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Um Aston movido a vinho branco? Conheça o carro mais “gourmet” da família real britânica

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O Jaguar E-Type elétrico usado pelo príncipe Harry em seu casamento no último final de semana dividiu opiniões entre os entusiastas. Uns gostaram da combinação do visual antigo com o powertrain elétrico — e seu torque instantâneo. Outros, preferiram o carro usado pelo irmão de Harry há quatro anos: o Aston Martin DB6 Volante de seu pai — o que é perfeitamente compreensível, afinal, estamos falando de um legítimo roadster britânico com um seis-em-linha de quatro litros e sonoros 286 cv. E como se não bastasse, a combustão interna que produz essa música mecânica é abastecida com… vinho branco! Ou você acha que o futuro rei da Inglaterra vai até o posto Ipiranga abastecer seu roadster clássico?

Na verdade o Aston DB6 real não é abastecido diretamente com vinho branco, e sim com bioetanol produzido a partir do vinho. Ele foi convertido para rodar com o combustível vegetal a pedido do próprio Charles por uma questão de sustentabilidade.

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Por mais absurdo que possa parecer, abastecer um carro com etanol de vinho branco na Inglaterra é mais barato que abastecer com gasolina premium no Brasil devido a um acordo comercial da União Europeia. Em 1999, o Conselho de Ministros da União Europeia definiu novas regras para equilibrar a oferta e a demanda de vinho na comunidade europeia. Entre estas regras está uma cota de exportação de vinho de cada país. Caso a produção local exceda essa cota, o vinho não pode ser comercializado e precisa ser descartado ou utilizado de outra forma.

Uma destas formas de utilização é a transformação do vinho em biocombustível. Foi por isso que, em 2008, quando as regras entraram em vigor, o príncipe Charles solicitou a conversão de seu Aston para rodar com etanol. Além de gerar economia aos cofres públicos, ele também fez algo que políticos republicanos brasileiros não costumem fazer: dar exemplo ao povo.

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Charles e o Aston em 1969: presente da rainha pelo aniversário de 21 anos

A primeira leva de etanol de vinho foi produzido a partir de 8.000 litros de vinho branco excedente, comprado por apenas 1 centavo de libra (penny) — algo equivalente a R$ 0,05 na cotação atual. O lote de vinho excedente foi enviado a uma produtora de combustíveis renováveis batizada Green Fuels, onde foi fervido e teve seus 11% de álcool separados por destilação (fervura e condensação) — o que resultou em cerca de 880 litros de álcool puro.

Este álcool resultante já seria suficiente para abastecer o carro, mas para uso da família real ele ainda foi misturado ao álcool formado pela fermentação do soro de leite coalhado dos fabricantes de queijo locais (outro subproduto excedente) e então misturado com gasolina em uma proporção de 85% de etanol e 15% de gasolina (E85). Mesmo com todo o processo industrial, o custo final do litro de etanol de vinho branco ficou em 1,1 libra — ou R$ 5,30 em conversão direta.

Tecnicamente é possível obter etanol de qualquer bebida alcóolica por meio da destilação. O único resíduo será suco de fruta (no caso do vinho) ou uma sopa de cereais no caso de outras bebidas fermentadas como a cerveja e o saquê. E como se não bastasse, a Green Fuels ainda usou o suco restante do vinho destilado para produzir biogás, usado na Inglaterra para abastecer usinas termoelétricas.

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No Brasil a forma mais barata de produzir bioetanol é pela fermentação e destilação do melaço de cana. O processo começa com a popular garapa (a mesma que você compra na feira, na barraca ao lado do pastel) que é aquecida para virar melaço, cuja composição tem 40% de sacarose. Após a obtenção do melaço, é preciso adicionar fermentos biológicos como a levedura de cerveja para transformar a sacarose em etanol. Com o processo de fermentação completo, é hora de separar o álcool do melaço por destilação fracionada, um processo que resulta em álcool 96º GL, com apenas 4% de água, que é exatamente o etanol vendido nos postos de combustível — e a proporção máxima de álcool e água que se obtém pela destilação fracionada.

Já o álcool adicionado à gasolina passa por mais um processo de destilação após ser combinado a ciclo-hexano para a separação destes 4% de água. Desta forma é possível chegar a 99,7% de álcool e 0,3% de água. Como a proporção de água é desprezível, ele leva o nome de “álcool anidro”, ou seja: álcool sem água.

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