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Project Cars Project Cars #36

Tempra com motor V6 de Alfa Romeo 164? Conheça a história do Project Cars #36

Bem amigos do FlatOut, meu nome é Diógenes Moreira, mas sou conhecido aqui no site e em alguns fóruns “DiDi.gt”. Tenho 29 anos e, como quase todos aqui, sou tarado por carros. Vamos ao que interessa.

A minha história de amor com este Tempra começou há quase duas décadas, quando tinha apenas 11 anos. Eu estava assistindo televisão e, entre um desenho e uma sessão da tarde (naquela época meninos de 11 anos assistiam desenhos e brincavam, hoje estão fazendo bebês!), passou a propaganda do Tempra 1995, aquele com a Marília Gabriela. Logo que o vi fiquei fascinado – seu desenho, seus equipamentos, tudo bem distante dos carros que tínhamos em casa. Nesta época vivíamos um período de exclusividade de GMs na família: foram vários Monza ao longo do anos e, naquele momento em específico, havia na garagem uma D-20 e um Corsa Wind. Ou seja, a possibilidade de entrar um Fiat em casa era quase nula e nada que eu falasse iria alterar alguma coisa, porque eu era apenas um moleque de 11 anos.

Até que os deuses automotivos agiram e por algum motivo o meu pai pegou uma carona com um amigo que tinha um Tempra 1994. Foi amor à primeira vista. Em 1996 finalmente o Temprinha chegou em casa, modelo já com o facelift, motor 2.0 16v com ar digital, bancos elétricos e mais uma cacetada de opcionais. Me lembro do preço até hoje: R$ 28.670 – como curiosidade, o carro mais barato do mercado era o Uno, que custava em torno de oito mil reais.

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A partir daí começou o meu amor incondicional pela Fiat e principalmente pelo Tempra. Ao longo destes anos a minha casa deixou de ser GM para virar Fiat, e desde então entraram vários Palio, um Stilo e por último um Linea, que meus pais só chamavam de Tempra (risos)…

 

De carro de família para o Project Cars

Vamos ao início do Project Cars #36: Fiat Tempra com swap para o V6 3.0 24V da Alfa Romeo. O Tempra foi o carro em que eu aprendi a dirigir, cujo convívio acabou aumentando a minha paixão pelo modelo. Talvez por isso, dois anos depois de ter tirado a carta meu pai acabou me presenteando com ele. Apesar de já ser um carro “velho”, não me dava problemas de manutenção – por tudo isso eu ainda relutava em comprar um carro zero km.

Em 2008, minha mãe comprou um Palio Fire. Como no meu serviço eu tinha de dirigir cerca de 100 km por dia, eu acabava usando mais o Palio do que o Tempra. Foi aí que começou o possível fim do sedã. Apesar de gostar muito do Tempra, a minha vida naquele momento exigia um carro mais econômico e a garagem já não comportava tantos carros. Em 2009 infelizmente tive a ideia de vender o meu amado carrinho. Na época a tabela estava em R$ 9 mil e eu pedia dez mil – o que já achava um absurdo.

O carro ficou anunciado por sete meses e nesse tempo eu recebi todo o tipo de proposta indecente. Até que um dia eu recebi um possível comprador que me ofereceu sete mil. Recusei a proposta e o comprador simplesmente disse que, se eu não abaixasse o preço, eu iria morrer com o carro. Foi aí que me deu um estalo: realmente eu morreria com ele. As lembranças e alegrias que ele me deu valiam muito mais que os dez mil que eu estava pedindo. No mesmo dia dei baixa nos anúncios e arranquei os adesivos de venda. Foi um dos melhores da minha vida, tinha tirado um peso das costas e a dor que eu estava sentido no coração sumiu. A grande verdade é que eu nunca quis vendê-lo !

No dia seguinte fui pensar no que fazer com o Fiat. Acabei decidindo por desmontá-lo e restaurá-lo por completo (carroceria, detalhes, mecânica, tapeçaria), deixando-o todo original, apenas acrescentando os opcionais de fábrica que aquela unidade não tinha, como bancos de couro e freios ABS. Tudo para, um dia, receber a placa preta. Lá em casa ninguém entendeu muito bem o meu objetivo, mas ninguém foi contra.

Até aí tudo bem. No papel tudo é bonito e fácil, mas na realidade o bicho pega. Chamei um primo (gearhead como eu, entendeu o objetivo em cinco minutos!) para começar a desmanchar o carro. Nós só tínhamos os domingos disponíveis. Precisei comprar muitas ferramentas, o que ocasionalmente interrompia o progresso das coisas, principalmente nas primeiras semanas. Pela falta de algumas ferramentas específicas, tivemos de improvisar em algumas situações, como na retirada do motor (que teve de ser feita por baixo, e não por cima, como seria o normal). Foi um dia extremamente cansativo.

Mas tudo foi relativamente rápido: depois de cinco domingos consecutivos, o carro ficou totalmente pelado, apenas na lata.

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Só que durante o processo de desmonte do carro comecei a ter novas idéias. Apenas fazer uma reforma geral já não estava fazendo meus olhos brilharem tanto: eu queria mais, algo que fosse diferente de todos os outros. Nesta época o meu primo que me ajudou no desmonte tinha acabado de adquirir um Marea 2.4, cujo ronco era fenomenal – ainda mais com o escape mais livre que ele instalou.

Foi o suficiente para a merda estar feita. Eu queria porque queria o motor do Marea no cofre do Tempra – e não qualquer Marea, tinha de ser o motor do Turbo!

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Com esta ideia de louco comecei a procurar na internet algo sobre Tempra com o Fivetech. Acabei achando alguns vídeos de um modelo na Turquia, o que me motivou de vez: comecei a procurar pelo motor e caixa de transmissão de Tempra Turbo. Mas quando achei, quase caí para trás – o valor pedido ficava na faixa dos R$ 9 mil, ou seja, o valor do próprio Tempra. Tive de pensar em outras formas de conseguir o motor. Comecei a procurar os Marea Turbo mais baratos à venda, pois proporcionalmente seria melhor negócio… na teoria. Até encontrei alguns modelos por R$ 12 mil, mas imaginem o estado em que eles estavam. Quando estava quase desistindo, meu primo me contou sobre os leilões do Detran, algo que, de tanto estudar, acabei virando um craque.

Passei a conferir sempre o site do Detran em busca do Marea Turbo. O desmonte do Tempra já estava todo feito, ou seja, ele estava esperando o que raios eu iria fazer. Fiquei dois meses olhando os leilões, mas nada – nem mesmo os 1.8.

Foi aí que encontrei uma maravilha italiana na lista do leilão. Uma Alfa Romeo 164 3.0 24V Super 1995 que estava sendo vendida como sucata. Meus olhos brilharam, mesmo sem fotos. Ainda faltavam cinco dias para o veículo estar liberado para visitas, período bastante angustiante, pois não fazia a menor ideia do estado em que a Alfa se encontrava. Só consegui visitá-lo no sábado, depois de sair correndo do trabalho e buscar meu primo parceiro de loucuras voando. O pátio do Detran era longe pra c******, cheguei lá ao 12:40 – vinte minutos antes do fim do período.

Entrei correndo para procurar o carro: eram 600 lotes, então imagine o desespero. A Alfa estava num cantinho, atrás de uma Kombi. Para a nossa surpresa ela estava muito inteira, apenas com uma batida na traseira, que era a parte que menos nos interessava. Decidi que ela tinha de ser minha!

O leilão iria ocorrer numa quinta-feira, então eu precisaria faltar no serviço – mas era por uma boa causa. Depois de algumas noites mal dormidas, o dia chegou. Fui com o meu pai até o pátio do Detran onde seria realizado o leilão número 113. Fiquei apreensivo, suando frio e com uma vontade desgraçada de tirar água do joelho, até que chegou a minha hora. Eu já estava branco, quase transparente, quando o leiloeiro deu início ao pregão. O valor inicial era de R$ 800. Deram alguns lances até R$ 1.200, quando dei mais R$ 100. Meu lance iria ser o vencedor.

O leiloeiro começou a contagem. “Dou-lhe uma, dou-lhe duas…” e eu já comemorando “tô na fita, a Alfa é minha!”. Foi quando os lances voltaram numa velocidade incrível, passando de R$ 2 mil. Aí eu pensei “fu……”

continuação no próximo capitulo…..

 

Por Diógenes Moreira, Project Cars #36

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