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Será que finalmente as mulheres poderão dirigir na Arábia Saudita?

A história conta que a primeira mulher a assumir o comando de um carro foi Bertha Benz, a esposa de Karl Benz, criador do primeiro carro movido por um motor de combustão interna. Antes mesmo de seu marido testar a invenção, Bertha pegou o Patent Motorwagen na garagem e foi visitar sua mãe, que morava a 100 km. Ao longo do caminho ela descobriu os pontos fracos e fortes do carro, relatou tudo ao seu marido para que ele otimizasse a invenção. Isso significa que além de ter sido uma das primeiras motoristas da história, ela também foi o primeiro piloto de testes.

A história de Bertha Benz (que foi contada neste post) é emblemática e mostra que mulheres dirigem carros desde que eles foram inventados e por isso elas sempre puderam se habilitar para conduzir carros. Quer dizer, isso no mundo ocidental. No Oriente Médio e Ásia Central, onde a religião é predominantemente Islâmica, a história foi um pouco diferente para as mulheres. Felizmente isso mudou e hoje uma mulher pode dirigir um carro em qualquer lugar do planeta, exceto um único país: a Arábia Saudita.

A Arábia Saudita é um país islâmico onde a religião se confunde com o direito (de verdade) e as leis são baseadas nas escrituras sagradas ou na interpretação de seus líderes religiosos. É por isso que, segundo a atual interpretação da xaria (uma espécie de código legal islâmico) as mulheres são proibidas de fazer muitas coisas banais para qualquer mulher do resto do mundo, incluindo dirigir um carro. Essa proibição vem de longa data, e até a Rainha Elizabeth II do Reino Unido fez um protesto à sua moda contra isso. Se for flagrada dirigindo, a mulher pode ser punida com uma simples multa ou até mesmo açoitamento.

Mas isso pode finalmente estar perto do fim: um dos príncipes da família real saudita, Alwaleed bin Talal decidiu declarar publicamente que está na hora de mudar essa lei. No último dia 30 de novembro, Bin Talal publicou em sua conta no Twitter a seguinte mensagem: “Parem o debate. É hora das mulheres dirigirem”. Em seguida, o príncipe Alwaleed publicou uma nota oficial de quatro páginas destacando os motivos pelos quais a condução de um automóvel deveria ser permitida às mulheres em seu país, todos baseados em fatores financeiros, econômicos, sociais, políticos e religiosos.

 

Na declaração o príncipe diz: “Impedir uma mulher de dirigir um carro hoje é uma questão legal semelhante àquela que as proibia de receber educação formal ou ter uma identidade própria. São atos injustos de uma sociedade tradicional, muito mais restritivos do que é legalmente permitido pelos preceitos da religião”.

Entre os motivos econômicos está o fato de que muitas famílias contratam motoristas particulares para as mulheres, uma despesa que poderia ser eliminada se as mulheres pudessem dirigir. Além disso, muitos motoristas são estrangeiros, o que significa que o dinheiro recebido como salário é remetido ao exterior. Segundo a declaração do príncipe, o salário médio dos motoristas é de US$ 1.000 (cerca de R$ 3.500).

A proibição é motivo de piada até mesmo entre os sauditas

Diante dos fatos citados, permitir que as mulheres dirijam se tornou uma “demanda social urgente, baseada nas circunstâncias econômicas atuais”. O príncipe atualmente não ocupa cargos políticos, mas é o presidente da holding que controla os investimentos da família real, e tem poder de pressão econômica sobre grupos nacionais e estrangeiros, o que pode colaborar para uma mudança rápida na lei que proíbe as mulheres sauditas de dirigir.

 

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