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Técnica

Tudo o que você queria saber sobre cintos de competição, mas não tinha para quem perguntar

Cintos de segurança são componentes tão importantes em uma preparação de primeira quanto freios, pneus, suspensão e motor. Não apenas para salvar sua vida quando algo der errado, mas também para manter seu corpo preso com mais firmeza ao banco, o que pode te ajudar a pilotar com mais facilidade, especialmente em freadas mais fortes, quando estar amarrado ao banco permite que você mantenha os braços relaxados.

Só que os cintos de competição têm algumas regras para ser instalados corretamente e proteger você de forma eficaz . Isso acaba gerando dúvidas em muita gente que pretende preparar seu carro para track days e outras competições amadoras, ou deseja um cinto mais seguro para suas incursões off-road, e por isso vamos tentar esclarecer algumas delas.

 

Qual banco usar?

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Em primeiro lugar, nem todo banco é adequado para instalação dos cintos de competição. O ideal é usar um banco concha homologado, sem regulagem de encosto, que já com os slots para passar as tiras do cinto de competição, mas você não precisa necessariamente de um banco concha ou semi-concha para usar um cinto de quatro pontos — caso tenha bancos esportivos ou esteja satisfeito com os originais do seu carro.

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Os cintos de competição só não podem ser instalados em bancos que tenham encosto de cabeça integrado ou sem ajuste de altura pois eles podem ficar abertos demais e, nesse caso, as tiras dos ombros acabarão deslizando com o movimento dos braços.

 

Como ancorar os cintos de competição?

Geralmente os cintos de competição são ancorados em uma barra específica para esse fim na gaiola de proteção, mas caso você não use uma gaiola, ou se sua gaiola não tem esses pontos de ancoragem, você pode usar os pontos de fixação dos cintos originais. Dependendo do caso, você também pode usar um sistema de fixação por mosquetão.

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A única coisa que você jamais deve fazer é ancorar o cinto no chão do carro logo atrás dos bancos dianteiros, pois as presilhas sofrerão uma carga vetorial para a qual não foram projetadas — os parafusos seriam puxados para cima em caso de impactos, soltando o cinto e deixando o piloto desprotegido.

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Por esse mesmo motivo, a ancoragem não deve ser feita de modo que os cintos formem um ângulo maior que 45º em relação à linha do ombro do banco. Os fabricantes de cintos e os órgãos reguladores do automobilismo, como a FIA e a MSA (Reino Unido), recomendam o ângulo ideal variando entre 10º acima dessa linha e 10º abaixo dela, mas aceitam ângulos de até 45º abaixo da linha de apoio no banco.

 

Quando devo usar cintos de competição?

Se você não pretende disputar campeonatos oficiais, não existe uma regra ou um nível de preparação ou potência para instalar cintos de competição no seu carro. Mas eles são um excelente investimento se você pretende participar de track days, time attacks ou simplesmente tem um carro para andar forte. Não apenas pela segurança extra, mas também pela firmeza no comando do carro — amarrado ao banco você mantém os braços mais relaxados, o que facilita o esterçamento e a redução de marchas, diminuindo o esforço na pista.

Você pode usá-los até no dia-a-dia se achar que eles são mais seguros. Só não esqueça que eles não são retráteis, vai ser difícil operar o rádio ou mexer nos espelhos amarrado fortemente ao banco. A legislação exige apenas que você mantenha os cintos originais em seu lugar e regularize a modificação de acordo com normas técnicas de segurança.

 

Que tipo de cinto devo usar: quatro, cinco ou seis pontos?

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A escolha do cinto deve ser baseada na configuração do carro, e varia de acordo com o tipo de banco, gaiola, pontos de ancoragem e demais equipamentos de segurança instalados. Os cintos de seis pontos, por exemplo, não podem ser instalados em bancos comuns, sem slots para a passagem das tiras. Já os cintos de quatro pontos são os mais adequados para uso com bancos esportivos, pois têm apenas a proteção sub-abdominal e nos ombros, e não precisam dos slots no assento. Se você já ouviu falar em casos em que o piloto “escorregou” por baixo do cinto pela ausência dos pontos inferiores, não se preocupe: os cintos de quatro pontos homologados têm sistemas que impedem esse tipo de movimento.

Os cintos de cinco pontos (com uma tira na região pélvica) não são recomendados, pois aumentam o risco de lesões nos tecidos moles (conjuntivo, epitelial e muscular) e também provocam níveis maiores de compressão torácica em casos de acidentes.

[ Fonte: Takata via Speedhunters] 

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