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Setembro Amarelo: como um Ford Mustang 1968 inspirou a campanha de prevenção ao suicídio

Já faz algum tempo que, nesta época do ano, as redes sociais ficam repletas de posts a respeito do “Setembro Amarelo”. Geralmente na forma de uma corrente, os posts falam sobre a importância de pedir ajuda e, ao final, geralmente dizem que o usuário disponibiliza sua caixa de mensagens para oferecer apoio.

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Em tempos de overdose de informação, com Facebook, Instagram, WhatsApp e outros serviços nos bombardeando 24 horas por dias, é comum que se trate este tipo de conteúdo como spam. No entanto, o Setembro Amarelo tem origem em uma campanha real, organizada por uma fundação chamada Yellow Ribbon (em português, “Fita Amarela”), que foi fundada em 1994. E tudo começou por causa de um Ford Mustang amarelo.

Melhor dizendo, tudo começou com um jovem chamado Michael Emme, um jovem de Westminster, no Colorado, que era conhecido pela família e pelos amigos como “Mustang Mike”. O motivo? O rapaz era entusiasta, fã do Ford Mustang, e comprou um exemplar antes mesmo de ter idade para dirigir. O carro era um hardtop fabricado em 1967, e o objetivo de Mike era restaurá-lo para usar como seu primeiro carro. Mike fez todo o trabalho sozinho, e pintou a carroceria de amarelo brilhante.

Mike tirou a vida por não saber como pedir ajuda – o que é assustadoramente comum em casos de distúrbios mentais como depressão e ansiedade. Estas doenças afetam o comportamento de forma silenciosa, e frequentemente se passam por simples tristeza, ou por supostas características da personalidade do indivíduo.

Mike era descrito pelos pais, Dale e Darlene Emme, como um jovem de bom coração, generoso e bem humorado. No entanto, às 23:52 do dia 8 setembro de 1994 – exatos 25 anos atrás – o casal chegou em casa e se deparou com algo terrível. O Mustang estava parado na frente da casa, como de costume, mas Mike estava dentro do carro já sem vida. Ele havia dado um tiro em si mesmo, e havia um bilhete perto do corpo. “Mãe pai, não se culpem. Eu amo vocês”, dizia o papel. “Com amor, Mike. 11:45 pm”. Mike cometeu suicídio sete minutos antes de seus pais aparecerem. Eles poderiam ter salvo o filho.

Dizem que Mike havia terminado com a namorada pouco tempo antes, e que ele estava mesmo meio para baixo. No entanto, quem o conhecia acreditava que era normal, afinal ele havia acabado de sair de um relacionamento, e este tipo de coisa costuma deixar as pessoas tristes. No entanto, Mike provavelmente sofria de depressão. Sem tratamento e sem apoio – talvez até mesmo por não saber do que se tratava – Mike chegou à conclusão de que tirar a própria vida resolveria seu problema.

Mike era muito querido pela vizinhança e pelos amigos, e em poucas horas a casa de Mike estava cheia de pessoas ligadas a ele. Conversando com os jovens, os pais de Mike viram que a tragédia de seu filho não precisava ser em vão. Foi quando eles tiveram a ideia de criar “lembranças” de Mike – objetos simples que fossem carregados com a memória do filho, e que de alguma forma pudessem ajudar jovens na mesma situação a escaparem de um fim precoce e triste como o dele.

Então, surgiu a ideia das fitas amarelas, como o Mustang de Mike, cada uma delas presa a um cartão. Nos cartões, uma mensagem simples: “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!” A ideia era ajudar jovens que contemplavam o suicídio a expor sua situação.

Os pais e amigos de Mike confeccionaram 500 cartões com fitas amarelas e, durante seu funeral, colocaram todos em um cesto. No fim da cerimônia, todos os cartões haviam sido levados por alguém e começaram a se espalhar pelo país. Semanas depois, Dale e Darlene Emme começaram a receber ligações, cartas e emails de pessoas que haviam recebido o cartão de alguém.

De lá para cá, a Yellow Ribbon tornou-se um programa de prevenção ao suicídio baseado nos cartões e nas fitas amarelas. Os cartões são direcionados aos adolescentes e jovens, enquanto os adultos recebem informações sobre como agir ao receber um cartão. Parece um gesto bobo, mas o primeiro passo para superar a depressão é identificá-la e diagnosticá-la. Muitas vezes, uma simples conversa pode levar a uma visita ao psicólogo ou ao psiquiatra – e, com ajuda profissional, a depressão pode ser combatida e controlada.

Segundo a Yellow Ribbon, já foram distribuídos mais de 19 milhões de cartões que, nos últimos 25 anos, ajudaram a evitar quase 115.000 suicídios entre jovens. Ainda assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem cerca de 800.000 suicídios por ano em todo o planeta, a maioria deles decorrentes de transtornos mentais.

Desde 2003, a OMS adotou o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. No Brasil – onde uma pessoa dá fim à própria vida a cada 45 minutos – campanha Setembro Amarelo é uma iniciativa do Centro de Valorização à Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A inspiração foi a história de Mike Emme e a atuação da Yellow Ribbon.

Se você tem sintomas de depressão ou pensamentos suicidas busque ajuda. Uma boa forma de fazê-lo é ligar para o CVV no número 188 (ligação gratuita) ou acessar o site da organização, que oferece apoio psicológico a quem só precisa conversar – e também recruta voluntários, mediante um programa de treinamento. E, o mais importante, procurar apoio psicológico de um profissional.

 

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