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Mercado e Indústria

Tesla, Bollinger e Rivian: comparando as picapes elétricas que vêm por aí

Depois de muita antecipação, Elon Musk finalmente revelou a picape Tesla Cybertruck na última sexta-feira (22). E, desde então, ela é o assunto mais comentado do meio automobilístico – por uma série de razões.

A maior delas, sem dúvida, é seu visual. Depois de alguns teasers e inúmeras especulações, ficamos inevitavelmente chocados com a estética retro-futurista da Cybertruck, que de acordo com a Tesla foi inspirada pelos carros do primeiro Blade Runner, de 1982, e pelo Lotus Esprit de James Bond em “007: O Espião que me Amava” (The Spy Who Loved Me, 1977). Na verdade, o desenho é tão polêmico que é fácil esquecer que o exemplar apresentado na sexta-feira é um protótipo. Ou seja: algumas coisas podem mudar até o início da produção, marcado para 2021.

O que certamente não vai mudar, porém, é o fato de que a Cybertruck é só uma das picapes elétricas que começarão a ser vendidas em um futuro próximo. Ao menos três outros modelos de caminhonetes movidas a bateria estão a caminho, além da Tesla Cybertruck: a Bollinger B1, a Ford F-150 e a Rivian R1T. O mais interessante: todas elas trarão abordagens distintas para o conceito de picape elétrica. Assim, esta é uma boa hora para dar uma olhada nelas e comparar suas semelhanças e diferenças.

 

Tesla Cybertruck

O centro das atenções é da Tesla, e não poderia ser diferente: muita gente ainda está digerindo seu design controverso – que, como não poderia deixar de ser, já deu origem a centenas de memes na Internet, comparando a Cybertruck com gráficos poligonais do PlayStation e do Nintendo 64; com conceitos bizarros da década de 1970; e, bem, com qualquer outra coisa cheia de ângulos e superfícies planas, como barracas de acampamento, as pirâmides do Egito Antigo ou uma cafeteira italiana.

É fácil tecer uma opinião a respeito da Tesla Cybertruck, mas é mais difícil explicar exatamente o que Elon Musk pretende com ela. Segundo ele, a profusão de chapas planas e ângulos marcados ajuda a reduzir o custo de produção, o que até faz sentido considerando puramente o design da picape. Entretanto, alguns artigos em sites estrangeiros, como o Jalopnik, apontam o fato de que, sem um chassi de longarinas para sustentar a carroceria, a rigidez estrutural fica comprometida. A Cybertruck tem construção monobloco e, com isto, foi preciso adotar chapas de aço de espessura até três vezes maior do que se costuma utilizar na indústria, o que obviamente implica em um peso muito mais alto.

Especificações técnicas mais profundas ainda não foram reveladas, e isto só deverá acontecer daqui a vários meses. Entretanto, a Tesla já deu alguns números.

A Cybertruck será oferecida em três versões. A básica, de tração traseira, tem apenas um motor, autonomia de 400 km com uma carga, capacidade para rebocar até 3.400 kg e é capaz de ir de zero a 100 km/h em 6,5 segundos – e custará a partir de US$ 39.900 nos EUA (cerca de R$ 170.000 em conversão direta). A versão intermediária, com dois motores e tração integral, pode puxar até 4.500 kg, chega aos 100 km/h em 4,5 segundos, tem autonomia de 480 km e custará US$ 49.000 (R$ 205.000).

De acordo com Elon Musk, desde sexta-feira já foram feitas mais de 146.000 encomendas da Tesla Cybertruck – cada uma delas mediante um depósito reembolsável de US$ 100 (R$ 421 em conversão direta).

 

Bollinger B2

Colocando aqui uma pincelada pessoal: a Bollinger B2 me parece a Cybertruck feita do jeito certo. Assim como a picape elétrica da Tesla, ela aposta em um design minimalista desprovido de curvas. Mas ela trará carroceria e chassi separados, ambos de alumínio, e tem um visual muito mais tradicional e utilitário, lembrando um pouco o Land Rover Defender das antigas.

Agora, apesar de seu caráter espartano, a Bollinger B2 não custará barato: segundo a empresa, uma start-up sediada no estado do Michigan, ela parte de US$ 125.000 (cerca de R$ 528.000) – o que não as encomendas de mais de 500 unidades até agora.

Por esta grana, os compradores colocarão na garagem uma picape movida por dois motores elétricos, um para cada eixo, alimentados por um conjunto de baterias de 120 kWh. Dados de autonomia não foram revelados, mas a Bolliner afirma que a B2 tem 622 cv e 92,3 kgfm de torque, sendo capaz de chegar aos 100 km/h em 4,5 segundos e atingir a velocidade máxima de 162 km/h. O que não é mau para um veículo que pesa ao menos 2.200 kg.

Apesar do preço e da alta tecnologia do powertrain, a Bollinger B2 é uma picape bastante rústica em seus demais aspectos. Por exemplo, por ter peso bruto total de mais de 4.500 kg, ela sequer precisa ter airbags instalados para ser vendida nos EUA. O interior, aliás, é básico ao extremo, com pouca coisa além de volante, bancos e pedais.

Mas a Bollinger B2 tem alguns truques na manga, como a suspensão hidropneumática capaz de elevar o vão livre do solo para até 40 cm, e a possibilidade de levar objetos de até 4,6 metros de comprimento graças a um túnel livre que liga as duas extremidades do veículo, com direito a uma tampa na dianteira que funciona da mesma forma que a traseira.

A Bollinger não fornece uma data exata para o início da produção, mas afirma ser possível que a B2 comece a sair da fábrica ainda em 2020.

 

Rivian R1T

Se no Brasil as picapes elétricas ainda parecem uma realidade distante, lá fora – principalmente nos EUA – elas vêm fazendo bastante barulho. Por esta razão, a Rivian R1T pode ser um nome desconhecido por aqui, mas chamou bastante a atenção dos norte-americanos.

Dentre as futuras picapes elétricas, ela é a que tem o visual mais “normal” – três volumes bem definidos; formas robustas, porém modernas; quatro portas; enfim, ela tem cara de picape. Embora não pareça, ela traz o conceito de carroceria sobre chassi – esse, do tipo skateboard, com os motores elétricos embutidos nos eixos, baterias, suspensão, freios e rodas em uma única estrutura.

A Rivian R1T terá motores elétricos nos dois eixos, capacidade para rebocar pelo menos 5.000 kg, suspensão a ar ajustável e automação de nível 3 – o que significa que ela será capaz de rodar sem a intervenção do motorista por períodos limitados, em baixa velocidade, como em um estacionamento, por exemplo.

A Rivian R1T terá três níveis de acabamento. A versão de entrada, com 407 cv e 57,1 kgfm de torque, irá de zero a 100 km/h em 4,9 segundos. Com bateria de 105 kWh, ela será capaz de rodar cerca de 370 km com uma carga. A versão intermediária terá 764 cv e 114 kgfm de torque, suficientes para ir de zero a 100 km/h na casa dos três segundos, e sua bateria de 135 kWh será suficiente para autonomia de 480 km.

Já a versão de topo terá 710 cv e 114 kgfm de torque. Embora menos potente que a versão intermediária, a R1T mais cara terá uma autonomia bem maior, de 640 km com uma carga, graças a uma bateria de 180 kWh.

Em design e acabamento, a Rivian R1T segue uma linha mais tradicional e refinada, como já dissemos. Mas nem por isso deixa de ser diferente, com farois e lanternas compostos por barras horizontais de LED, sendo que a barra dianteira fará as vezes de medidor de bateria, iluminando-se em verde quando a carga estiver completa. Além disso, ela traz alguns detalhes bem interessantes, como um porta-malas na dianteira e um compartimento de carga adicional entre a cabine e a caçamba. Já o interior segue a cartilha dos últimos lançamentos elétricos, com duas telas digitais de alta definição –  uma para o quadro de instrumentos e outra para a central multimídia – e acabamento premium.

A Rivian cobra um depósito de US$ 1.000 pela reservas, e a versão básica parte de US$ 69.000 (cerca de R$ 290.000 em conversão direta).

 

As grandes fabricantes

Fora as companhias independentes, as gigantes Ford e General Motors também estão trabalhando em picapes elétricas.

A Ford confirmou o plano de lançar uma F-150 elétrica durante a última edição do Salão de Detroit, no início de 2019. Seu lançamento é dado como certo na próxima geração do modelo, prevista para algum momento entre 2021 e 2023. Suas especificações técnicas ainda são um mistério, visto que a F-150 elétrica ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

Já a confirmação da GM veio mais pela CEO da empresa, Mary Barra, durante uma coletiva com investidores em Nova York na semana passada. Barra afirmou que entende as necessidades do segmento, especialmente dos novos compradores de picapes, e disse estar “muito empolgada” com a picape, cujo lançamento é previsto para o fim de 2021. Entretanto, há precisamente zero detalhe a seu respeito – apenas especulações sobre a base escolhida. Acredita-se que a Silverado, modelo full-size da Chevrolet, venha a servir como base. Entretanto, não descartaríamos uma Colorado (a equivalente americana da nossa S10) elétrica, que poderia ser vendida a um valor mais acessível.

 

 

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