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Car Culture

Surfin’ Safari – a invenção e o nascimento do buggy de praia

Quando se pensa em “buggy”, é bem provável que a imagem projetada na sua mente seja a de um veículo idêntico ao da foto acima. Isto acontece, provavelmente, porque o Meyers Manx foi o primeiro buggy legalizado para as ruas feito no mundo. Seu criador, Bruce Myers, era surfista, engenheiro, escultor e construtor de barcos e, segundo ele, o Meyers Manx foi criado com um único objetivo: fazer as pessoas felizes.

Faz sentido, porque o Manx é um carro bastante simpático: seus faróis redondos parecem dois olhos arregalados, o desenho da tampa do porta-malas e dos para-lamas dianteiros parecem formar um sorriso e a ausência de portas ou teto provam que o negócio deste carro é mesmo a diversão.

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O primeiro protótipo do Meyers Manx, batizado de “Old Red”

Depois de construir o primeiro protótipo entre 1963 e 1964, usando como base o chassi encurtado de um Fusca, bem como seu motor e transmissão, uma carroceria monobloco de fibra de vidro e suspensão traseira por eixo rígido de picape Chevrolet, Bruce Meyers começou a fabricar kits de conversão para quem quisesse transformar seu Fusca em um buggy. Contudo, em um ano apenas 12 kits foram feitos, e eles eram caros e trabalhosos demais para dar algum lucro. Sendo assim, o projeto foi engavetado e retomado apenas em 1965.

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Àquela altura, Bruce Meyers já havia aperfeiçoado o projeto e seu modelo de produção. Usando mais componentes do chassi do Fusca, a fabricação ficou mais barata e viável, e assim foi fundada a B.F. Meyers & Co., que produziu cerca de 6.000 unidades do Manx ao longo de seis anos. Neste meio tempo, o Manx ganhou notoriedade por ser um carro extremamente competitivo em corridas no deserto — em especial a Mexican 1000, corrida de longa duração na península de Baja California, no México.

Na primeira edição da corrida, o Meyes Manx conseguiu percorrer os 1.366 km do percurso que ligava Tijuana a La Paz em 27 horas e 38 minutos — mais rápido até do que as motos que participavam da competição, provavelmente graças ao consumo de combustível relativamente baixo, à leveza (pesava menos de 500 kg) e à suspensão elevada. O que se sabe é que o Manx conseguiu chamar a atenção de toda a imprensa especializada, aparecendo até mesmo em capas de revistas consagradas, como a Hot Rod.

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O nome Manx, que parece o de um clássico esportivo europeu, tem sua origem no gato Manx, uma raça sem cauda, com corpo curto e pernas grossas — uma aparência “truncada”, como a do buggy criado por Bruce. O logo da marca também traz um gato Manx, porém influenciado por brasões medievais — e, por isso, no emblema o gato brande uma espada.

Acontece que a vida do Manx original foi meteórica: não demorou para que empresas no mundo todo começassem a copiar o projeto na cara dura — para o extremo descontentamento de Bruce Meyers, que decidiu brigar na corte para garantir a propriedade sobre o projeto — e evitar que novas cópias surgissem a todo momento. Acontece que a justiça americana julgou o projeto como impatenteável — mesmo já havendo uma patente, que foi revertida, e o projeto se tornou de “domínio público”.

No vídeo abaixo, feito pelos caras do canal XCAR, o próprio Bruce Meyers conta esta história.

Ele diz que, por muito tempo, alimentou muito ressentimento por ter perdido os direitos sobre sua própria criação — a ponto de abandonar a companhia antes mesmo que, por problemas financeiros (talvez em decorrência das cópias), ela tivesse declarada a falência. Contudo, ele diz que também ouviu muita gente dizer que ele estava vendo o lado errado da história e dando atenção apenas às “pessoas ruins” que o copiaram.

Era a hora de começar a ver o lado bom — toda a diversão proporcionada às milhares de pessoas que compraram um Meyers Manx. Bruce Meyers diz que já foi procurado por algumas pessoas que contaram a ele o impacto positivo do buggy dele em suas vidas — casos pais e filhos que se reaproximaram por causa do carro são as histórias mais frequentes. E, talvez motivado por isto, Bruce decidiu voltar a fabricar o Manx em 1999 — algo que permanece até hoje, embora agora os buggies sejam produzidos sob encomenda.

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Seu legado, porém, é indiscutível: com preço acessível, vitórias em corridas no deserto e muito carisma, podemos dizer que o Meyers Manx é uma peça fundamental na cultura automotiva sem medo de exagerar.

 

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