The Best of Project Cars: veja como está hoje a Dodge Ram 1500 V8 R/T do PC #167

Leonardo Contesini 20 março, 2017 0
The Best of Project Cars: veja como está hoje a Dodge Ram 1500 V8 R/T do PC #167

Olá, FlatOuters! Nesta segunda faixa do Project Cars Greatest Hits, vamos relembrar mais um dos projetos concluídos ao longo destes três anos de Project Cars no FlatOut. Desta vez, veremos a história da Dodge Ram 1500 V8 1995, do leitor e engenheiro mecânico Alex Veigantt.

 

O início

Como Alex nos contou, a história da Ram começou devido à paixão de seu pai por picapes grandes — ele chegou a ter uma Chevrolet C10 no passado, mas a picape foi vendida quando Alex ainda era jovem. Depois de décadas sem uma picape na garagem, em 2001 Alex e o pai toparam com uma Dodge Ram 1995, equipada com o robusto motor V8 Magnum de 5,2 litros. Era verde escura com para-choques, retrovisores e rodas cromadas. Foi uma paixão à primeira vista, que logo se tornou o carro de lazer nos finais de semana.

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Depois de algum tempo os dois refizeram a pintura da carroceira na cor verde original, porém o resultado ficou aquém do esperado. Certo dia uma chuva de granizo acabou danificando a carroceria da picape e ambos acabaram um pouco desanimados com o carro. Quando decidiram restaurá-lo, Alex incentivou o projeto com uma cor diferente e algumas modificações. Assim nasceu o Project Cars #167.

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A transformação da Ram 1500

Alex e seu pai começaram a desmontar o carro, porém diante de um orçamento apertado, o projeto foi temporariamente suspento. Alex foi morar na China e o carro acabou um ano e meio parado até 2011. Com a volta de Alex, o projeto foi retomado, e desta vez tocado até a conclusão.

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Pai e filho desmontaram sozinhos toda a carroceria e suspensão, deixando o chassi sem nada parafusado. Foi feita a decapagem do chassis e suspensão com ácido e a repintura dos componentes em preto fosco original. A suspensão foi remontada com buchas de poliuretano da Prothane.

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Após a montagem do chassi e suspensão, a carroceira foi remontada e levada para um galpão onde seria feita a preparação final para a pintura — tudo com um um funileiro dedicado exclusivamente ao projeto. Todo o material usado foi PPG da linha ACS com acompanhamento do consultor da própria PPG. Depois dos detalhes de funilaria e da instalação do para-choque estilo shaved com duas saídas de escape era hora da pintura.

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A cor escolhida inicialmente era uma cor da Lamborghini Gallardo, um laranja perolizado de três camadas, tão bonito quanto difícil de reproduzir. Após testes e uma camada com qualidade abaixo da esperada, Alex decidiu mudar a cor para um laranja metálico mais simples de se aplicar em um carro do porte da Ram 1500. Para adotar o amarelo do Gallardo, seria preciso fazer um fundo prata, uma base laranja e uma camada perolizada. Esta última camada foi o problema: qualquer variação na pressão no ar, no leque da pistola, na velocidade de aplicação pode deixar a pintura manchada — e foi o que aconteceu com a enorme carroceria da Ram.

 

A ressurreição do V8 Magnum

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Enquanto funilaria e pintura eram feitos, Alex começou a trabalhar no motor. A vontade era importar o V10 do Viper, porém o custo seriai elevado demais e, no fim, a picape recebeu um pequeno upgrade no V8 5.2 original. O motor foi refeito do zero com componentes importados dos EUA, incluindo um jogo de pistões grafitados e bomba de óleo Federal Mogul, bronzinas Clevitte, coxins do motor, filtro de ar K&N, radiador, vasos de expansão, reservatório de água do limpador de parabrisa, reservatório de fluido de freio e jogo de juntas completo. Ah, eles também compraram um kit de óxido nitroso de 75 cv para dar um gás (trocadilho não intencional) no desempenho do V8.

O escape também foi modificado, e passou a ser um sistema de aço inoxidável de 2,5 polegadas com saída dupla e abafador de baixa restrição para combinar o ronco do V8 ao conforto de rodagem. Dá para pegar a estrada sem imprimir o ronco do V8 permanentemente nos seus tímpanos.

O visual do V8 também recebeu os devidos cuidados: o bloco foi pintado de laranja como os Hemi originais, as tampas dos cabeçotes foram cromadas, assim como o cárter, a ventoinha, as polias e o coletor de escape. Também foram fabricados defletores de inox para ocultar chicotes elétricos e outras mangueiras. E por falar nelas, as mangueiras de borracha por mangueiras de malha de aço. Por último, a bateria e a caixa de fusíveis ganharam caixas de inox.

O cofre do motor foi pintado de Preto Cadillac para contrastar com a pintura externa e com os cromos do motor. O cuidado com o visual chegou a extremos como a relocação do chicote e demais cabos elétricos para que ficassem ocultos, além do desenvolvimento de peças sob medida para esconder elementos que poluíam visualmente o cofre.

 

A cabine

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Antes da montagem do interior, Alex e seu pai revestiram a cabine com uma manta termoasfáltica, visando melhorar o isolamento acústico do carro. Foram revestidos o piso, o interior das portas e o painel traseiro, e tudo foi finalizado com um carpete preto importado, específico para esse modelo da Ram.

Depois foi a hora de modernizar o interior cinza tipicamente americano dos anos 1990. Para isso Alex decidiu usar couro preto nos bancos, portas e painel. Os bancos receberam couro preto com costuras laranja e o logotipo da Ram no encosto, assim como as portas. Também foi instalado um console central de madeira para acomodar os porta-copos e sistemas elétricos e de áudio. O painel teve que ser pintado de cinza escuro na parte superior devido à complexidade de revestimento com couro. O painel das portas também recebeu a mesma pintura.

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O arremate da cabine foi o sistema de áudio Pioneer com tela retrátil e DVD, um módulo amplificador para os canais estéreo, alto-falantes JBL 6×9″ nas portas dianteiras, um kit duas vias de 4 polegadas, também JBL, na coluna traseira — respeitando as medidas originais do veículo.

 

Os detalhes finais

Com a pintura, interior e motor prontos, chegava a hora de finalizar o projeto. Para isso, o conjunto óptico foi atualizado por modelos aftermarket para obter um visual mais moderno. O conjunto inclui faróis com a seta integrada, com lente lisa de policarbonato e com farol baixo com projetor, lanternas traseiras com LEDs de alto brilho, brake light transparente todo em LED.

Sem a menor intenção de transportar carga na caçamba, Alex e o pai decidiram transformá-la em um porta-malas. Eles projetaram uma tampa de alumínio com dobradiças feitas de billet de alumínio e sustentada por amortecedores. Para impedir a entrada de água, o sistema inclui uma calha ao redor da caçamba. O assoalho usou madeira e metal, como as antigas picapes comerciais.

Por último, mas não menos importante, a Ram 1500 ganhou as rodas Ram SRT10, semelhantes às do Viper do início dos anos 2000 e idênticas às utilizadas na Ram SRT10 original. Elas têm 22 polegadas de diâmetro e calçam pneus 285/45.

 

Depois do Project Cars

Como bem disse Alex no encerramento de seu projeto, um Project Car nunca está pronto. Na ocasião ainda faltavam as faixas laterais ao estilo R/T. O motivo da demora para fazê-la é que Alex e seu pai queriam que ela fosse pintada, e não meramente adesivada. Assim depois de quase um ano da conclusão Alex nos mandou imagens atualizadas de sua picape. São estas abaixo:

Sensacional, Alex. Parabéns mais uma vez!

 

Não deixe de reler os posts na íntegra:

Parte 1: A história da Dodge Ram 1500 V8

Parte 2: Revitalizando o V8 e preparando um interior novo

Parte final: A conclusão do restomod Mopar