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The Fleetliner: um hot rod com um seis-em-linha de 400 cv que é uma verdadeira obra de arte

Uma coisa que você precisa ter bem clara em sua mente quando for apreciar um hot rod é que eles não se apegam à noção de cada “cada coisa em seu lugar”: se você acha que todo projeto precisa seguir uma fórmula pré-estabelecida e respeitar a origem de cada componente (leia-se: não colocar um V8 Ford “Flathead” em um chassi Chevrolet), hot rods não são para você.

O barato de um hot rod é a liberdade que o criador de cada carro se dá na hora de escolher o visual e a mecânica. Claro, a maioria dos hot rods tem rodas expostas, teto rebaixado e dianteira longa, muitas vezes sem capô — mas este é só o template básico. Todo o resto, na maioria das vezes, depende da imaginação de quem coloca a mão na massa. E poucos hot rods representam isto tão bem quanto o Fleetliner.

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Assim como os hot rods Volvo, da Caresto (que você pode conhecer aqui), o Fleetliner foge do lugar comum que é um V8 carburado em um chassi dos anos 30. O  carro que lhe serviu de base é um Chevrolet Aerosedan 1947, e o motor é um seis-em-linha de cinco litros (ou 308 pol³) e cerca de 400 cv preparado pela Roush, conhecida por apimentar o Ford Mustang já há alguns anos.

Antes de chegar ao motor, porém, vamos dar uma olhada no resto do carro, porque há muito para ver.

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O Aerosedan era uma das versões do clássico Chevrolet Fleetline, modelo vendido entre 1946 e 1948 que usava o famoso seis-em-linha “Blue Flame” de 3,5 litros e 90 cv — exatamente o mesmo motor que transformou a primeira geração do Corvette em um fracasso nos primeiros meses (problema resolvido com a adoção de um motor V8, claro).

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Suas linhas são típicas do final da década de 40, com carroceria de dois volumes, formas arredondadas, para-lamas bem destacados da carroceria e abundância de detalhes cromados. Acontece que não sobrou muita coisa do carro doador depois que Ken Fenical, da Posies Hot Rods & Customs, da Pensilvânia, colocou as mãos nele em 2006.

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Sim, já faz quase dez anos e a gente não conhecia este carro — o que é bem triste, porque ele é incrível. Para começar, quase tudo o que lembrava um Chevrolet Aerosedan foi arrancado — para-choques, cromados, toda a seção dianteira, para-choques e tampa do porta-malas. Sobraram as portas e a porção central da carroceria, que foi estreitada em 30 centímetros para deixar o carro mais esguio (e dar ao interior aquele ar claustrofóbico que tanto agrada aos donos de hot rods).

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O chassi original foi substituído por outro, tubular e feito sob medida para o Fleetliner. A suspensão usa componentes desenvolvidos pela própria Posies, com suspensão dianteira do tipo “I-beam”, não muito diferente do sistema das picapes Ford dos anos 60, com feixes de molas amortecedores Bilstein; enquanto a traseira traz feixes de molas da Air Ride Techonologies (que não fabrica apenas kits de suspensão a ar) e amortecedores Shockwave.

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Todos os detalhes estéticos da carroceria foram feitos sob medida — o para-brisas repartido, as janelas laterais e o vigia traseiro, a tampa do porta-malas com lanternas integradas e os faróis. A grade do radiador veio de um Ford 32 e, de certa forma, é o componente mais tradicional do Fleetliner.

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Ao abrir as portas (um dos poucos componentes que ficaram quase inalterados), dá-se de cara com um interior muito limpo e impecável, com uma clara e agradável influência dos esportivos europeus dos anos 50, na forração xadrez dos bancos (que veio de um Mercedes-Benz 300SLR), nos instrumentos personalizados e minimalistas e no volante de três raios. Parece apertado, de fato, mas ao mesmo tempo bem ergonômico e envolvente.

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À disposição do pé direito estão os cerca de 400 cv do seis-em-linha de cinco litros de origem Ford e preparação da Roush, que inclui um sistema de injeção com corpos de borboleta individuais Holley e um compressor mecânico Powerdine. O motor é acoplado à conhecida transmissão Ford C4, automática de três marchas modificada pela Deltrans. A força é levada às rodas por um diferencial Winter Mini Banjo — uma escolha até surpreendente, visto que a maioria dos projetos de hot rods usa o famoso diferencial de 9” da Ford. Os freios são a disco, da Wilwood, na dianteira, e usam tambores de 11” na traseira.

O carro apareceu em público pela primeira vez em 2006, durante o SEMA Show, e ainda nem estava pronto. Dois anos depois, o Fleetliner foi vendido em um leilão pela RM Auctions, arrematado por US$ 100 mil — cerca de US$ 110 mil, ou R$ 340 mil, em dinheiro de hoje.

 

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