Um BMW Série 3 com motor V8 AMG feito para drift: qual é o tamanho da heresia?

Dalmo Hernandes 22 maio, 2018 0
Um BMW Série 3 com motor V8 AMG feito para drift: qual é o tamanho da heresia?

A cena drifter do Leste Europeu às vezes nos parece mais intensa e divertida do que no Japão. Não nos entenda mal: sabemos que o drift enquanto modalidade automobilística se popularizou primeiro na Terra do Sol Nascente, que os esportivos japoneses são a “cara” do drift e que a meca do dorifuto é o Japão. Mas temos a impressão de que os poloneses (assim como os letões, húngaros, tchecos e, claro, russos) têm uma abordagem mais raiz, mais old school e mais aventureira.

Provavelmente é só impressão. Mas por alguma razão achamos que um engine swap envolvendo um BMW Série 3 E46 e um motor V8 AMG só poderia ter acontecido em um país como a Polônia. No Japão há toda uma cultura envolvendo engine swaps entre carros e motores de diferentes marcas, como um Skyline com motor 2JZ ou um Supra com motor RB26, por exemplo. Um BMW com motor AMG é algo que incomoda bem mais os puristas.

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O polonês Adam Zajączek é um dos vários pilotos que competem na prolífica cena drifter do Leste Europeu – que por vezes se alia à cena drifter escandinava, especialmente na Noruega, onde todos os anos acontece o Gatebil, maior evento de drift realizado fora do Japão. E ele pelo jeito elegeu o BMW Série 3 como seu carro favorito para andar de lado – suas fotos no Facebook mostram um E30 laranja e um E36 branco, além do Série 3 E46 em questão.

Adam encomendou seu carro com a preparadora An-Car, que fica em Koszalin, na Polônia (claro). Aparentemente eles são especializados em BMW – tem um E46 no logo da oficina, até – mas não são muito xiitas.

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Não fica claro qual era o modelo original — o que sabemos é que não era um M3 —, mas não importa mais: ele agora é movido pelo V8 M156, usado por diferentes modelos Mercedes-AMG a partir de 2006, como a barca esportiva de luxo S63 AMG e o brutal C63 AMG Black Series. A potência original varia entre 457 cv (C63 AMG 2008) e 525 cv (S63 AMG 2006). O V8 M156 também está no SLS AMG, o sucessor moderno do 300SL, rebatizado como M159 e equipado com nova admissão, novo sistema de injeção e cárter seco, chegando a 631 cv em sua última versão, fabricada entre 2013 e 2014.

O M156 foi criado para alto rendimento e uso em esportivos e carros de corrida. Por esta razão ele é leve e robusto, com bloco e cabeçotes em liga de alumínio e silício, componentes internos forjados, excelente trabalho de fluxo, comando duplo nos cabeçotes e uma boa janela para preparação.

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Também não fica claro qual foi o modelo que cedeu seu motor ao BMW E46. O que se sabe é a potência: 498 cv e 65,4 mkgf de torque. O motor é acoplado a uma caixa sequencial com diferencial traseiro Winters Performance, e é controlado por uma ECU aftermarket EMU Black, totalmente programável – uma boa para aproveitar ainda melhor a já generosa curva de força do motor M156, que entrega 90% de seu torque máximo já a 2.000 rpm. O carro ainda tem suspensão com molas e amortecedores ajustáveis da ISC e, como é um carro de drift, recebeu um lock kit da Wisefab para aumentar o ângulo de esterçamento.

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O monobloco recebeu uma gaiola de proteção interna e para-lamas alargados, além dos para-choques do BMW M3 E46. Por dentro há bancos concha Sparco, volante de cubo rápido, acabamento interno de alumínio “chão de ônibus” e a obrigatória alavanca gigante perfurada para o freio de mão hidráulico. O tanque de combustível selado foi parar no porta-malas.

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Por mais que as informações que existem a respeito deste carro sejam em poucas (e em polonês), é difícil passar incólume por um carro que parece ter sido feito sob medida para incomodar dois dos fandoms mais fervorosos do meio entusiasta – enquanto anda de lado. E ele parece ser eficiente na parte técnica, também – ao menos no primeiro shakedown, publicado pela An-Car há cerca de uma semana:

Agora que já dividimos com você a existência de um BMW Série 3 E46 com motor V8 AMG, queremos saber: o quão radical você é a respeito deste tipo de projeto? É preciso respeitar as origens dos carros ou “nada é sagrado”? Diz aí!