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Achados meio perdidos

Se você sempre quis um Fusca com motor boxer Subaru, esta é a sua chance

Em algum momento na longa e conturbada história da humanidade alguém achou que seria uma boa ideia trocar o boxer de quatro cilindros de um Fusca pelo boxer de quatro cilindros maior, mais potente e com arrefecimento líquido de um Subaru. E esta pessoa estava certa, porque desde então a receita tornou-se popular entre os fãs do besouro do mundo todo.

Este Fusca azul que encontramos à venda é um desses Fuscabaru. Ele pertence a Luciano Jaccoud, por coincidência dono do Project Cars #91 — um raro Polo GTI, batizado de Fênix, que está recebendo um motor 2.0 TSI. Dá para sacar que o cara gosta de fazer engine swaps.

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Luciano conta que tem o Fusca 1972 há mais de 12 anos. Foi seu primeiro carro e já passou por algumas fases: original, german look (com modificações estéticas ao estilo europeu e algumas peças de Porsche), teve seu motor refrigerado a ar preparado com deslocamento ampliado para 1.900 cm³ (o famoso milinove)… até que, em 2011, Jaccoud decidiu colocar um motor de Subaru no cofre do carro. Ele queria andar forte, mas sentiu na pele que, apesar de confiável quando original, um motor VW refrigerado a ar precisa ser tratado com muito carinho quando começa a ser preparado.

Em suas buscas, Luciano encontrou um Subaru Legacy em um desmanche: um exemplar fabricado em 1998 e equipado com o motor EJ22, um boxer de 2,2 litros com comando simples no cabeçote, de aspiração natural e capaz de entregar 144 cv — mais do que o suficiente para garantir a diversão em um carro leve como o Fusca.

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Embora o motor de um Subaru tenha dimensões muito semelhantes às de um boxer VW — a ponto de não exigir cortes na lataria e apenas a remoção de alguns acabamentos do cofre para caber quase como uma luva —, a adaptação de um motor destes em um Fusca não é exatamente plug and play como alguns de vocês possam imaginar, e algumas modificações importantes precisam ser feitas.

Primeiro, o cárter e o pescador precisam ser retrabalhados, e o volante do motor é usinado para ser ligado ao virabrequim. O câmbio é de Fusca, porém recebeu componentes forjados, enquanto o diferencial agora é um blocante da Sapinho — duas modificações essenciais para que a transmissão do Fusca suportasse os 20,6 mkgf de torque. A adaptação é feita usando uma flange, que conecta a transmissão ao motor.

 

Agora, estamos falando de um motor bem mais moderno do que o original do Fusca, com injeção eletrônica e arrefecimento líquido — e estes foram os grandes desafios do projeto.

É bastante comum ter o sistema de injeção original substituído por uma injeção regulável aftermarket (normalmente da FuelTech), mas Luciano preferiu manter a injeção original. Para isto, ele precisou retrabalhar o chicote do motor e o módulo de injeção usando sensores adaptados e eliminando o que não fosse necessário. Esta parte ficou por conta da oficina Power Class, em São Bernardo do Campo.

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Quanto ao sistema de arrefecimento, a solução é adaptar um radiador. Existem algumas receitas populares para tal — alguns donos de Fusca colocam o radiador no “chiqueirinho” atrás do banco traseiro, enquanto outros preferem fazer como a Porsche e colocá-los nos para-lamas traseiros (normalmente usando radiadores de moto). Luciano preferiu manter o radiador na dianteira do carro por causa do melhor fluxo, e assim o Fusca ganhou uma discreta entrada de ar na área do para-choque. Um sistema de dutos leva líquido de arrefecimento para a traseira do carro, e uma bomba d’água elétrica auxilia na função.

Luciano garante que a adaptação foi feita da melhor forma possível e o motor, que recebeu vários componentes novos, caiu como uma luva ao carro.

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O interior tem apelo racer: boa parte dos acabamentos foi removida, restando apenas os revestimentos de porta. Sem carpetes, com gaiola de proteção, sem banco traseiro e bancos dianteiros do tipo concha (réplicas dos do Porsche 356, feitos com moldes originais), o lado de dentro traz um belo equilíbrio entre visual e funcionalidade. As rodas são originais Porsche, de 17 polegadas — herança do período german look do Fusca —, com freios a disco nas quatro rodas. A suspensão foi retrabalhada usando catracas na dianteira e facões reguláveis na traseira — receita conhecida entre os fãs de Fusca modificados.

Agora, a pergunta crucial: quanto custa? Luciano diz que o processo de adaptação e acerto levou três anos, e faz apenas alguns meses que o carro está “pronto” (porque, bem, quem tem um carro modificado não existe esse negócio de “carro pronto”) e andando muito bem, e que os R$ 34 mil pedidos pelo carro cobrem uma fração ínfima do valor investido. Ele também diz que só está vendendo por algumas mudanças em sua vida, e não terá espaço para guardar o carro em sua nova casa.

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Se interessou? Você pode entrar em contato com Luciano pelo email [email protected] ou pelo celular 11 9 4751 2196. O carro também está anunciado no Mercado Livre.


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

 

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