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Car Culture

Skoda Felicia Fun: a picape “conversível” dos anos 1990 que você não conhecia

As picapes estão em alta no momento. Já faz um tempo que, para muita gente, elas são carros de passeio, ou mesmo de lifestyle, embora tenham sido concebidas como veículos de trabalho. No Brasil, por exemplo, as picapes pequenas derivadas de automóveis são populares desde a segunda metade da década de 1970 – nas décadas seguintes, toda fabricante tinha a sua, e todas elas foram razoavelmente bem sucedidas.

Atualmente a Fiat Strada e a VW Saveiro reinam sozinhas no segmento, e ambas oferecem versões de cabine dupla que, do ponto de vista prático, não fazem sentido – elas não têm muito espaço para quem vai atrás, e a caçamba não é exatamente espaçosa. Mas as duas fazem sucesso por dar ao consumidor o que ele quer – consumidor este que está disposto a sacrificar espaço para as pernas e para a carga para ter uma picape pequena de cinco lugares. Atualmente, as fabricantes estão investindo em modelos maiores – Fiat Toro, Duster Oroch e a futura Volkswagen Tarok, baseadas em plataformas de SUVs, se parecem menos com picapes e são mais práticas.

Hoje, porém, vamos falar de um conceito diferente de picape lifestyle – algo diferente das picapes esportivas dos EUA e da Austrália, das nossas picapes baseadas em carros pequenos, e das atuais picapes médio-pequenas. Algo realmente criativo, que não foi mais repetido: a Skoda Felicia Fun 1.6.

Lançado em 1994, o Skoda Felicia foi um dos primeiros modelos lançados pela fabricante tcheca após a compra pelo Grupo Volkswagen. A plataforma do carro – um compacto com motor dianteiro transversal – era a mesma de seu antecessor, o Skoda Favorit, um carro projetado in-house. O design do carro, porém, foi definido com a ajuda da Volkswagen, que também cedeu os motores de 1,6 litro a gasolina, com injeção eletrônica multiponto, 75 cv e 13,9 kgfm de torque; e a de 1,9 litro a diesel, com 64 cv e 12,6 kgfm de torque.

A versão picape do Skoda Felicia foi lançada em 1995, meses depois do hatch, e a Volkswagen aproveitou para vendê-la em alguns mercados de exportação como Volkswagen Caddy, ainda que ela pouco tivesse a ver com a Caddy derivada do VW Polo que conhecemos no Brasil como Volkswagen Van. O fato é que, sob o guarda-chuva da Volkswagen, a Skoda de repente viu-se em uma posição confortável para experimentalismos. E assim nasceu a Skoda Felicia Fun 1.6 – uma engenhosa picape que tinha cabine simples mas, com um engenhoso sistema rebatível para o banco traseiro, acabava se tornando uma picape conversível de quatro lugares.

Embora tivesse toda a cara de um produto de nicho para o mercado local, a Skoda Felicia Fun era voltada principalmente aos mercados de exportação na Europa ocidental.

A Skoda levava a sério o sobrenome “Fun”. A começar pela carroceria amarela, cor exclusiva da versão, que refletia bem as intenções divertidas da picape. O amarelo também aparecia nas rodas, em detalhes de acabamento interno – revestimento do volante, alavanca de câmbio quadro de instrumentos, rádio (!) e forrações das portas e bancos. E ainda havia um simpático emblema com o desenho de um sapo nas colunas “B”, talvez aludindo à vocação da Felicia Fun para expedições à beira do rio ou para a praia.

Mas vamos falar de seu aspecto mais curioso: a cabine expansível. O painel traseiro era basculante e, ao ser puxado para trás, revelava o banco de trás com seus dois lugares e até mesmo encostos de cabeça. Um mecanismo com braços articulados e travas nas caixas de roda traseira mantinha o painel no lugar.

Com isto, apesar de uma extensão na parte traseira da cabine, o banco traseiro ficava permanentemente descoberto – o que não seria um problema tão grande em um país com clima quente, mas não era exatamente um selling point na Europa. Especialmente no chuvoso Reino Unido, que ganhou sua própria versão com volante do lado direito. Em todos os casos o motor era o já citado 1.6 de 75 cv, acoplado a uma caixa manual de cinco marchas – conjunto capaz de levá-la de zero a 100 km/h em 12,5 segundos, com máxima de 160 km/h.

 

Sendo assim, não surpreende o fato de a Skoda Felicia Fun ter se tornado um ponto fora da curva – uma curiosidade que te faz pensar “caramba, esse carro foi mesmo vendido?” Além do visual totalmente conceitual, ela basicamente oferecia algo que ninguém havia pedido, embora, olhando em retrospecto, ela fosse quase genial. Os britânicos compraram 300 exemplares, e o resto da Europa comprou mais 300, fazendo da Felicia Fun um dos carros mais raros da década de 1990.

O mais perto que chegamos disto, atualmente, é a futura Volkswagen Tarok – que, ao menos no conceito apresentado no Salão do Automóvel em 2018, tinha a parte inferior do painel traseiro rebatível, permitindo o transporte de objetos bem mais longos na caçamba. Ainda não ficou claro se a versão de produção contará com o recurso (que foi bem recebido durante o Salão), mas a pergunta é: será que a Skoda Felicia Fun foi inspiração?


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