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Subaru Levorg BTCC: uma perua WRX para acelerar no asfalto

Lembra quando a gente ficava lamentando o fim iminente das peruas? Corremos o risco de soar fatalistas agora mas, bem, parece que este fim está mais próximo do que nunca: em meio a lançamentos de crossovers compactos, picapes médias com construção monobloco e SUVs, as nossas queridas station wagons se tornaram um nicho. Há pouquíssimas opções acessíveis (de cara, só conseguimos lembrar da Fiat Weekend) e, nos segmentos mais caros, elas correspondem a uma parcela bem pequena das vendas de modelos como o Mercedes-Benz Classe C e o Audi A4 Avant.

No entanto, há lugares onde as peruas ainda têm bastante apelo. No Japão e na Europa elas ainda são relativamente comuns — os japoneses, por questões de espaço e os europeus, por questão de princípios. Sendo assim, até dá para entender por que a Subaru decidiu que, em vez de um sedã ou cupê, decidiu colocar uma perua para correr no Campeonato Britânico de Turismo. Eis a Subaru Levorg BTCC!

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Ela não é uma beleza? Pode babar bastante, não tem problema! Aliás, talvez você até já a tenha visto — a Subaru anunciou em janeiro de 2016 que usaria a Levorg no Britânico de Turismo, e a gente está comemorando até agora. Uma perua de corrida em pleno século XXI é mesmo algo notável, não?

Se você está reconhecendo a cara da Levorg de algum lugar, não se preocupe: ela, na prática é a versão perua do Subaru Impreza, que já não contava com esta configuração de carroceria desde o fim da segunda geração, lá em 2008. Desde então, o Impreza ganhou uma versão hatchback e perdeu a versão WRX, que se tornou um modelo separado na geração atual, a quarta. Para trazer de volta a perua, que compartilha plataforma, interior e motores com o Impreza, a Subaru decidiu dar a ela um novo nome, também.

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Levorg, de acordo com a marca das Plêiades, é a combinação das palavras “LEgacy”, “reVOlution” e “touRinG“. No entanto, ela tem muito mais a ver com o Impreza e com o WRX — tanto que, além de dar a ela a cara do esportivo, a Subaru também colocou debaixo do cofre duas opções de motor bem interessantes. Os motores flat-four deslocam 1,6 e 2 litros, com potência de 170 cv e 296 cv, respectivamente. A transmissão é do tipo continuamente variável (CVT), o que pode ser um tanto decepcionante. Por outro lado, o sistema de tração é invariavelmente integral. Definitivamente não nos parece um conjunto ruim.

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Sendo assim, faz sentido que a Subaru coloque a perua para correr naquela que é a mais popular categoria automobilística do Reino Unido — até porque, tradicionalmente, era a britânica Prodrive a responsável pela equipe de fábrica da Subaru no WRC.

Desta vez, porém, os encarregados são outros britânicos — o Team BMR, do piloto Warren Scott. Sua estreia foi em 2013, com um Seat León, e ele já correu com o VW CC e o Opel Insignia. Não se trata de uma equipe grande e seus resultados também não foram tão expressivos nestes últimos anos (até agora, seu melhor desempenho foi um 21º lugar no campeonato em 2014). No entanto, a gente acha que não se trata de vencer.

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Peruas têm um grande apelo entre os entusiastas, e a gente desconfia que a Subaru esteja simplesmente querendo aproximar-se deles com o Levorg. O carro terá um motor 2.0 turbo e, como previsto pelo regulamento do BTCC, tração traseira. A marca diz que está “empolgada em colocar a perua para disputar contra rivais já estabelecidos” e, na real, a gente também está. O mais curioso é que, quando o anúncio foi feito, houve quem achasse se tratar de uma piada. Como se peruas não fossem capazes de se tornar bons carros de corrida…

Quer ver algumas evidências? Então saca só estas outras peruas de corrida:

Volvo 850 BTCC

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Esta já é velha conhecida dos leitores: em 1994, a Subaru decidiu marcar sua volta ao automobilismo com a 850 Touring BTCC surpreendendo a todos com uma versão de corrida da Volvo 850 Estate. O carro era movido por um 2.0 aspirado (exigências do regulamento da classe 2) de 290 cv e câmbio sequencial de seis marchas — mais compacto, o que permitiu que o motor fosse posicionado atrás do eixo dianteiro e em posição mais baixa, melhorando a estabilidade do carro.

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Foram 21 etapas de competição — e, no fim da temporada, a Volvo conseguiu apenas a 14ª colocação geral. O motor do carro era potente, sim, porém o formato de tijolo não ajudava. A aerodinâmica não era boa como diz a lenda, e a distribuição de peso deixava a traseira mais pesada, o que prejudicava bastante o desempenho do carro nas curvas. Na temporada seguinte, a Volvo decidiu usar os sedãs — e, aí sim, obteve bons resultados.

A missão do Volvo 850 Estate, porém, fora cumprida: o público simplesmente adorou vê-lo correndo, e a imagem da Volvo  realmente melhorou depois daquela temporada. “Nosso melhor resultado foi um quinto lugarem Oulton Park”, conta Rydell. “Mas as colunas escreveram mais sobre nós do que sobre qualquer outra equipe!”

 

Honda Civic Touring BTCC

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Foi em novembro de 2013 que a Honda Civic surpreendeu o mundo todo ao anunciar seu carro para a temporada 2014 do BTCC, o Campeonato Britânico de Turismo: o Civic Tourer, a perua (na verdade, quase uma minivan) do Civic de nona geração.

Não dá para dizer com certeza que a inspiração veio da Volvo, que correu com a perua 850 Touring Car em 1994, mas não nos surpreenderíamos ao descobrir que foi exatamente isto o que aconteceu. A Honda compete no BTCC desde 2009, e em todos os anos até 2013 o escolhido era o hatchback, equipado com um 2.0 turbo de 350 cv.

Por que a mudança? Na época a Honda simplesmente disse acreditar no potencial da perua Civic para a competição. Mas, acima disso, a ideia era simplesmente tentar algo novo e curtir o desafio envolvido. “É um carro novo para nós, bem diferente do hatch”, a companhia disse ao TopGear.com na época. “Além disso, por que não fazer algo diferente? É um bom desafio, e temos certeza de que vai chamar muita atenção na pista. No automobilismo é preciso vencer, claro, mas também é preciso atrair pessoas para assistir às corridas”.

E eles venceram: a Honda ficou com o título de construtores e Matt Neal, um dos membros da Honda Yuasa Racing, levou para casa a taça dos pilotos. Contudo, para 2015 a Honda decidiu tornar a usar o Civic hatch. Uma pena…

 

“Parati Quattro”

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Esta aqui não é bem uma perua de corrida, mas sim de rali, mas está valendo. Ainda mais porque é uma VW Parati que competiu lá fora!

Como você já deve saber, Parati e Voyage foram exportados para os EUA como VW Fox. Então, no fim da década de 1990, um cara chamado Sakis Hadjiminas decidiu colocar um Fox Wagon para disputar ralis. Ele equipou o carro com um motor maior e o sistema de tração integral Syncro, que era basicamente o sistema quattro da Audi com outro nome. Ou seja: na prática, estamos falando de uma Parati Quattro. How cool is that?

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Sakis competiu com ele nos anos 90 na Pro Rally, categoria criada pelo Sports Car Club of America, ou SCCA (a mesma que nos anos 60, organizou as corridas da Trans Am) que foi disputada entre 1973 e 2004, em meio a concorrentes do nível do Subaru Impreza WRX ou o Mitsubishi Lancer Evolution.

Para isto, ele colocou no carro um motor V6 de 2,8 litros do VW Passat (um V6 de verdade, e não um VR6) com várias modificações — entre elas, um módulo de injeção programável, novos coletores de admissão e escape e dois turbocompressores IHI. O resultado? “Entre 300 cv e 400 cv, dependendo do evento”, de acordo com a ficha técnica disponível neste site dos primórdios da Internet.

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Além das modificações no motor, o carro recebeu um novo sistema de suspensão, com amortecedores “de rali” da Bilstein e braços inferiores com buchas de de alumínio fabricados sob medida. Por dentro, além da gaiola de proteção completa e do painel aliviado, foram instalados bancos OMP de competição, cintos de cinco pontos da TRW e um sistema de comunicação para o piloto e o navegador.

E, claro, para levar a força para as quatro rodas, foi instalado o sistema de tração integral Syncro vindo de uma Volkswagen Quantum. O detalhe é que Syncro era como a Volkswagen chamava sua versão do sistema Quattro da Audi — ou seja, não estamos loucos quando chamamos este carro de “Parati Quattro”.

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