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Top Gear: a história do game de corrida que definiu a geração 16 bits

No dia 27 de março de 2018, Top Gear fez 26 anos. E, se você prestou atenção no título deste post, deve ter sacado que não estamos falando daquele que já foi o programa de TV favorito dos entusiastas, mas sim do game de corrida que definiu a geração 16 bits.

A geração 16 bits a que nos referimos é a quarta geração de consoles, principalmente o Super Nintendo e Sega Mega Drive, lançados na virada da década de 1990. Eles trouxeram uma grande evolução em relação à geração anterior em termos de gráficos, qualidade sonora e capacidade de processamento. Com isto, os games ficaram mais bonitos, mais complexos e tiveram um bela melhora na jogabilidade.

Pegue os games de corrida, por exemplo, como F1 Race, da Nintendo; ou Road Fighter, da Konami. Eles são divertidos e coloridos, mas nada realistas, têm controles nada precisos e, na verdade, nem são de corridas – você tinha de chegar até o final do trajeto em um tempo pré-determinado, as posições não eram marcadas e os outros carros só estavam lá para te atrapalhar e te deixar irritado com o fato de a máquina ser muito melhor do que você.

Os consoles de 16 bits tinham gráficos mais detalhados, sons e efeitos sonoros mais realistas e, com a melhor memória e capacidade de processamento, contavam com mais elementos de jogabilidade e, com isto, ficaram mais elaborados, completos e, bem, divertidos. E Top Gear, primeiro título do gênero para o Super Nintendo (que foi lançado em 1990), é um belo exemplo disto.

O game foi desenvolvido pela Gremlin Graphics, companhia que em 1999 foi comprada pela Infogrames (os criadores da franquia Driver), e publicado pela Kemco. O objetivo do game é simples: tornar-se o piloto mais veloz de todos, disputando corridas com outros carros ao redor do planeta. Simples e eficiente, não?

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Não eram muitos carros, apenas quatro, mas isto já era um progresso muito grande em relação à geração anterior. E qualquer um que já tenha passado tardes (e, às vezes, atravessado noites) jogando Top Gear sabe que eles são bem diferentes, e que todo mundo tem o seu favorito. Antes de escolher o carro, porém, você deveria escolher seu nome, a configuração dos controles (eram quatro), e se queria câmbio automático ou manual. Só os fortes escolhiam o câmbio manual.

Os carros diferiam em velocidade máxima, aceleração, dirigibilidade e consumo de combustível. E, para quem não sabe, os quatro carros têm nomes, descrições e fichas técnicas – que nós traduzimos aqui, vindas diretamente do encarte do jogo.

The Cannibal (carro vermelho)

Com relações de marcha feitas para andar feito um relâmpago, esta incrível máquina com injeção de combustível te dá a maior velocidade máxima na pista. Claro, isto significa que ela precisa de sua melhor habilidade nas curvas. E o alto consumo de combustível significa mais pit stops em circuitos longos. Boa sorte! E devore seus rivais no café da manhã!

Velocidade máxima: 235 km/h
0-100 km/h: 6,9 segundos
Aderência dos pneus: baixa
Consumo de combustível: alto

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The Razor (carro roxo)

Projetado para cortar o ar com a melhor aerodinâmica, o Razor é uma obra de arte feita à mão. Ele é arisco nas curvas, com aceleração e velocidade máxima mais baixas – sendo um verdadeiro desafio para pilotos amadores e um deleite para os profissionais.

Velocidade máxima: 220 km/h
0-100 km/h: 5 segundos
Aderência dos pneus: baixa
Consumo de combustível: médio

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The Weasel (carro azul)

Ok. Ele pode não ter a velocidade atordoante do Cannibal. E daí? O Weasel continua sendo um carro esguio, rápido e durão. É perfeitamente equilibrado para as curvas. E o consumo moderado de combustível significa que você não perde tempo com pit stops. Se há um favorito nas corridas, é ele.

Velocidade máxima: 220 km/h
0-100 km/h: 4,3 segundos
Aderência dos pneus: média
Consumo de combustível: médio

The Sidewinder (carro branco)

Costure seus rivais com a dinâmica superior do Sidewinder. Com a dirigibilidade de um caça e toda a velocidade e aceleração que você poderia querer. Na verdade, a única coisa que segura este míssil é quanta coragem você tem.

Velocidade máxima: 210 km/h
0-100 km/h: 3,5 segundos
Aderência dos pneus: alta
Consumo de combustível: baixo

Todo mundo sabe que o carro branco é o melhor para quem está começando: você não precisa se preocupar muito com os pit stops, ele é bom de curva e ganha velocidade mais rápido. Uma vez que você domina o game com ele, porém, sua velocidade mais baixa fica evidente. Quem já aprendeu cada curva de cada trajeto costuma optar pelo carro vermelho. Basta lembrar de não deixar para reabastecer o carro na última volta – é fácil cair uma ou duas posições durante a parada, e você certamente não vai conseguir se recuperar antes de cruzar a linha de chegada.

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A boa notícia é que as corridas formavam um campeonato disputado por pontos. São oito regiões no jogo (Estados Unidos, América do Sul, Japão, Alemanha, Escandinávia, França, Itália e Reino Unido), com quatro circuitos em cada uma delas – 32 pistas, no total. Cada uma delas tinha sua estratégia – algumas te obrigavam a desviar de objetos na pista; outras, a aprender a hora exata de usar o nitro e outras, ainda, só podiam ser dominadas caso você fosse 100% preciso em qualquer ação.

A trilha sonora era simplesmente perfeita para o jogo. As canções foram compostas pelo escocês Barry Leitch, e aproveitavam algumas músicas da trilha sonora de outra franquia em que ele havia trabalhado: Lotus Turbo Challenge, para o computador Amiga. Os dois primeiros títulos da série foram lançados em 1990 e 1991, e Top Gear utiliza algumas composições dos de ambos, com arranjos ligeiramente diferentes.

Ambas eram bem legais, diga-se

A sensação de velocidade transmitida pelos gráficos em 2D era alta, e os traçados dos circuitos eram cheios de sequências de curvas que testavam sua habilidade (e, às vezes, sua paciência). Mas a emoção de vencer uma prova depois de inúmeras tentativas era irresistível, e sempre te deixava ansioso para dar sequência ao jogo.

Foi por esta razão que Top Gear se tornou um clássico, responsável por muitos fins de semana de diversão de muitos de nossos leitores – e, temos certeza, de muitas discussões, também. Porque boa parte da graça era jogar com um ou mais amigos, no famoso esquema “se perder, passa o controle”, e parte do processo era decidir quem ficaria com qual carro. Faltava pouco para rolar sangue.

Foi por isto, também, que a série de origem a algumas sequências: Top Gear 2, de 1993, e Top Gear 3000, de 1995. Ambos mantiveram a jogabilidade consagrada pelo primeiro game, e adicionaram novos elementos (como a possibilidade de escolher entre pneus de pista seca ou de chuva em Top Gear 2, ou as armas em Top Gear 3000). Mas não atingiram o status de ícone do título de estreia.

Top Gear 1 Label Snes by Victor Kratos

Aliás, talvez tenha sido por isto também que as incursões da franquia nos games tridimensionais, começando com Top Gear: Overdrive, lançado para o Nintendo 64 em 1998, não tenham sido tão bem sucedidas: todo mundo estava acostumado com os gráficos de 16 bits do primeiro Top Gear.

Com a atual onda nostálgica dos anos 1980 e 1990, muita gente “redescobriu” o primeiro Top Gear. É possível jogar no computador usando um emulador online ou baixar um software que rode ROMs de Super Nintendo se você quiser matar a nostalgia ainda hoje – os programas são gratuitos, leves e fáceis de configurar, e rodam em qualquer computador (afinal, é um jogo lançado há 25 anos e um dia). A gente até se incentivaria mas, como você sabe, é ilegal.

Por outro lado, há uma boa leva de games retrô feitos nos últimos, inspirados em clássicos como Top Gear, que custam pouco e garantem muita diversão. Aliás, vamos falar de um deles muito em breve…

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