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Tente não sonhar com este Lancia Delta S4 Stradale 1985 com menos de 800 km rodados

Três palavras que arrepiam os pelos da nuca de qualquer entusiasta: especial de homologação. Pudera: como não curtir a ideia de uma série de rua especial, feita só para tornar um carro de corrida habilitado para competir? E, dentre estes, poucos são tão fodásticos quanto o Lancia Delta S4 Stradale, feito para homologar a versão de rali do Grupo B. Quando novo, ele era exatamente como na foto acima – exceto que este carro, fabricado em 1985, rodou menos de 800 km até hoje.

Se você nos acompanha, já está cansado de saber que o Grupo B foi uma das categorias mais insanas de todos os tempos: quase sem restrições técnicas, as equipes criavam protótipos verdadeiramente assassinos, com motores sobrealimentados de quase 800 cv, tração integral e visual inesquecível. E eles eram conduzidos por alguns dos melhores pilotos do planeta, o que garantia o espetáculo. E os espectadores viam tudo bem de perto – perto demais, até.

O Lancia Delta S4 foi, em parte, responsável pela extinção do Grupo B de rali, envolvendo-se em um dos dois acidentes gravíssimos que aconteceram na temporada de 1986: durante o rali Tour de Course, a quinta etapa do campeonato, disputado na França, o piloto finlandês Henri Toivonen e seu navegador, o americano Sergio Cresto, saíram do percurso e o carro, virado de cabeça para baixo, pegou fogo.

Com isto, o Grupo B foi extinto, por ser considerado perigoso demais. Entusiastas lamentam as mortes, mas também o fato de que a categoria estava em seu auge técnico. E o Delta S4 era uma prova disso: seu motor de 1,8 litro tinha comando duplo no cabeçote, turbo e compressor mecânico, injeção eletrônicas e dois intercoolers, sendo capaz de entregar pelo menos 500 cv (em acerto de classificação, chegava perto dos 800 cv).

O Delta S4 usava boa parte da estrutura de seu antecessor, o lendário Lancia 037, e aproveitava seus componentes de suspensão. No entanto, a carroceria escolhida era inspirada no Delta hatchback, talvez em uma tentativa de fazer o público associar o carro de competição àquele que tinham em suas garagens. E o sistema de tração integral, desenvolvido em parceria com a britânica Hewland, trazia um diferencial central que distribuía o torque de forma variável, com algo entre 60% e 75% para o eixo traseiro dependendo da situação. O câmbio era manual de cinco marchas, fornecido pela ZF.

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O mais bacana, como já dissemos, é que a Lancia era obrigada a fabricar pelo menos 200 unidades de uma versão de rua, ou o Delta S4 não poderia competir. E foi exatamente o que a companhia fez entre 1985 e 1986. Ou seja: trata-se de um carro bastante raro e extremamente desejado. E não apenas por meros mortais, mas também colecionadores milionários.

O carro prata (embora pareça branco-pérola) que você vê nas fotos é muito especial: trata-se de um Delta S4 1985, e um dos três com carroceria pintada de Argento Metallizzato (“prata metálico”) e interior revestido em Alcantara vermelho. “È una bella macchina!”, diriam em sua terra natal.

Olha só isto:

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Um belo suede, por sinal

O motor do Lancia Delta S4 Stradale tem potência reduzida para 250 cv mas, com um tempo de 0-100 km/h de apenas seis segundos e máxima de 225 km/h, não dá para reclamar, dá? A potência máxima vinha às 6.750 rpm, enquanto os 29,6 mkgf de torque apareciam às 4.500 rpm. Tudo isto com câmbio manual de cinco marchas, entre-eixos curto e nenhum tipo de assistência.

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Por outro lado, o interior era relativamente luxuoso, considerando a natureza do carro: além do revestimento de camurça sintética, tinha volante revestido em no mesmo material, isolamento acústico caprichado, ar-condicionado, computador de bordo e direção hidráulica!

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Este carro tem tudo para ser a melhor forma de saber como era isto tudo quando novo. Anunciado pela loja californiana Solo Italians, este exemplar 1985 tem apenas 783 km rodados e, na boa, fica até difícil comentar. O fato de haver poucas fotos no anúncio do eBay é a única coisa lamentável. O preço, por outro lado, é compreensível: os caras pedem US$ 550 mil pelo carro. Isto dá R$ 1,76 milhão e, honestamente, nem vamos questionar.

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