros forçaram Steve Saleen a abandonar a empresa em 2007 e abrir outra companhia, a SMS Supercars.

Enquanto isto, a Saleen declarava falência — acontecimento lamentável para uma empresa que já fez um dos carros mais velozes do mundo. A versão biturbo do Saleen S7 tinha pelo menos 750 cv e era capaz de chegar aos 100 km/h em 2,8 segundos, sendo supostamente capaz de atingir os 399 km/h. Isto sem falar no Competition Package, pacote opcional que elevava a potência para 1.000 cv e adicionava novos elementos aerodinâmicos de fibra de carbono. Apenas um exemplar do S7 Twin Turbo foi equipada com ele.

E fica ainda mais impressionante se considerarmos que Steve Saleen desenvolveu o motor do S7 com base em um small block — o 351 Windsor, de 5,7 litros, que recebeu novos cabeçotes e teve curso e diâmetro ampliados. Sem dúvida, Saleen sabe o que faz quando coloca as mãos em um motor.

Por outro lado, ele não era um homem de negócios muito bom. Ele até conseguiu voltar para a Saleen em 2012 e, no início de 2014, tinha cerca de US$ 1,5 milhão (por volta de R$ 5,7 milhões) no caixa. De acordo com o próprio, o dinheiro vinha de depósitos feitos por clientes que haviam encomendado exemplares do Ford Mustang e do Tesla Model S modificados pela Saleen.

PhilSteveBilly

O que aconteceu depois ainda não foi muito bem esclarecido, mas o fato é o seguinte: em novembro de 2014, a Saleen tinha em caixa apenas US$ 7.261 — pouco mais de R$ 27 mil. Não é possível tocar uma fabricante de supercarros com o equivalente ao preço de um popular seminovo, mas fica pior: ao mesmo tempo, a empresa tinha acumulado uma dívida de mais de US$ 5 milhões, ou por volta de R$ 19 milhões.

O que nos traz ao dia de hoje, quando descobrimos que a Saleen está à venda. Totalmente à venda — não apenas o nome ou suas ações, mas tudo o que a companhia tinha. Tudo mesmo — componentes, ferramental, carros, patrimônio financeiro e toda a propriedade intelectual associada aos produtos da Saleen.

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O leilão acontecerá no próximo dia 18 de novembro, promovido pela agência GA Global Partners. Sabendo o que têm em mãos, eles fizeram questão de publicar centenas de fotos em seu site.

Além de seis exemplares inacabados do Saleen S7 (olha só quanta fibra de carbono!), o lote também inclui o protótipo do Saleen S5S, que seria o segundo modelo da companhia e foi apresentado em 2008, pouco antes de a Saleen (já sem Steve Saleen no comando) declarar falência.

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O carro tinha a proposta de enfrentar modelos como o Lamborghini Gallardo e a Ferrari 458 Italia e, para isto, usava um V8 de cinco litros emprestado do Ford Mustang e equipado com um compressor mecânico, sendo capaz de entregar 660 cv e acelerar até os 100 km/h em 3,2 segundos. Infelizmente, porém, a companhia quebrou antes que isto pudesse acontecer.

Ao menos você pode jogar com ele em Forza Horizon…

Todo o estoque de componentes da Saleen vem no pacote, bem como o ferramental necessário para fabricar novas peças e os moldes para painéis da carroceria. No entanto, o mais interessante é que toda a propriedade intelectual e os direitos pelo uso da marca também estão inclusos — o que significa que, na prática, se o novo dono tiver colhões de retomar o negócio, nada poderá impedi-lo.

Outra possibilidade seria tornar-se um fornecedor de peças para quem for o proprietário de um Saleen S7 ou de um Mustang preparado pela companhia, por exemplo. Como? Vendendo o estoque restante e utilizando o ferramental e os blueprints (que, veja só, também estão inclusos) para fabricar peças novas.

Detalhe importante: a GA Global faz questão de deixar claro que o atual dono da Saleen não é Steve Saleen, e não tem nenhuma associação com quaisquer atividades da Saleen Automotive. Ou seja: o novo dono não deverá ter problemas com o passado recente e turbulento da companhia. O que você está esperando?

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