Sandero RS Racing Spirit: série limitada do Renault é lançada por R$ 66.400

Juliano Barata 12 maio, 2017 0
Sandero RS Racing Spirit: série limitada do Renault é lançada por R$ 66.400

No exato momento em que você lê estas linhas, este que vos fala está acelerando o Sandero RS Racing Spirit no Autódromo Internacional de Curitiba (AIC) – então aguarde por um vídeo on board muito em breve no canal do FlatOut, com nossas impressões dinâmicas a bordo de um dos circuitos mais bacanas do Brasil. Estamos de volta às avaliações!

O Racing Spirit é uma série limitada de 1.500 unidades do Sandero RS que acaba de ser lançada – e antes que você pergunte, não, não é desta vez que a Renault introduziu as cores Liquid Yellow ou Ultra Blue, famosas no seu primo Mégane RS. Muito menos do tema John Player Special, que vimos no Grand Prix Concept exposto no Salão do Automóvel. Então, do que se trata?

Começando pelo o que interessa mesmo: a grande novidade para os gearheads é a introdução dos pneus Michelin Pilot Sport 4 205/45 R17, substituindo os Continental ContiSportContact3 de mesma medida que equipam os demais Sandero RS. O Michelin PS4 é o pneu de série dos Mercedes-Benz A45, CLA45 e GLA45 AMG, Maserati Gran Turismo e diversos modelos das séries 1, 3 e 4 da BMW.

Embora sejam pneus da mesma categoria (Max Performance Summer), fica claro que o projeto do PS4 tem uma proposta mais esportiva. Note como os dutos de escoamento são proporcionalmente mais estreitos no Michelin, aumentando a área de contato efetiva dos pneus no solo. Outro ponto vital está no desenho da banda de rodagem na região do ombro externo, de apoio nas curvas: novamente, veja que os blocos são maiores e mais inteiriços, resultando em mais contato e menos torção. De acordo com a Michelin, houve uma grande evolução no composto com sílica e no projeto da carcaça em relação ao PS3 – esta última ficou 20% mais rígida e conta com uma lona de proteção híbrida de aramida e nylon revestindo as lonas metálicas para aumentar o feedback de direção ao volante e aprimorar o controle direcional. O índice de carga e velocidade dos CSC3 é 84V (240 km/h e 500 kg) enquanto o do PS4 é 88Y (300 km/h e 560 kg). Em média, o preço de mercado do Michelin Pilot Sport 4 é 30% mais caro que o ContiSportContact 3.

 

Mudanças estéticas

Fora o upgrade de pneus, o Sandero RS Racing Spirit traz uma série de itens de customização visual. Por fora, foram pintados de vermelho as pinças de freio, as calotinhas das rodas, os espelhos retrovisores, o bigode do para-choque e o acabamento tipo extrator do para-choque traseiro. Há um novo adesivo decorativo na base das portas com o tema Racing Spirit, também em vermelho.

Por dentro, o revestimento do teto deixa de ser cinza para assumir tom negro (o modelo usado no ensaio é provavelmente um pré-série) e o vermelho tinge as molduras das soleiras, os aros dos difusores de ar das laterais, o contorno de velocímetro e as faixas dos bancos. As costuras dos bancos, volante e manopla de câmbio já eram vermelhas no RS comum e assim permaneceram.

No console central, há uma plaqueta numerando cada uma das 1.500 unidades que serão vendidas a R$ 66.400 cada – acréscimo de R$ 2.000 em relação ao modelo convencional com as mesmas rodas de 17 polegadas. O autódromo que decora a plaqueta é o circuito tcheco de Brno, bastante conhecido pela turma da Moto GP e Superbike e categorias de turismo como WTCC, DTM e GT1. O autódromo fez parte do calendário da Renault Sport Series (ex-Renault World Series), série composta de dois campeonatos simultâneos e em paralelo: a categoria de monopostos Eurocup Formula Renault 2.0 e a de protótipos Renault Sport Trophy, disputada com os R.S. 01.

 

A receita do bolo

Em todo o restante, o Racing Spirit é um Sandero RS comum. Para quem não se recorda do nosso detalhado teste de lançamento ou de nosso guia de pilotagem na Capuava, acompanhe a receita aí embaixo.

Motor: o famoso 2.0 16V flex F4R, tão utilizado nos swaps de alguns dos Clio mais nervosos do Brasil. 150 cv a 5.750 rpm, 20,9 mkgf de torque a 4.000 rpm, suficientes para levar o RS aos 100 km/h em 8 s e máxima de 202 km/h. É o motor do Duster topo de linha, pertencendo à mesma família dos esportivos Clio III RS 172, 182, 197 e 200 e do Mégane RS (este, turbinado, o F4Rt). O F4R é um long stroke, com curso de 93 mm frente ao diâmetro de cilindro de 82,7 mm, o que o deixa com pegada em rotações médias, algo bacana para saídas de curva.

No Sandero RS há alguns upgrades em relação ao F4R do Duster: dutos de coletor de admissão 20% mais largos, pressão do sistema de injeção ampliada para 4,2 bar, ponto de captação do air box reposicionado e mapeamento de injeção e ignição foi redesenhado pela RenaultSport, visando uma curva de torque mais agressiva. Os tubos do sistema de escape ganharam 5 mm e um abafador de maior fluxo foi adotado.

Transmissão: apesar de usar a caixa de transmissão TL4, do Duster 2.0 16V, o seu escalonamento foi todo redimensionado. A terceira e a quarta marcha ficaram mais curtas, criando um arranjo “close ratio”, com uma marcha empilhada em cima da outra, característica muito desejada em esportivos por manter o motor sempre cheio. Para evitar que isso cobre sua conta no consumo, é recomendado o uso de short shifting (leia sobre a técnica aqui) ou mesmo pular marchas na cidade, visto que torque há de sobra.

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Suspensão: os franceses da RenaultSport trabalharam com capricho no redimensionamento de carga dos componentes. Molas, amortecedores e barras estabilizadoras são todos componentes diferentes em relação ao Sandero 1.6. Os amortecedores possuem buchas em poliuretano, molas estão 92% mais rígidas na dianteira, 10% mais firmes na traseira. Barras estabilizadoras 17% mais rígidas na dianteira, 65% na traseira – esta diferença de proporção resulta numa dinâmica mais neutra e menos sub-esterçante. A geometria também foi revista, apresentando 0,91º extras de cáster, resultando em um maior ganho de cambagem negativa nas curvas. As rodas aro 17 apresentam off-set mais negativo, e são calçadas com os pneus Michelin Pilot Sport Cup 4 205/45 R17 88Y que detalhamos no início da matéria.

Freios: o único Sandero com freios a disco nas quatro rodas. Os discos dianteiros ganharam 22 mm de diâmetro, passando para 280 mm, e os pistões das pinças frontais cresceram 6 mm. Os discos traseiros possuem 240 mm. Cilindro mestre e hidrovácuo foram dimensionados e o sistema de distribuição eletrônica de forças de frenagem (o EBD) ganhou nova calibragem para induzir a um yaw (atitude de guinada) mais agressivo nas entradas de curva.

Eletrônica: o Sandero RS traz três programações dinâmicas, configuráveis pela tecla R.S. Drive no console central. O Normal deixa o acelerador mais amortecido para estimular a economia de combustível e o indicador de troca de marchas (GSI) no painel orienta a trocas mais precoces para manter as rotações do motor baixas, na casa dos 2.000 rpm. Apertando a tecla Sport uma vez, você ativa o modo Sport, que sobe a marcha lenta em 200 rpm e deixa o acelerador com rampa mais agressiva. O GSI passa a indicar trocas próximas ao pico de rotações. Finalmente, se você apertar e segurar a tecla RS Drive por alguns segundos, você liga o modo soviético (Sport+), desativando os controles de estabilidade e de tração.

Não esqueça de ficar antenado no nosso canal (se você ainda não o assinou, faça-o agora mesmo!) para ver o vídeo on board no AIC assim que o publicarmos!