Tem um Escort RS1600 de rali da equipe de fábrica à venda… alguém aí nos empresta R$ 500 mil?

Dalmo Hernandes 20 outubro, 2016 0
Tem um Escort RS1600 de rali da equipe de fábrica à venda… alguém aí nos empresta R$ 500 mil?

O Ford Escort europeu de primeira geração é um carro que nos deixa um pouco tristes: com motores pequenos, tração traseira e um belo visual, teria sido um rival e tanto para o Chevette na década de 1970 – e uma opção a mais para quem quer um carro movido pelas rodas certas a um preço acessível hoje em dia.

É uma pena que isto jamais tenha acontecido. Mas nada nos impede de, ainda assim, admirar o Escort Mk1 – especialmente seu histórico nos ralis. E foi por isto que ficamos boquiabertos quando vimos este exemplar, que foi usado pela equipe de fábrica da Ford nos ralis, à venda!

Obviamente estamos falando de um carro que definitivamente não cabe no nosso orçamento, mas qual seria a graça da vida se nós, entusiastas, só nos interessássemos por automóveis que estivessem dentro de nosso poder aquisitivo? Portanto, vamos dar uma olhada mais de perto nesta belezinha.

Se você acompanhou a nossa série sobre as Lendas do WRC, sabe que o Campeonato Mundial de Rali foi sancionado e realizado pela primeira vez em 1973, em uma temporada que foi vencida pelo Alpine A110. Antes, a principal categoria do rali europeu era o IMC, ou International Manufacturers Championship, uma disputa entre fabricantes que foi realizada entre 1970 e 1972. Na época, a primeira geração do Escort, que foi lançada em 1968, era um dos nomes de destaque ao lado do Datsun 240Z, do Lancia Fulvia e do próprio Alpine A110.

A Ford jamais chegou a vencer um título no IMC, que teve três campeões diferentes em três anos – Porsche, Alpine e Lancia, nesta ordem – mas o Escort de primeira geração fez bonito. A versão de competição, a RS1600, levou mais de 20 vitórias em ralis entre 1970 e 1970. E isto contando apenas o IMC. O Escort Mk1 ainda competiu no WRC até 1975, quando foi substituído pela segunda geração – que acabou se tornando uma lenda ainda maior.

Dentre os triunfos do Escort RS1600 no IMC está a vitória no Rallye Ypres, na Bélgica, em 1972. Esta foi a única vitória conquistada pelo exemplar em questão, registrado com a placa RWC 456K. A prova, disputada nos dias 24 e 25 de junho de 1972, contou com a participação de 125 carros, e apenas 63 deles chegaram ao final. As coisas eram brutas naquela época.

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O Escort RS1600 RWC 456K foi o vencedor com o piloto Gilbert Staepelaere e o navegador André Aerts, ambos belgas. Infelizmente, o Ypres Rally não é uma das provas mais conhecidas do rali (apesar de ser disputada até hoje), e por isto fica bem mais difícil encontrar relatos da época. No entanto, sabemos que o Escortinho ficou na frente de uma dupla de BMW 2002 que ocupou a segunda e a terceira posições.

Este exemplar em especial também foi conduzido por Timo Mäkinen e Hannu Mikkola, dois dos inúmeros grandes pilotos de rali finlandeses que ficaram famosos ao longo da história. Dá para ver imagens dele em ação no documentário Ford on Safari, que mostra cenas dos bastidores da competição em 1972:

É o carro vermelho e branco, com o nº 2 na lateral. Hoje em dia, depois de restaurado, ele tem as cores da Gulf, que também lhe caem bem – ainda que, neste caso, talvez fosse mais bacana se tivesse o esquema de pintura original.

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De qualquer forma, ele está à venda. Os caras da loja britânica Cheshire Classic Cars dizem que a restauração foi feita com o máximo de cuidado, atentando-se ao regulamento da FIA, o que significa que ele está apto a participar de eventos para carros de competição históricos. O motor é um Cosworth BDA de dois litros com comando duplo no cabeçote montado pela Sherwood Engines, preparadora britânica especializada nos motores Cossie.

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Capaz de entregar 250 cv, o motor é conectado a uma caixa manual ZF de cinco marchas, que leva a força para as rodas traseiras através de um diferencial com bloqueio mecânico, também da ZF.

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O interior aliviado recebeu novos bancos, volante e cintos ao lado de componentes de aspecto original, como o painel de instrumentos, os revestimentos de porta e o console central. Dá vontade de pular para dentro e sair acelerando, de tão bonito que é.

Os caras pedem por ele a bagatela de £ 149.995, também conhecidos como £ 150 mil – o que dá, na nossa moeda, mais de R$ 580 mil.

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Já aceitamos: o Escort de primeira geração nunca foi vendido no Brasil e, se um dia formos importar um, definitivamente não vai ser este. Mas a gente vai continuar sonhando.