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Toyota Tacoma Pikes Peak: a picape que já foi a mais rápida do mundo… mas não era uma picape

A subida de montanha de Pikes Peak – ou Pikes Peak International Hill Climb – já produziu algumas lendas sobre quatro rodas. Logo de cara vêm à mente o emblemático Suzuki Escudo Pikes Peak, também conhecido como “o carro mais apelão de Gran Turismo 2“, e o Peugeot 405 T16 de Ari Vatanen. O primeiro tinha um motor V6 de 2,5 litros central-traseiro com dois turbos e 995 cv, e foi o segundo colocado na edição de 1996. O segundo é um pouco mais antigo – em 1988, Vatanen foi o mais rápido em Pikes Peak, e sua subida tornou-se um dos curtas-metragens sobre carros mais incríveis já feitos, Climb Dance.

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Em 2011, por questão de segurança, o trecho de 20 km no qual é realizada a competição foi totalmente asfaltado, o que apagou boa parte da aura mítica de Pikes Peak – e também proporcionou velocidades mais elevadas, reduzindo consideravelmente os tempos conquistados pelos pilotos. O atual recordista de Pikes Peak é Romain Dumas, que subiu a montanha em 7:57,148 com o elétrico Volkswagen I.D. R Pikes Peak na edição de 2018. Nas décadas de 80 e 90 a barreira dos dez minutos sequer havia sido quebrada, mas engana-se quem pensa que os carros eram muito mais lentos. E, com a poeira levantada, o espetáculo para os sentidos era muito mais impressionante. Resumindo: os carros que sobem Pikes Peak hoje podem ser mais rápidos sobre o asfalto, mas para ver os verdadeiros ícones da “Corrida para as Nuvens” é preciso olhar para o passado.

Já falamos bastante por aqui sobre o Escudo Pikes Peak, e também sobre o Peugeot 405 T16. Hoje, vamos abordar outra lenda de Pikes Peak – uma picape. Que não era exatamente uma picape, mas tudo bem.

O carrasco de Nobuhiro Tajima em 1996 se chamava Rod Millen. Naquele ano ele subiu a montanha com um protótipo de estrutura tubular e uma bolha inspirada no Toyota Celica, construído pela TRD e equipado com um quatro-cilindros turbo de 2,1 litros e mais de 960 cv.

Pesando apenas 884 kg, o carro virou 10:13,640 na edição de 1996. O piloto neozelandês ainda repetiu a dose em 1997 com o Celica, marcando 10:04,540. Para 1998, porém, ele decidiu tentar algo diferente e, junto à TRD, decidiu que o carro seria inspirado em uma picape.

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Na prática o carro não era muito diferente do Celica que havia corrido nos anos anteriores. Por baixo da bolha, que lembrava bastante um protótipo do Grupo C com elementos de picape, o protótipo era bastante semelhante ao Celica: uma estrutura de tubular de aço e cromo-molibdênio (o mesmo material usado em karts profissionais) sob uma carroceria de fibra de vidro com elementos aerodinâmicos com foco na downforce e motor central-traseiro.

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O quatro-cilindros de 2,1 litros usado no Celica também foi aproveitado, e a potência exata ainda é objeto de discussão – dependendo da fonte consultada, o motor tinha 800, 950 ou 1.000 cv. Um detalhe curioso: o motor da família 3GS era muito parecido com o que era utilizado pelos Toyota Supra que corriam no Campeonato Japonês de Turismo (o JGTC) na época. Acoplado a uma caixa sequencial de cinco marchas que levava a força para as quatro rodas, o motor era capaz de levar a Tacoma de zero a 100 km/h em menos de dois segundos, e de zero a 200 km/h em 4,9 segundos.

 

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A suspensão utilizava braços triangulares sobrepostos e amortecedores ajustáveis da Öhlins montados inboard. As rodas eram da BBS, de 17×12,5 polegadas nos quatro cantos, calçadas em pneus 335/30. Os freios abrigados sobre elas usavam discos de carbono-cerâmica com 355 mm de diâmetro e pinças de oito pistões.

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Rod Millen correu em Pikes Peak com sua “Toyota Tacoma” em 1998 e 1999. Na edição de 1998 ele virou 10:07,700 e, em 1999, 10:11,150.

Foi sua última vitória na subida, mas seu melhor tempo – conquistado em 1994 com o Celica, quando marcou 10:04,06 – só foi superado por Nobuhiro Tajima em 2007, com parte do percurso já asfaltada. Ao volante do Suzuki XL7 (que era, tecnicamente, uma evolução do icônico Escudo Pikes Peak), “Monster” Tajima fez 10:01,408.

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Já faz vinte anos que a Toyota Tacoma correu em Pikes Peak, e hoje ela é considerada um verdadeiro clássico. Rod Millen ainda participa com ela de eventos de pista, como o Goodwood Festival of Speed – em 2003 o próprio Millen subiu a colina da propriedade de Lord March em 46,3 segundos. É pouquíssimo tempo, porém o sufuciente para nos dar uma boa noção da força da Tacoma. Que não é uma Tacoma… mas tudo bem.

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