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Car Culture História

Toyota Land Cruiser 70: o verdadeiro sucessor do Bandeirante que não tivemos aqui

Por mais que a indústria evolua e traga mudanças, há um nicho bem específico que sempre terá demanda: o dos utilitários old school. Nunca deixará de existir quem precise (ou queira) um veículo robusto, quadradão, com mecânica tradicional e dotado apenas do essencial. É por causa disso que, para alguns fãs, o Land Rover Defender 2020 foi uma decisão ruim da fabricante britânica.

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No entanto, se o que você quer é um utilitário à moda antiga zero quilômetro, existem outras opções. A Jeep tem o Wrangler, que tem caráter mais esportivo; a Lada ainda vende o Niva, favorito dos russos e adjacentes, quase exatamente como era na década de 1970. E a Toyota, caso você não saiba, ainda vende o Land Cruiser 70, lançado em 1984. E ele está praticamente igual há 35 anos.

Só é uma pena que ele jamais tenha passado perto do Brasil. Nós, por aqui, tivemos o Bandeirante, versão nacional do primeiro Land Cruiser – e um ícone local. O Bandeirante foi fabricado no Brasil entre 1962 e 2001, e era tão competente no que fazia que muitos dos exemplares da primeira leva ainda estão em serviço, tanto a trabalho quanto para lazer, fazendo trilhas. No total, mais de 103.000 Land Cruiser/Bandeirante foram fabricados no Brasil.

Lá fora, o Land Cruiser de primeira geração, código J40, foi fabricado entre 1960 e 1984, e sua genealogia é um tanto complexa. Ele conviveu com dois de seus sucessores – o J50, lançado em 1967…

…e o J60, que estreou em 1980:

Ambos eram veículos maiores, mais confortáveis e mais refinados, e por isso o J40 permaneceu em linha como opção mais rústica. No entanto, em 1984 a Toyota decidiu substituí-lo por algo mais moderno, porém igualmente resistente. Foi quando nasceu o J70, que nunca foi vendido no Brasil… porque já tínhamos o Bandeirante.

O J70, apesar de mais novo, era visivelmente mais rústico do que o J50 e o J60. E, como o J40 original, ele tinha opções de diferentes entre-eixos e várias versões de carroceria – incluindo uma picape e transportador de tropas (esta, uma carroceria fechada com entre-eixos longo, para uso militar).

Cada modelo tinha um código numérico específico: 70 para o de entre-eixos curto (2310 mm), 74 para o entre-eixos médio (2.600 mm) e 75 para o entre-eixos longo (2.980 mm). Estavam disponíveis motores a gasolina e a diesel, com quatro e seis cilindros.

A fórmula básica não mudou ao longo dos últimos 35 anos, embora tenham sido feitas algumas atualizações ao projeto ao longo dos anos. Em 1999, foi adotada suspensão com molas helicoidais em vez de semi-elípticas, além de novos cubos de roda com cinco parafusos, e não seis. Além disso diferentes motorizações entraram e saíram de linha com o passar do tempo. Foi só em 2007 – sim, 23 anos depois do lançamento – que o Land Cruiser 70 recebeu seu primeiro facelift, adotando a identidade visual vista na Hilux desde 1997, com faróis quadrados e lanternas âmbar, de desenho triangular. O interior, obviamente, também foi modernizado, mantendo o acabamento simples, porém bem feito, e o foco firme na funcionalidade.

Salvo raras exceções, o Toyota Land Cruiser 70 só é comercializado em países de mão inglesa, incluindo a Venezuela, onde é fabricado; a Austrália e a África do Sul. No Japão, curiosamente, o Land Cruiser 70 não foi vendido regularmente – apenas em 2014, em uma série limitada de 300 unidades, para comemorar os 30 anos do modelo.

Há algumas diferenças regionais, como o fato de a maioria dos exemplares australianos ser equipada com um V8 turbodiesel de 4,5 litros, 200 cv e 43,8 kgfm de torque; enquanto os outros mercados utilizam motores de seis cilindros. Por conta disto, os exemplares vendidos na Austrália são considerados os mais desejáveis – o motor maior e mais pesado exige bitolas mais largas e estrutura reforçada. Independentemente do motor utilizado, o sistema de transmissão é o mesmo: câmbio manual de cinco marchas e tração 4×4 com reduzida.

Mas foi o modelo sul-africano quem recebeu a última e mais interessante atualização: foi lançado esta semana o Land Cruiser 70 Namib, edição limitada com customização inspirada pelos jipes de trilha: um para-choque mais agressivo, com mata-cachorro integrado; faróis auxiliares de longo alcance; uma nova grade; e pintura Branco Marfim ou Bege Areia.

O interior vem com porta-luvas refrigerado e preparação para rádio PX, além de iluminação com LEDs e acabamento em tecido reforçado. E ainda há uma boa seleção de equipamentos, como central multimídia com navegador por GPS e Bluetooth, vidros elétricos, coluna de direção ajustável em altura e distância, trava central, tomada de força no painel, freios ABS e airbags frontais.

O Land Cruiser J70 nos parece um bom exemplo do tipo de veículo tradicional que vai resistir às transformações da indústria nos próximos anos – ao menos até quando for possível. É triste que ele não seja vendido por aqui. Ainda mais porque, tecnicamente, ele é o herdeiro do Bandeirante.

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