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Superformance Grand Sport: um Corvette de corrida de 1963 que você pode comprar zero-quilômetro

A Chevrolet só fez cinco exemplares do Corvette Grand Sport em 1963. No entanto, se você quiser comprar um, existe uma opção quase tão boa quanto: o Superformance Grand Sport, uma recriação feita por quem entende do assunto, com o aval e a colaboração da própria General Motors. O resultado é um monumento ao passado com tecnologia (e desempenho) do presente. E com garantia de fábrica!

Tudo bem, talvez você não lembre da história. O Corvette Grand Sport foi idealizado por Zora Arus-Duntov, o engenheiro-chefe da equipe responsável pelo ‘Vette. Era o começo dos anos 1960, e a Ford estava indo muito bem com o Shelby Cobra nas corridas de turismo nos EUA, especialmente nos campeonatos organizados pelo SCCA (Sports Car Club of America) em circuitos como Daytona, Riverside e Laguna Seca. Zora, que foi quem insistiu pela adoção dos motores V8 na primeira geração do Corvette, tinha um carinho especial pelo modelo e jamais permitiria que um Ford fosse considerado melhor do que ele.

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Isto é um C2 Grand Sport genuíno

O engenheiro, então, deu início ao processo de transformar o recém-lançado Corvette C2, também conhecido como Sting Ray, em um carro de corrida. O chassi do Corvette foi modificado com longarinas tubulares mais leves e pontos de ancoragem nas travessas para uma gaiola de proteção integral. O chassi, que trocou o ferro por alumínio, ficou cerca de 40 kg mais leve que o original. O carro também recebeu uma carroceria de fibra de vidro modificada, com para-lamas alargados, entradas de ar extras e furos circulares estrategicamente posicionados na traseira para melhorar o fluxo aerodinâmico. No total, o ‘Vette perdeu mais ou menos 360 kg no alívio de peso – ou seja, foi de cerca de 1.500 kg para 1.140 kg. O desenho da carroceria era tão radical que o Corvette de competição, batizado como Grand Sport, parecia um Hot Wheels em tamanho real, ou um projeto aftermarket. Era demais.

Acontece que, naquela época, a Chevrolet ainda não havia percebido a importância de vencer corridas com bólidos baseados em seus modelos de rua. Assim, logo que a cúpula da GM soube a respeito do projeto, que foi feito todo na surdina por Zora, ele acabou cancelado. Cinco carros já haviam sido feitos, e foram vendidos a equipes particulares. Alguns foram usados em corridas, com motores V8 preparados de até 550 cv, e todos sobreviveram até os dias de hoje em coleções particulares. Ou seja: se quiser um deles, você vai ter que esperar a boa vontade de de um dos donos. E pode esperar uma cifra astronômica: dizem que o último exemplar que trocou de mãos, de forma discreta, foi negociado por US$ 5 milhões.

Pois bem: existe a possibilidade de comprar algo tão bom quanto um Corvette Grand Sport 1963 – na verdade, do ponto de vista técnico pode ser até melhor. O Grand Sport da Superformance começou a ser desenvolvido em 2009 com o apoio da Chevrolet.

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Se o nome da Superformance não lhe é estranho, há um bom motivo: são eles que, em parceria com a Ford e a Shelby, começaram a fabricar há pouco mais de dez anos o Shelby Cobra “Continuation Series”: carros feito nos padrões originais, com todas as medidas fornecidas pelas fabricante, com garantia e número de série na sequência dos carros dos anos 60. Eles também fabricam o Ford GT40 neste mesmo esquema – é o mais próximo que se pode chegar de ter um genuíno GT40 que competiu nos anos 60.

Em um repeteco do que aconteceu em 1963, a Chevrolet também quis aproveitar para reviver o Corvette Grand Sport, e por isso forneceu todas as medidas e blueprints do Corvette Grand Sport original para a Superformance, que garante que todas as medidas e formas são fiéis. De fato, os carros são muito parecidos:

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Na foto de cima, um Corvette Grand Sport original nº3; na foto debaixo, o Grand Sport da Superformance. Os faróis são period correct – eram exigência para corridas à noite, e alguns dos Corvette Grand Sport originais tinham faróis iguais a estes.

É claro que, se tratando de um carro da Superformance, estamos falando de um carro atualizado em alguns aspectos. Por mais que o projeto do chassi e a carroceria sejam feitos de acordo com o desenho original, os materiais são de melhor qualidade, com uma padronização maior na qualidade. Isto também vale para componentes de suspensão (que, no Grand Sport, tinha braços triangulares sobrepostos na dianteira e um arranjo com braços inferiores e feixe de molas semi-elípticas na traseira), como amortecedores, pontas de eixo, reforços estruturais, e toda a elétrica.

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Vale lembrar que o Superformance Grand Sport enquadra-se na lei para pequenos fabricantes vigente nos Estados Unidos: fabricantes de réplicas que constroem até 325 carros por ano estão isentos de certos testes de colisão. Na prática, ele é um kit car – por pelo menos US$ 100.000 (cerca de R$ 327.000 em conversão direta), que é o pereço de um Grand Sport básico, você o leva para casa montado, mas sem motor e câmbio. Ar-condicionado, trio elétrico e direção assistida são alguns dos opcionais, assim como rodas maiores.

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Há quem curta um visual mais moderno e pneus atuais, como os drag radials Nitto N555R, mas também quem prefira medidas mais próximas da época, com menor diâmetro e pneus como os Avon CR6ZZ – de perfil mais alto e construção similar à dos pneus de corrida da década de 60, porém com compostos modernos, sendo homologados para competições históricas.

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Os motores são vendidos separadamente, e oferecidos em parceria com a GM Performance (ou seja: diversos crate engines estão disponíveis) e preparadoras americanas. O carro azul das fotos usa um small block LS3 preparado pela Katech, com 558 cv, acoplado a uma caixa manual de cinco marchas, mas as opções vão do small block 350 mais simples até o LS9 usado no Corvette ZR1 da geração passada, com supercharger e 658 cv. Claro, um desses vai lhe custar mais US$ 25.000 (cerca de R$ 81.000), mais uns US$ 2.500 (R$ 8.100) para o câmbio – é quanto custa a caixa Tremec TR6060.

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Um dos maiores desafios da Superformance, segundo eles mesmos, foi adaptar motores feitos para carros modernos em um clássico reeditado como seu Grand Sport. Nesta hora, a colaboração com os engenheiros da Chevrolet foi fundamental para garantir que o funcionamento de um conjunto mecânico de Camaro 2017 funcione em um carro que foi projetado há mais de 50 anos.

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Ao menor sinal de qualquer problema, a garantia pode ser acionada, e o carro é levado para a Superformance para que sejam feitos novos ajustes. Além disso, a empresa continua desenvolvendo novos componentes para tornar o Grand Sport um carro cada vez melhor – como um sistema de direção hidráulica que funciona só até as 2.000 rpm do motor, deixando o volante mais leve em manobras, e mais pesado em uso na pista.

Isto porque o Superformance Grand Sport é legalizado para as ruas, diferentemente do Grand Sport original. Custando pelo menos US$ 120.000, não é exatamente uma pechincha para quem quer um Corvette clássico – até porque um Sting Ray dos anos 60 em perfeitas condições custa pouco menos que isso. Mas para quem quer um carro de competição histórico zero quilômetro e com garantia que, como bônus, também pode rodar nas ruas… é perfeito. Ou quase.

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