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Shuto Kōsoku Trial: de filme banido à essência dos anos 80 e 90

Treze anos antes do primeiro “Velozes e Furiosos” e sete anos antes do primeiro episódio de “Initial D” ir ao ar, “Shuto Kōsoku Trial” (1988) era banido dos cinemas japoneses antes mesmo de estrear. As coisas estavam pegando fogo no Japão nesta época: “Pluspy”, o famoso documentário em VHS com as técnicas de dori com Keiichi Tsuchiya, viralizava entre os jovens, aumentando exponencialmente a presença de novatos em toda a cena noturna (nesta época aliás, muito da bagunça acontecia de dia, mesmo) – seja deslizando de lado nas montanhas, seja em pegas em alta velocidade nas rodovias Wangan e Kanjo Loop.

Era também a época do epicentro entre as gangues de motociclistas Bōsōzoku, os ultravelozes carros do Mid Night Club e os hatches e pequenos cupês dos Kanjozoku. Inacreditavelmente, as revistas de carros preparados como a Option até cobriam tentativas de recordes de tempo e de velocidade nas ruas, empreitada que acabou dando origem a várias preparadoras, caso da Top Secret, de Smokey Nagata e seu Supra V12 de 1000 cv.

“Shuto Kōsoku Trial” (com o título em inglês “Megalopolis Expressway Trial”) foi proibido de veicular nas praças justamente porque era a primeira produção que levava aos cinemas esta cena específica da época enquanto ela estava acontecendo. O primeiro filme conta a história de Rokuo Kazuki (Gitan Ootsuru) tentando quebrar o recorde de 5:13 feito por um piloto de Fórmula 1 (clara referência a Satoru Nakajima) dos sete pedágios que ligam Tóquio a Yokohama, de Daisankeihin a Shutoko, separados por 13,9 km.

Valorizar e romancear a cultura dos hashiriya (rachadores) era tudo o que as autoridades menos queriam num momento em que tudo já estava bastante efervescente. Era um filme de baixo custo produzido pela Nikkatsu, mas o sucesso underground de Pluspy já era um alerta claro que ter uma produção gourmet era o que menos importava para os jovens.

Como tudo o que é proibido fica mais atraente para a molecada, mesmo apenas lançado em VHS o filme foi bem sucedido para uma produção tão pequena. Entra em cena a gigante Toei Company, que produz não apenas uma sequência em 1990, mas sim cinco filmes da franquia. Os outros foram lançados em 1991, 1992, 1993 e 1996, em VHS e posteriormente em VCD.

A entrada da Toei trouxe também a presença de ninguém menos que Keiichi Tsuchiya – bem mais jovem que na foto abaixo. Algo curioso é que Tsuchiya não aparece como um personagem, mas sim como ele mesmo. Há um pequeno toque autobiográfico em suas participações ao longo destas cinco outras produções. Como muitos de vocês sabem, o Drift King começou nas ruas e mesmo quando sua carreira profissional já tinha deslanchado, ele seguiu aprontando como hashiriya – até perder a sua carta de motorista. Por isso, sua presença nos “Shuto Kōsoku Trial” está sempre ligada à figura de alguém que amadureceu e que tenta localizar os jovens a ingressar no automobilismo profissional.

Todos os “Shuto Kōsoku Trial” são filmes curtos, com duração entre uma hora e uma hora e meia, com atuação macarrônica e exagerada, cenas de ação reais misturada com captações aceleradas e um roteiro clichê, sempre envolvendo a morte de alguém, um personagem querendo abandonar os rachas e, a partir da segunda parte, um rachador desafiando um profissional e traços de lição moral que parecem estar ali apenas para a produção não ser proibida.

Contudo, para os entusiastas da época e de hoje, o sabor não vinha da representação, mas sim da representatividade. É o mesmo caso do primeiro Velozes e Furiosos. Ver os builds acontecendo, as expectativas e tentativas de se quebrar recordes, os roncos e presenças de carros como Skyline RS-Turbo (R30), Fairlady Z e 300ZX, GT-R R32 e R33, Silvia S13, Supra Twin Turbo R (A70), Mazda RX-7 (FC e FD), Nissan NSX-R e Toyota MR-2. O fato de as produções serem tão pobres dão até um gosto mais documental da época.

Separamos este post para começar esta sexta-feira para dar tempo de você comentar com seus amigos e assistí-los nesta noite ou no fim de semana. Prepare aquela pipoquinha – ou, caso você queira ser mais autêntico à época, busque um café gelado enlatado – e mande bala! Todos possuem legenda em inglês.

[ Sugestão do post: Daniel Cruz ]

 

Shuto Kōsoku Trial 1 (1988)

 

Shuto Kōsoku Trial 2 (1990)

 

Shuto Kōsoku Trial 3 (1991)

 

Shuto Kōsoku Trial 4 (1992)

 

Shuto Kōsoku Trial 5 (1993)

 

Shuto Kōsoku Trial Max (1996)

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