Supergaleria: o Lamborghini Countach em detalhes que você nunca viu

Leonardo Contesini 11 outubro, 2017 0
Supergaleria: o Lamborghini Countach em detalhes que você nunca viu

Primeiro foi a F40, que completou 30 anos e ganhou uma supergaleria que revelava todos aqueles detalhes que ninguém nunca se preocupou em mostrar aos entusiastas que jamais puderam chegar perto da obra-prima de Enzo Ferrari. Depois vimos seu antagonista, o Porsche 959 e todos seus segredos e intimidades em uma galeria igualmente detalhada. Agora, chegou a hora de ver o outro supercarro da Santíssima Trindade mecânica dos anos 1980: o Lamborghini Countach.

Diferentemente dos 959 e da F40, o Countach não era novidade nos anos 1980, mas foi naquela década que ele se tornou um verdadeiro ícone e, de quebra, definiu a imagem que a Lamborghini mantém até hoje.

Nós já contamos a história por aqui: embora tenha sido lançado em 1974, o Countach não era a opção preferida dos milionários que compravam supercarros naquela época. Entre 1974 e 1978 foram vendidos apenas 157 exemplares. Como comparação, a Ferrari Berlinetta Boxer vendeu 367 unidades somente em seus dois primeiros anos.

O Countach só decolou depois que Walter Wolf chamou os italianos e mostrou para eles algumas mudanças que deveriam ser feitas para melhorar o carro. O resultado foi o LP400 S e, mais tarde, o LP500 S. Entre as mudanças estavam um aumento da cilindrada do motor V12 que deu ao Countach o desempenho que seu visual sugeria.

lamborghini_countach_lp5000_s_quattrovalvole_10

Mas ainda que o desempenho seja o que realmente importa em um supercarro, a mudança mais importante promovida pela Lambo ao criar os modelos de Walter Wolf foi o visual widebody alado.

Antes dele não havia supercarros com alargadores nos para-lamas, muito menos com uma asa de corrida fixa na traseira. Eles complementavam perfeitamente os dutos Naca e os scoops laterais, dando ao carro um aspecto jet fighter que jamais havia sido visto em algo com quatro rodas. Ao menos não em modelos produzidos em série. As rodas phone dial eram diferentes de tudo o que havia na época. Eram ousadas e agressivas — especialmente com 10 polegadas de tala e calçadas em pneus imensos como nos carros de corrida.

lamborghini_countach_lp5000_s_quattrovalvole_3

O Countach dos anos 1980 trouxe à Lamborghini uma ousadia obscena que é a base da  estética de seus carros até hoje. Sem ele, não haveria Diablo, Gallardo, Murciélago, Reventón, nem Aventador, Huracán, Veneno ou Centenario. Nesse sentido o Countach dos anos 1980 foi o carro mais importante da história da Lamborghini depois da Ferrari 250 GT 1958.

89_Countach_RM-49

O botão que abre a porta do Countach

Ironicamente, ao levantar as portas tesoura e entrar na cabine, o que você encontra é um carro artesanal dos anos 1970, e não um supercarro que rivalizava em igualdade com o Porsche 959 e as Ferrari F40 e Testarossa. Veja por exemplo o anacronismo do painel:

334

Não há uma estrutura industrial: o que você vê é uma base de madeira e fibra coberta pelo mesmo couro dos bancos e portas.

89_Countach_RM-139

O quadro de instrumentos não é integrado como em seus rivais. Ele fica instalado em uma caixa destacada da mesa que é o painel do carro, e tem termômetro do óleo do motor, voltímetro, velocímetro, manômetro do óleo do motor, conta-giros, seguido pelo indicador do nível de combustível e pelo termômetro da água do motor.

89_Countach_RM-120 89_Countach_RM-124

As barras pretas sob os instrumentos menores cobrem as luzes espia dos faróis, setas, freio de mão, check engine, alerta de temperatura etc.

89_Countach_RM-109

Como todo supercarro dos anos 1970/80, os pedais são deslocados para o centro do carro devido às imensas caixas de roda dianteiras. Um pesadelo ergonômico.

Os botões e comandos foram modernizados nos anos 1980, e definiram um padrão usado pela Lamborghini até hoje: abaixo do quadro de instrumentos, logo ao lado direito da coluna de direção, ficam os botões das luzes auxiliares e o relógio digital Veglia, em toda sua glória oitentista.

89_Countach_RM-126

O primeiro interruptor da esquerda acende os faróis, o segundo a luz de neblina traseira, o terceiro é o pisca-alerta, o quarto acende os faróis auxiliares dianteiros e o último acende as luzes de estacionamento/posição. No lado direito da foto você vê o CD player…

89_Countach_RM-127

… um clássico Alpine 7903 de gaveta! Imagine sair do seu Countach com um desse debaixo do braço!? Você também deve ter notado a pequena alavanca logo acima do rádio. Ela serve para abrir o porta-luvas, que nesse modelo 1989 não tinha maçaneta. O ponto escuro ao lado é um parafuso de fixação do painel.

89_Countach_RM-143

No lado esquerdo do volante, mais luzes:

89_Countach_RM-119

Na esquerda temos o dimmer da iluminação do painel, seguido pela luz espia que indica o nível baixo do fluido de freio. As outras duas são a luz de alerta de superaquecimento/mal-funcionamento do catalisador e a luz de alerta de afivelamento dos cintos de segurança.

Descendo para o console central, topamos com os comandos do ar-condicionado, já controlado eletronicamente. A mudança aconteceu ainda nos anos 1980:

89_Countach_RM-129

Mais abaixo vem a grelha do câmbio, o cinzeiro e os botões dos vidros elétricos das portas.

89_Countach_RM-148

O freio de mão, caso você tenha notado a ausência dele, fica escondido entre o banco e o console central:

317

E já que os bancos deram as caras, veja se você percebe alguma diferença em relação aos modelos mais antigos do Countach:

Essa é fácil: eles não são mais inteiriços. E isso permitiu que os encostos finalmente pudessem ser ajustados separadamente do assento. Tudo eletricamente, claro. E se você é um bom observador, notou que não há espaço para os botões entre a soleira e o banco. Onde eles ficam então?

No porta objetos embutidos nas largas soleiras — que também servem de banco na hora de fazer baliza.

Sim: dizem que a melhor forma de estacionar seu Countach não é olhando pelos retrovisores, afinal, os modelos widebody têm scoops sobre a tampa do motor e uma asa traseira no caminho entre o retrovisor e a traseira.

134

Uma curiosidade interessante: o redesenho dos scoops foi obra de um funcionário da Lamborghini chamado Horacio Pagani. Sim: exatamente esse Horacio Pagani que você está pensando.

Apesar de tudo isso na traseira, o Countach ainda tem um porta-malas lá atrás, embaixo da asa. Veja só:

lamborghini_countach_lp5000_s_quattrovalvole_77

Não é muito grande, mas dá para colocar um par de malas com roupas para o final de semana, e é muito maior que o compartimento dianteiro…

89_Countach_RM-152

… que é ocupado por um estepe temporário, pelo reservatório do lavador do para-brisa, pela bateria, cilindro mestre do freio, buzina e sistema de direção hidráulica.

Dando meia volta ao redor do carro e abrindo a tampa do motor você depara com o acabamento da fibra de vidro usada na peça e com a etiqueta da especificação dos lubrificantes:

E finalmente, il motore:

89_Countach_RM-164

5.167 cm³, 12 cilindros em V, injeção eletrônica, 455 cv. Que funciona desse jeito:

E para finalizar, o Countach ao lado do Miura e seus herdeiros:

bde99c709b0f786ecbb8c174820210f6--car-garage-dream-garage