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Sim, é um V10 Lamborghini biturbo de 1.500 cv atrás dos bancos deste Golf MkIV

A quarta geração do VW Golf é uma das mais queridas dos brasileiros e, além do visual que, de fato, é dos mais agradáveis, também existe todo um culto em volta da versão GTI com motor 1.8 turbo de 180 cv. Que, de fato, era um belo hatch esportivo. Sem contar que a gente acaba associando a quarta geração do Golf à estreia da versão R32 que, com tração integral e um motor VR6 de 3,2 litros e 241 cv — além de ser o primeiro carro produzido em série a usar câmbio de dupla embreagem, lá em 2002.

Bacana, não? Muito. Mas, agora, esqueça um pouco disso tudo porque a gente vai te mostar um dos Golf MkIV mais fodásticos que já vimos. Isto porque ele não tem quatro, cinco ou seis cilindos, mas DEZ deles — o motor é um V10 de 5,2 litros emprestado do Lamborghini Gallardo. Na prática, fica tudo em casa, porque a Lamborghini já pertence à Volkswagen desde 1998 — e você provavelmente sabe que alguns Audi, como o RS6 e o S8, já tiveram ou têm versões com motor V10.

O Golf em questão foi feito pela preparadora alemã Asgard Performance. E, com este nome (Asgard é uma espécie de “Monte Olimpo” da religião nórdica, onde vivem os deuses), só poderiamos esperar que eles não se contentassem com a potência original — que não é pouca, pois a versão de 5,2 litros do V10 Lamborghini entrega pelo menos 560 cv.

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Assim, com dois turbos ajudando o motor a respirar melhor, a potência é de 1.500 cv, com torque de 179,5 mkgf. Bugatti Chiron? Koenigsegg Regera? Que nada — o Golf da Asgard Performance já está por aí desde 2014. Claro que são projetos completamente diferentes mas, como 1.500 cv parecem ser o número mágico por estes tempos, não tivemos como não lembrar deles.

O motor tem sua força levada para as rodas traseiras por uma caixa automática ZF de seis velocidades. De acordo com Corvin Hampe, o conjunto é suficiente para levar o Golf até os 100 km/h em “bem menos de três segundos” e a velocidade máxima fica na casa dos 440 km/h.

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Claro que, além da potência obscena, o Golf passou por uma bela dieta, perdendo revestimentos internos, bancos traseiros e a maioria dos itens de acabamento, para pesar cerca de 900 kg — para se ter uma ideia, o Golf R32 pesa 1.477 kg. Ou seja: estamos falando de uma relação peso/potência de apenas 0,6 kg/cv. Pega essa, Chiron!

Não são precisos mais de 15 segundos para sacar a insanidade do bicho

Como dá para ver, a instalação do V10 na porção central-traseira do carro exigiu algumas modificações importantes. Primeiro, os intercoolers ficam bem na cara de quem abre a tampa do porta-malas (que, na prática, virou um capô). Os pneus agora ficam para fora dos para-lamas, abraçando as rodas de magnésio feitas sob medida pela OZ, com 12,5” de largura na traseira. A largura dos pneus traseiros é de 325 mm — mais que suficientes para garantir toda a tração necessária em um projeto desses.

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O detalhe é que este monstro é legalizado para as ruas. Claro que, em casos assim, se trata mais de uma vaidade — com entre-eixos curtíssimo, torque acima de qualquer número praticável por um hatch e um V10 com parte do peso concentrada bem em cima do eixo traseiro, o Golf da Asgard deve ser, no mínimo, incontrolável.

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Aliás, foi este um dos motivos para que a Volkswagen jamais ter levado a sério seu próprio Golf insano. Você deve lembrar dele. Trata-se do Golf W12, um GTI MkV com o motor W12 de seis litros do Bentley Continental GT. Com a ajuda de dois turbocompressores, o motor entrega 650 cv a 6.000 rpm e 75 mkgf de torque a 4.500 rpm, suficientes para acelerar de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos com máxima de 325 km/h.

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Se a área envidraçada, a dianteira e detalhes de acabamento e do interior vieram de um Golf (com componentes de fibra de carbono), boa parte da estrutura, especialmente na parte posterior, vieram do Audi R8 para que se pudesse acomodar o W12 em posição central-traseira. A transmissão automática de seis marchas veio de um VW Phaeton.

No fim das contas, o carro feito para o Wörthersee Treffen (o maior encontro de VW do mundo, realizado todos os anos às margens do lago Wörthersee, na Áustria) jamais ficou completamente pronto — a VW só fez questão de torná-lo guiável. Pensando bem, a gente não encararia uma hot lap em nenhum dos dois. Ou encararia?

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