FlatOut!
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Pergunta do dia Zero a 300

Todo mundo tem uma história com um Fusca. Qual é a sua?

Sabe que dia é hoje? Dia 19 de janeiro. Ou seja: amanhã é o Dia Nacional do Fusca. Sim, o Besouro é tão popular no Brasil que temos duas datas comemorativas – a outra, o Dia Mundial do Fusca, é comemorado no dia 22 de junho. Já contamos muitas histórias e curiosidades a respeito do Fusca nestes quatro anos de FlatOut, então desta vez vamos fazer diferente.

A maioria das pessoas já andou de Fusca, e muita gente aprendeu a dirigir em um Fusca. Aposto que muitos leitores têm ou queriam ter um Fusca – relativamente acessível, fácil de encontrar e de manutenção simples, ele é uma ótima porta de entrada para o mundo dos antigos, do ponto de vista prático. E todo mundo tem uma história com o Fusca, pode apostar. Quem não tem é a exceção que confirma a regra. E, por isso, para marcar o Dia Nacional do Fusca em 2018, vamos perguntar: qual é a sua história com o Fusca?

A minha na verdade não aconteceu comigo, mas com meu pai, que teve um Fusca como primeiro carro, comprado depois dos 40 anos – sempre vivemos em uma cidade pequena e não dependíamos de um carro para ir de um lugar a outro, até então. Mas um dia meu pai cismou que queria ter um carro e dirigir e levar a família para passear. Meu tio (seu irmão) tinha um Fusca 1.600 1979, modelo 1980, que havia comprado um ou dois anos antes e deixado nos trinques. Volante Panther de época, minúsculo; tampa do motor lisa, sem fendas; rodas de Brasília, mais largas; e suspensão ligeiramente mais baixa. Meu pai, com o tempo, deixou o carro ainda melhor: colocou toca-fitas novo, trocou as folhas do assoalho e mandou refazer a pintura azul-marinho. Só é uma pena que não existam fotos…

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Mas era muito parecido com este, porém mais baixo, e sem as polainas de metal nos para-lamas

O carro ficou uns dois ou três meses parado na garagem, porque o meu pai ainda não podia dirigir. E, quando finalmente a CNH chegou, ele sempre arranjava uma desculpa para pegar o carro e dar um rolê.

Me lembro perfeitamente do dia em que fomos à casa de uma tia minha, irmã da minha mãe, em uma cidade vizinha – Campina do Monte Alegre, no coração do interior de São Paulo, a uns 20 km de Angatuba. Fomos na hora do almoço, voltamos à noite, ouvindo rádio. Angatuba fica dentro de um vale na região do Alto Paranapanema, região com muitas serras, árvores e ribanceiras. O caminho entre Campina do Monte Alegre e Angatuba, pela rodovia Raposo Tavares (na minha opinião, uma das piores do estado, com asfalto péssimo, apesar das bonitas paisagens).

Meu pai, inexperiente ao volante, só percebeu depois de chegar em casa que havia esquecido sua carteira com todos os documentos, incluindo o licenciamento do carro e sua recém-tirada carteira de motorista, na casa da minha tia. Já eram quase dez da noite quando ele decidiu voltar para buscar. Entrou no Fusca e foi.

Ele conta que, na volta, com visibilidade ruim, veio seguindo outro Fusca pela estrada – um mais antigo, com os protetores nos para-choques cromados, fabricado antes de 1970. O motorista estava bem empolgado no pé direito, mas meu pai não queria ficar para trás. Todo mundo aqui já foi recém-habilitado um dia, e sabe muito bem como é…

Acontece que o Fusca nunca foi o carro mais apropriado para contornar curvas de forma mais, digamos, animada. Seus braços oscilantes na suspensão traseira causam um efeito colateral assustador quando se muda de direção rápido demais: a cambagem da roda do lado de dentro da curva fica positiva demais e, dependendo dos pneus, as consequências podem ser catastróficas.

O Fusca do meu pai tinha pneus radiais de perfil mais baixo, mas o outro besouro provavelmente calçava pneus diagonais, com flancos mais moles, o que acentuou o efeito da transferência lateral de peso na curva. Com a mudança brusca na cambagem, o Fusca perdeu o controle , rodou duas vezes, saiu da pista e caiu na ribanceira.

Já era tarde noite, meu pai tinha dormido pouco e estava cansado. Ele chegou em casa contando esta história, mas disse que não tinha certeza se havia acontecido mesmo. Chovia, e ele pensou ter visto coisas demais.

No outro dia, ele nos levou até o local e vimos as marcas de pneus percorrendo toda a extensão da pista, de fora a fora. O Fusca já não estava lá embaixo, mas sem dúvida havia acontecido mesmo. Nunca se soube de quem era o carro. Não havia internet, não havia telejornal regional e o ocorrido jamais foi noticiado em nenhum veículo. Mas que o Fusca capotou, capotou.

Meu pai trocou de carro um ano depois – devolveu o carro ao meu tio, que estava com um Fiat Uno CS 1988, com motor 1.3, carroceria de duas portas na cor Verde Olinda (raríssima), e voltou a diferença. O Fusca continua na cidade, e eu até sei o endereço de onde ele “mora”, mas nunca mais vi o carro.

Não é uma história absurda, mas é uma história. E foi ali que eu e meu pai conhecemos a natureza traiçoeira do Fusca. É por isso que uma modificação comum é instalar no chassi do Besouro o sistema de suspensão traseira da perua Variant II, com braços semi-arrastados, bem mais macia e confortável. Se eu conseguisse comprar de volta aquele Fusca, seria uma das coisas que faria nele.

Agora, queremos saber de vocês: qual é a sua história com o Fusca? Amanhã faremos um post especial com uma coletânea dos relatos dos leitores para comemorar o Dia Nacional do Fusca, então caprichem!

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