Sessão nostalgia: relembre alguns dos maiores lançamentos automotivos do Brasil

Dalmo Hernandes 8 fevereiro, 2018 0
Sessão nostalgia: relembre alguns dos maiores lançamentos automotivos do Brasil

Quando queremos acompanhar o lançamento de um carro novo, sabemos onde olhar: no Facebook, no Instagram, no Twitter e, claro, no FlatOut. Mas antigamente as coisas eram diferentes – os carros e os lançamentos. E, como sabemos que todo mundo adora nostalgia (nós, inclusive), vamos dar uma olhada nos lançamentos. Prepare-se para sentir saudade até dos tempos que não viveu.

Claro, não vá achando que somos saudosistas ao extremo, nem nada do tipo. Acontece que relembrar como era o passado dos carros não se resume a simplesmente relembrar como era o passado dos carros: também tem a ver com relembrar (ou descobrir) como eram todas as outras coisas: a tecnologia, a moda e até mesmo a linguagem usada pelas pessoas na época. E, claro, a maneira como os carros eram vistos pelas pessoas.

Antigamente, com muito menos recursos tecnológicos presentes dentro dos carros, as fabricantes usavam as qualidades mais básicas de seus modelos para atrair clientes – dependendo do segmento, exaltava-se o design, o conforto ao rodar, o espaço interno, o desempenho ou a economia de combustível. Veja, por exemplo, a propaganda de lançamento do Opala, de 1968. O primeiro Chevrolet de passeio produzido no Brasil usava um projeto alemão (o Opel Rekord) com mecânica norte-americana (os motores de quatro e seis cilindros em linha) para agradar ao brasileiro, e deu certo.

Olhe, olhe o Chevrolet Opala. É sensacional!

Quando o Opala foi lançado, em 1968, a própria TV ainda era relativamente nova no Brasil e não havia antecessores. O Opala foi o primeiro de sua espécie, e agradou logo de cara por ser “o carro certo, no tamanho certo, com o conforto certo”. Espaço suficiente para seis pessoas (graças ao banco dianteiro inteiriço), rodar macio, motores com bom rendimento e bastante torque em baixas rotações, tração traseira e desenho para lá de agradável (não se pode negar). Era praticamente o carro perfeito para a época. Não se falava em economia de combustível, pois a gasolina era barata, e ninguém se preocupava com emissões de poluentes. Os carros praticamente se vendiam sozinhos. O forte mesmo era a propaganda impressa.

No entanto, não demorou muito para que os departamentos de publicidade percebessem o quanto era valioso mostrar seus carros na TV, nos intervalos dos shows de calouros, festivais de música, novelas, telejornais, transmissões esportivas e programas de auditório – eram basicamente estas as opções de entretenimento televisivo na época.

É claro que algumas propagandas de lançamento eram mais lúdicas. No caso do Fusca 1300, de 1967, o lance foi reafirmar a eficiência do projeto minimalista do Fusca. Dava-se destaque a mudanças simples como o vidro traseiro maior e as palhetas do para-brisa que passaram a parar do lado esquerdo, finalizando com o rugido de um tigre para ilustrar a adoção de um novo motor 1300 mais potente de… 46 cv. Até então o Besouro usava um motor 1200 de 36 cv.

Sete anos depois, em 1974, a Volkswagen introduzia o Passat no Brasil. Tal como havia acontecido na Europa um ano antes, o Passat rompia com a tradição do motor boxer arrefecido a ar e pendurado na traseira. O Fusca havia feito um sucesso enorme com este layout (e, na verdade, seguiu fazendo até os anos 90), mas era hora de seguir em frente e acompanhar a evolução dos motores. Ao adotar um motor arrefecido a água, com quatro cilindros em linha, montado na dianteira, com motor de 1,5 litro e 65 cv, o Passat trazia desempenho drasticamente superior ao dos carros equipados com motor boxer. Sua retomada “de 80 a 120 km/h em segundos” era exaltada e dramatizada no filme – que já era em cores. A televisão em cores só chegou ao Brasil em 1972, quando a Festa da Uva de Caxias do Sul foi transmitida em cores pela TV Difusora de Porto Alegre.

Repare que a versão mostrada é a básica L, e não a de topo LS. Talvez com isto a VW quisesse dizer que o novo carro com motor dianteiro arrefecido a água, tão mais potente e moderno que todos os outros Volks vendidos até então, ainda possuía uma versão mais acessível.

Vale lembrar que alguns comerciais eram transmitidos em cores, mas nem todos os aparelhos de televisão eram capazes de reproduzir imagens a cores. Os comerciais de lançamento do Fiat 147, que eram filmes de um minuto que exaltavam diferentes aspectos do veículo, eram produzidos em cores. No entanto, a propaganda na qual o primeiro Fiat vendido no Brasil aparecia percorrendo os 14 km da ponte Rio-Niterói com apenas um litro de combustível, está aqui em preto-e-branco. A Fabbrica Italiana Automobili Torino estava começando suas atividades por aqui, e o carro que saía de seu complexo em Betim/MG vinha para enfrentar o Fusca apostando na modernidade de seu projeto. Ele tinha motor dianteiro transversal, tração dianteira, tampa traseira hatchback e um aproveitamento de espaço excelente.

Outras peças publicitárias demonstravam a robustez do sistema de suspensão, subindo e descendo os 365 degraus da escadaria da Igreja da Penha “sem nenhuma preparação especial”; e os freios que não deixavam as rodas traseiras travarem.

Em 1984, com a propaganda de lançamento do Uno, o sucessor do 147, a Fiat seguiu com esta fórmula. No entanto, àquela altura as propagandas eram ainda mais descontraídas: o hatch da Fiat enfrentava um percurso cheio de obstáculos para demonstrar sua capacidade de fazer curvas, a robustez da suspensão e a capacidade dos freios.

Agora, se os anos 80 viram a chegada do carro que daria início à era dos populares 1.0 anos mais tarde, também foi uma década de inovações. O Volkswagen Gol, por exemplo, chegou em 1988 como o primeiro automóvel produzido no Brasil com injeção eletrônica de combustível. O vídeo acima não é um comercial, e sim uma matéria de um programa de TV, e já apareceu em outro post nostálgico aqui mesmo no FlatOut, mas vale o repeteco.

Em 1991 a VW lançou o Santana de segunda geração que, apesar de ser em essência um facelift bastante abrangente da primeira geração, trouxe um visual bastante harmônico e moderno, alinhado com os modelos vendidos na Europa – o como o Passat de terceira geração. Este, aliás, era o verdadeiro sucessor do Santana Mk1 na Europa, visto que este era nada menos que o Passat de segunda geração. O ator Odilon Wagner foi convidado para apresentar as novidades do carro, e o fez com muita elegância. Ao mesmo tempo, podemos notar que na década de 90 rolava uma preocupação maior com estética e sofisticação na produção. Ao mesmo tempo, imagens computadorizadas ficavam cada vez mais populares, e a palavra “tecnologia” era sempre citada com ênfase.

O lançamento do Miura, fora-de-série que, de fato, foi um dos mais ousados da história da indústria automotiva nacional, é outro exemplo claro. Na linha 1991, o cupê com carroceria de fibra tinha linhas inspiradas pelos cupês esportivos japoneses, com direito a faróis escamoteáveis, e um sintetizador de voz que “conversava” com o motorista usando uma voz robotizada – mas que, na verdade, agia mais como um computador de bordo que dava alertas em diferentes situações – como por exemplo quando o tanque precisava ser reabastecido.

Acontece que aquela estética noventista cheia de degradês, imagens em wire frame e simulações digitais rudimentares envelheceu bastante – afinal, já se passaram mais de duas décadas. Olha só como era o filme de apresentação do Uno Turbo em 1994:

O carro é comparado a uma Ferrari F40 – afinal, a Fiat era dona da Ferrari e, tal qual o Uno Turbo, a F40 era sobrealimentada. O exagero fazia sentido na época, pois não havia outras fabricantes oferecendo sobrealimentação de fábrica. E, novamente, repare como ainda há bastante destaque para elementos que hoje estão mais para detalhes e mimos, como “volante exclusivo da versão”, “instrumentação completa” e “revestimento diferenciado”. Por outro lado, o vídeo oferece uma explicação decente, ainda que resumida, sobre o funcionamento de um turbocompressor – algo que era novidade completa para o público brasileiro. Hoje, os turbos estão perto de se tornar onipresentes na indústria.

De que outros lançamentos das antigas você lembra? E qual foi o que mais te marcou?