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TRD 3000GT: o icônico Supra Mk4 de Gran Turismo 1 e 2 na vida real

A Toyota anunciou ontem (21) que levará um novo conceito baseado no Supra para o SEMA Show 2019, marcado para os dias 5 a 8 de novembro. Até aí, tudo normal – controvérsias sobre plataforma à parte, o Supra é um dos esportivos mais quentes da temporada, e é natural que tanto a fabricante quanto as preparadoras e customizadoras queiram modificá-lo para o maior evento de aftermarket automotivo do planeta.

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O detalhe que faz toda a diferença é o nome do carro: Toyota Supra 3000GT Concept. Quem jogou os dois primeiros títulos da franquia Gran Turismo – e quem é fã da car culture japonesa da década de 1990 – certamente pegou a referência na hora: a Toyota se inspirou no icônico TRD 3000GT, apresentado em 1994, que se tornou um dos Supra mais reverenciados pelos fãs nos últimos 25 anos.

 

Como você deve saber, antes da atual Gazoo Racing, cuja sede fica na Alemanha, a principal divisão esportiva da Toyota era a TRD – acrônimo de Toyota Racing Development. A TRD é a responsável pelos esforços da Toyota nas categorias de automobilismo no Japão, como o JGTC e a Super GT, desde a década de 1980. Sua divisão norte-americana, a TRD USA, já participou de campeonatos como a Fórmula Drift, a IMSA GT, as principais competições de arrancada da NHRA e a Nascar.

Da mesma forma que a Gazoo Racing, a TRD também desenvolve kits de preparação para os carros da Toyota e da Lexus – atualmente, de forma semi-oficial, com suporte de fábrica. E foi assim que surgiu o TRD 3000GT.

Seu nome é exatamente o mesmo de outro carro japonês icônico, o Mitsubishi 3000GT, mas é apenas coincidência pelo fato de ambos os carros, o TRD e o Mit, terem motores de três litros e serem grand tourers.

O 3000GT da Toyota foi criado especificamente para celebrar um ano de lançamento do Supra Mk4 e, ao mesmo tempo, marcar seu ingresso no JGTC (All Japan Grand Touring Car Championship). Para tal, decidiu-se criar um body kit baseado no recém-apresentado carro de competição – que, vale lembrar, não usava o seis-em-linha 2JZ, mas sim um quatro-cilindros de 2,1 litros e turbo emprestado do Corolla de rali.

O carro foi apresentado no Tokyo Auto Salon e foi muito bem recebido pelos presentes. Pudera: embora fosse um Supra Mk4 quase totalmente original mecanicamente, ele trazia na carroceria diversos itens que realçavam suas linhas.

De cara, notava-se que os para-lamas eram 50 mm mais largos que os originais, com o objetivo de dar espaço para pneus maiores. O capô era de fibra de vidro com uma camada externa de fibra de carbono, e tinha quatro entradas de ar que se transformaram em uma das marcas registradas do TRD 3000GT.

 

O para-choque dianteiro também era distinto da peça stock, com entradas de ar redesenhadas; e havia outros toque sutis, como a adoção de respiros nos para-lamas (saídas de escoamento nos dianteiros, e tomadas de ar frio para os freios nos traseiros) e uma asa traseira bem avantajada. A suspensão foi retrabalhada com molas e amortecedores ajustáveis, enquanto as rodas eram um jogo de TRD Alumi-K, muito parecidas com as Work Equip 05, com 18×9,5 polegadas na frente e 18×10,5 polegadas atrás.

Ainda que o motor 2JZ-GTE não tivesse passado por mudanças, a TRD instalou no 3000GT um sistema de escape mais livre – o que garantia uma nota mais agressiva e um ligeiro acréscimo de potência aos cerca de 300 cv originais.

De acordo com a TRD, o kit aerodinâmico foi desenvolvido após estudos em túnel de vento e fazia mais do que apenas melhorar a estética do Supra, sendo totalmente funcional. Tanto que um dos dois carros de competição da equipe recebeu o kit 3000GT na última corrida da temporada de 1994 do JGTC, disputada no circuito de Mine, no Japão.

A partir de 1995, o kit TRD 3000GT começou a ser vendido através da rede de concessionárias da própria Toyota. Era possível comprá-lo em partes (o que fez com que muitos donos de Supra instalassem o capô TRD em seus carros, visto que era a única peça que não necessitava de modificações mais extensas), adquirir todas as peças para instalar o kit por conta própria, ou simplesmente encomendar um carro com o kit já instalado. Esta última opção custava bem mais caro, e poucos o fizeram – o que torna um TRD3000GT todo equipado de fábrica uma raridade nos dias de hoje.

Era mais fácil obtê-lo em Gran TurismoGran Turismo 2 – os dois únicos games da franquia nos quais o TRD 3000GT apareceu. Mas não era possível comprá-lo, e sim conquistá-lo como prêmio após vencer corridas específicas.

Quatro anos depois, em 1998, a TRD apresentou, no mesmo esquema, o 2000GT. Desta vez, porém, o carro escolhido como base foi o MR-2 de segunda geração.

Criado em homenagem aos MR2 que conquistaram para a Toyota o título o Campeonato Japonês de Turismo (JGTC) em 1998, o body kit TRD 2000GT alargava o MR2 em mais de dez centímetros e dava a ele um stance muito mais agressivo. Eram usados componentes de fibra de vidro — para-lamas, tampa do porta-malas, tampa do bocal do tanque de combustível e uma asa traseira de três peças.

A ideia era garantir exclusividade e, por isso, apenas 35 carros foram convertidos. Além disso, cada um dos proprietários podia escolher as modificações que queria na suspensão, motor, rodas e interior — há boatos de que um TRD2000 GT foi preparado para render mais de 500 cv, enquanto outros sequer tiveram mudanças mecânicas. Não se sabe quantos carros sobrevivem até hoje.

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