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“The Exorcist”: é assim que anda (e ronca) o Chevrolet Camaro de 1.000 cv da Hennessey

Há diversos argumentos a favor do Dodge Challenger SRT Demon para considerá-lo “O” muscle car para se ter hoje em dia. Estamos falando de 850 cv originais de fábrica em um carro capaz de cumprir o quarto de milha na casa dos nove segundos sem qualquer modificação aftermarket, e isto é incrível por si só. Agora, se um muscle car preparado também é opção, as coisas ficam ainda mais interessantes. Que tal, por exemplo, um Camaro de 1.000 cv preparado pela Hennessey?

Você já deve saber de que estamos falando do The Exorcist. Não o filme, obviamente, mas sim o Camaro ZL1 1LE que a oficina texana lançou neste ano para “exorcizar” o Dodge Demon. Como? Com um novo supercharger e diversas outras modificações para aumentar a potência de 658 cv para nada menos que 1.000 cv!

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Apenas 100 exemplares serão feitos. Para encomendar um deles, o caminho mais fácil é já ter um Camaro ZL1 1LE: a Hennessey vai pegar seu carro, instalar todas as modificações necessárias, fazer todos os testes e te entregar um Exorcist perfeito. Se não tiver um Camaro ZL1 1LE, você pode chamar a Hennessey do mesmo jeito – eles têm parcerias com diferentes concessionárias Chevrolet espalhadas pelos Estados Unidos e vão cuidar da compra, do transporte e de tudo o que for relacionado à logística.

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O carro vai da loja direto para Sealy, no Texas, onde fica a oficina da Hennessey, e só sairá de lá quando tiver sido transformado em um Exorcist zero-quilômetro. Em ambos os casos, o carro tem garantia de dois anos ou 24.000 milhas (cerca de 38.000 km). E, de um jeito ou de outro, a instalação do kit leva de seis a oito semanas.

John Hennessey explica o processo de encomenda do Camaro ZL1 “The Exorcist”, e também comenta suas impressões ao volante. Segundo ele, o carro é surpreendentemente dócil em baixas rotações, e só a partir das 4.000 rpm se transforma em um monstro devorador de asfalto

Tudo começa, claro, com o V8 supercharged de 6,2 litros do Camaro ZL1. Um novo compressor é instalado – um capaz de trabalhar a 1 bar de pressão  – e acompanhado de um novo intercooler e um novo comando de válvulas com perfil mais agressivo. As válvulas em si, além das molas, retentores, tuchos e varetas também são substituídos. O mesmo vale para todas as juntas, filtros e fluidos. O cabeçote tem o fluxo retrabalhado, e o sistema de escape recebe coletores e tubulação de aço inox. Por fim, o motor é reprogramado para trabalhar com seus novos componentes da melhor forma possível.

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O carro é testado em dinamômetro, nas ruas e na pista particular da Hennessey e, ao ser aprovado, recebe uma plaqueta numerada no painel e no motor. Os emblemas e faixas laterais são opcionais. Eles são legais, mas a ideia de conseguir transformar o Camaro ZL1 – um carro que, de fábrica, é capaz de ir de zero a 100 km/h em 3,6 segundos) – em um “sleeper” é muito boa para não ser considerada.

Uma coisa é certa: o resultado são mais de 1.000 cv no motor. Nas rodas, o número também impressiona: 959 cv, depois de todas as perdas mecânicas. E, só para constar, 104,5 mkgf de torque.

Agora, a Hennessey não parece muito preocupada em divulgar as modificações feitas nos freios e na suspensão, apostando nos números brutos para atrair clientes. O Dodge Demon, além dos seus 850 cv, traz suspensão adaptativa, transbrake, peso aliviado ao máximo (a ponto de dispensar o banco traseiro) e pneus fininhos para as rodas dianteiras para humilhar na arrancada.

 

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O Hennessey “The Exorcist”, segundo seu criador, é capaz de acelerar até os 100 km/h em “menos de três segundos” e de cumprir o quarto-de-minha em “menos de dez segundos”, mas certamente precisa de alguns ajustes preliminares antes de atacar a dragstrip. A Hennessey não dá toda a receita do bolo, mas John Henessey já disse que, para superar o Demon com o “The Exorcist”, é melhor escolher uma época mais fria do ano e optar pelo câmbio automático de dez marchas (aquele Ford-GM), que aproveita melhor o torque do motor e faz trocas mais rápido do que qualquer ser humano comandando três pedais. Mesmo sem dupla embreagem.

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E como é que esse bicho anda? O vídeo abaixo, que mostra a entrega de um dos primeiros exemplares do The Exorcist a seu novo dono, ajuda a responder a esta pergunta. Não é uma puxada cronometrada, nem uma corrida de arrancada: apenas um piloto de testes demonstrando a um cliente onde foi que ele se meteu.

Um detalhe interessante que se pode ver no vídeo são as aletas no volante, mesmo que o carro tenha câmbio manual. Elas não servem para trocar marchas, naturalmente, mas sim para controlar o sistema de rev matching (uma espécie de punta-taco eletrônico, que segura as rotações do motor nas reduções) e também ativar o controle de tração.

O valor da transformação parte de US$ 55.000 (R$ 180.000 em conversão direta, só a título de curiosidade) para o Camaro ZL1 com câmbio manual de seis marchas. Para a versão com câmbio automático de dez marchas, são mais US$ 9.950 (R$ 32.500) para reforçar os componentes da transmissão. E você anda pode escolher entre dois kits opcionais. O drag pack, que custa US$ 8.995 (R$ 29.500), inclui rodas de 20 polegadas, pneus drag radial Nitto de medidas 315/30, um cardã reforçado e um macaco para trocar tudo na hora – é a “Hellcrate” do Camaro Exorcist, se preferir). Já o road race pack, que também vem com rodas de 20 polegadas exclusivas e pneus Michelin Pilot Sport Cup 2, é o kit para pegas de semáforo. Não que alguém aqui fosse fazer esse tipo de coisa com um, não é, pessoal?

De todo modo, o que a gente quer ver é um pega entre o Demon e o Exorcist. Como é que ninguém deu um jeito de fazer isto ainda?

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