FlatOut!
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Project Cars Project Cars #386

Um Corvette no dia-a-dia: como é a manutenção do esportivo americano?

Fala, galera Flatouter? Tudo tranquilo? Bom, gostaria de começar esse segundo episódio do meu Project me desculpando com os leitores e editores do Flatout pela demora, mas confesso que tive uns percalços com o Corvette que me ocuparam (e estressaram) bastante, fora a correria do dia a dia (aliada também à um pouco de procrastinação da minha parte, sorry).

Gostaria também de agradecer o feedback superpositivo dos leitores do FO (vocês são fodas) que, além de me apoiarem na missão, me ajudaram muito com dicas e indicações de soluções para pequenos problemas do carro. Gostaria de agradecer também ao nobilíssimo Lucas, que deslocou até minha cidade para trazer uma GoPro para fazermos umas filmagens com o Corvette. Infelizmente, por conta de termos tido a “brilhante” ideia de fazer a filmagem com o teto do carro baixo, o áudio ficou péssimo, o que inviabilizou de upar os vídeos. Porém já está nos planos fazer uma filmagem em trecho de serra com o teto fechado.

BM-E-Vette

Créditos ao Lucas que deslocou sua BMW 528 E39 por 80 km pra trazer a GoPro pras filmagens

Basicamente hoje irei falar sobre o custo de manutenção básica do Corvette (inevitavelmente comparando-o com o custo da minha antiga BMW 328i 2012 F30, para servir de referência), bem como o custo do conserto de alguns pepinos que apareceram, além dos que já haviam. Aaah, também quero comentar mais algumas coisas sobre o Corvette que havia esquecido no 1º post.

Então, sem mais delongas, vamos começar pelos problemas que o carro já tinha quando comprei: falha no TPMS (sensor de monitoramento de pressão dos pneus), HUD inoperante, pára-choques dianteiros levemente saltados (próximo aos faróis) por conta de impactos em sua parte inferior e pequeno vazamento do óleo da direção hidráulica. Vou elencar tudo nessa postagem de forma numérica para ficar mais prático e tentarei dar explicações o mais detalhadas possíveis acerca dos procedimentos. Ressalto que essa numeração não segue uma ordem cronológica.

1. Falha no TPMS

Pra quem não sabe o TPMS (Tire-Pressure Monitoring System) é o sistema que monitora a pressão onde cada um dos sensores localizados nas rodas se comunica com um módulo central (via rádio) que, por sua vez, passa a informação da pressão dos pneus pro computador de bordo do veículo. Quando os pneus do carro são trocados, a central tem que ser “re-ensinada” a conversar com os 4 sensores, através de uma ferramenta da própria GM.

Acontece que a GM do Brasil tem a ferramenta de reaprendizado do TPMS, eu levei o carro na concessionária, mas não deu certo, muito provavelmente pelo fato dos sensores serem alimentados por baterias não trocáveis e que, em 10 anos, provavelmente já perderem sua carga. Aí tem que trocar os 4 sensores mesmo. Acontece que o preço dos sensores nos EUA gira em torno de R$ 500 (os quatro), porém somando frete e imposto, deve atingir facilmente R$ 1.200.

Arena-JEC

Não é um investimento que compense ser feito agora. Se eu (ou algum amigo) for para os EUA, trago na bagagem, já que é pequeno e gasto apenas os R$ 500. O único empecilho é que o computador de bordo às vezes dá uns falsos positivos quanto à pneus baixos, que logo somem.

 

2. HUD Inoperante

O HUD (Heads-up Display) é o equipamento que projeta no pára-brisas informações básicas como velocidade e RPM do carro. Como o antigo dono me informou que o HUD parou de funcionar após a troca da bateria, achei que pudesse ser algo de simples solução, porém eu estava enganado. O mecânico que fez boa parte dos serviços no Vette sugeriu que eu tirasse primeiramente o DVD Pioneer, bem como o módulo e o sub-woofer que estavam instalados no porta-malas (que realmente não faziam diferença no som, só ocupavam espaço mesmo) e recolocasse o som original, a fim de deixar a parte elétrica o mais original possível.

Realmente após esse procedimento (que retirou uma massaroca de fios), o carro voltou a ter várias funções, basicamente relacionadas ao fato de quaisquer “bipes” saírem nas caixas de som. Então coisas como avisos de erros, gravação da memória dos bancos, aviso de portas abertas, etc, voltaram a funcionar com o som original. O mesmo possui disqueteira para 6 CD-S (que, infelizmente, não lê MP3), mas é possível puxar um cabo auxiliar posteriormente para poder ligar o celular ao som, coisa que devo fazer futuramente.

Após esse procedimento, levei o carro a um auto-elétrico aqui da cidade que concluiu que a parte elétrica está ok, restando apenas 2 opções: ou o HUD queimou, ou o projetor caiu (algo bem comum de acontecer, visto que o projetor é preso por uns pivôs reguláveis que são muito frágeis), porém para ter certeza de quaisquer dessas duas hipóteses, só desmontando o HUD inteiro, algo que farei futuramente. Por ora a falta do HUD não me incomoda.

A única desvantagem real de não ter o HUD é que, como o painel analógico só marca até 200 (indiferente de MPH ou KM/H), eu não teria como saber velocidades maiores que 200 KM/H (Já o HUD, como marca digitalmente a velocidade, poderia mostrar velocidades acima de 200 KM/H). Porém, se por ventura, eu levar o Vette para algum evento de arrancada, é só mudar a medição para MPH e depois converter.

HUD

 O HUD como deveria ser (se bem que não sei se no meu carro há a função força “G”)

 

3. Pára-choques levemente saltados próximo aos faróis

Bom, como já expliquei, por conta dos impactos inevitavelmente sofridos na parte inferior do pára-choques dianteiro, a parte superior do mesmo tende a saltar, próximo aos faróis. Como o carro fez diversos serviços na parte dianteiro, o que exigiu desmontagem parcial da frente do carro, foi possível melhorar em uns 80% esse problema. Quando eu decidir repintar a parte inferior do pára-choques dianteiro, aí será feita a desmontagem total, a fim de solucionar 100% do problema.

Paracas

Dá pra ver que o alinhamento ficou quase 100%.

 

4. Vazamento de óleo da direção hidráulica

Como já levantado pelo mecânico que olhou o carro antes que eu batesse o martelo, havia um pequeno vazamento do óleo da direção hidráulica que foi resolvido com a reconfecção de uma mangueira de alta pressão (através de uma empresa no RS) que solucionou prontamente o vazamento. Custo: R$ 500 (Mais R$ 143 do óleo da direção hidráulica)

Mangueira

A dita cuja mangueira de alta pressão

 

5. Botões dos comandos de ar-condicionado levemente descascados

Por ora, resolvi com o canetão marcador de CDs mesmo, solução que demonstrou-se bem competente durante o dia, porém a noite nem tanto. Um leitor do FlatOut me sugeriu comprar pequenos adesivos que vão nesses botões, sugestão essa escolhida para um futuro próximo.

Botoes1

Como estão atualmente. Óbvio que olhando de perto dá pra ver a marca do canetão, mas no dia a dia não incomoda mais.

Decals

E essa é a sugestão enviada pelo colega. Preço barato, solução permanente! Muito obrigado pelo link!

 

6. As primeiras manutenções básicas: óleo e filtros, verificação dos amortecedores e pastilhas dos freios e palhetas dos limpadores

Bom, como vocês sabem, a GM nunca vendeu oficialmente o Corvette no Brasil, o que torna a sua oferta de peças aqui bem escassa. Pra falar a verdade só encontrei mesmo o filtro de óleo (Marca Full, R$ 77 com frete, contra R$ 120 do filtro de óleo da BMW). Os filtros de ar (sim, são 2, e eu só fui descobrir depois que chegou o primeiro) custaram R$ 150 e R$ 88 da marca FRAM (o segundo escapou da receita federal, por isso foi mais barato hahaha). No caso da BMW o filtro de ar custa em torno de R$ 250. O que me impressionou é que no Corvette vão apenas 5,2 L de óleo contra 7L na BMW (usei Motul Sintético EcoFlex 6100 nos dois, a R$ 36 o litro).

F-Ar

 O dia em que descobri que o Corvette usa dois filtros de ar

O mecânico ainda verificou o estado das pastilhas e amortecedores, recomendando a troca imediata dos amortecedores e a troca das pastilhas daqui 20.000 km (com verificações a cada 5.000 km). Comprei os amortecedores (R$ 2.200 com impostos e frete, os 4 da marca DTA – DriveTech of America) e as pastilhas (os 4 pares por aproximadamente R$ 900 com impostos e frete, marca ACDelco, a oficial). Porém, após uma segunda opinião, concluí que, por ora, não será necessário a troca dos amortecedores.

O meu carro veio com os amortecedores magnéticos opcionais (que vinham em menos de 10% dos Corvettes C6) que custam em torno de USD 400 a unidade (o que até para os americanos é um preço exorbitante), então o que a maioria faz é, quando a troca se faz necessária, troca-se por modelos comuns e através do computador GM Tech 2, fazem a desabilitação do opcional Mag-Ride no módulo do carro, para que o computador de bordo não fique dando erro. Pelo que pude levantar sobre esses amortecedores magnéticos, essa tecnologia Mag-Ride da Chevrolet é tão aclamada que até a Ferrari a licenciou para usar em seus amortecedores, porém a maioria dos proprietários de Corvette C6 que trocaram os amortecedores dos Mags para os comuns notaram pouca ou nenhuma diferença.

De qualquer forma já tenho as pastilhas e os amortecedores para quando necessário. A título de comparação, os 4 amortecedores para a BMW sairiam em torno de R$ 7.000 enquanto as pastilhas sairiam por R$ 2.500 na concessionária. Porém esses valores podem estar defasados já. Vale lembrar que se eu encomendasse os amortecedores da ACDelco pro Corvette, o custo seria de pouco menos de R$ 4.000 (com impostos e frete), porém encontrei certa dificuldade em achar lojas que enviassem amortecedores ACDelco para o Brasil.

Pastilhas-e-amortec

Pastilhas e amortecedores já em casa (esqueci de mencionar que também comprei o filtro de cabine, saiu em torno de R$ 110)

As palhetas dos limpadores já não estavam em seus melhores dias, consegui facilmente flat-blades genéricas numa oficina em SC por R$ 60, que cumprem muito bem o papel.

 

7. O primeiro percalço: Radiador e skid plate

Estava eu em um belo dia transitando em uma rua de paralelepípedo (coisa que aqui na minha cidade tem aos montes), quando de repente, ouço um tranco forte e metálico na região dianteira. Tinha acabado de passar por um buraco horrivelmente camuflado nos paralelepípedos. O Corvette dispõe de um “skid plate” que seria uma gaiola de proteção feita em alumínio que tem a função de proteger o pára-choques e o radiador dessas pancadas. Acabou que dessa vez, o skid plate não foi suficiente para segurar a bronca e o radiador foi atingido. É lógico que eu só fui perceber quando o carro começou a esquentar, mais tarde. Coincidentemente, esse evento foi pouco tempo antes da data programada para encostar o carro para ver o vazamento do óleo da direção hidráulica, bem como de outras miudezas. Acabei adiantando essa parada.

Skid-lado-pax

Skid plate lado do passageiro. É essa gaiola que se estende até o lado do motorista

Acontece que, na desmontagem, foi possível constatar que o skid plate estava trincado em diversos pontos (provavelmente de outras pancadas), o que exigiria solda alumínio antes da remontagem para que o mesmo pudesse voltar a cumprir seu papel adequadamente.

Danos-Skid

Danos no skid plate. Na segunda foto dá pra notar que até uma haste estava quebrada do seu ponto de solda original

Skid-OK

 Skid plate já consertado. Custo: R$ 70

Quanto ao radiador, foi feita a limpeza e solda dos pontos de quebra, bem como desempeno geral do mesmo, ele estava bem tortinho. Custo: R$ 180

Rad

 Radiador antes do conserto. Infelizmente não tirei foto dele depois de pronto

Vale lembrar que durante a realização do serviço no skid plate, radiador e verificação do vazamento óleo da direção hidráulica, foi feita a limpeza do sistema de ar-condicionado, troca do filtro de cabine e do óleo Capela RC-450.024 para compressor do ar, bem como a recarga do gás, ao custo de R$ 190,00.

Obviamente, que além desses serviços, rolou a mão de obra de desmontagem, remontagem e limpeza de tudo o que foi mexido, o que gerou uma mão de obra que, por questão de ética, não irei divulgar, mas posso dizer que não foi nada estratosférico.

 

8. A subsequente falha da bomba de água.

Alguns dias após retirar o carro da oficina, após todos esses serviços elencados, eis que aparece no painel o aviso de “baixo nível de água do sistema de arrefecimento”. Levei o carro imediatamente à oficina onde foram realizados os serviços, achando que poderia ser algo com o radiador ainda e veio o veredicto: vazamento de água pela bomba d’água. Acontece que, muito provavelmente por conta do carro ter circulado um pouco com esse vazamento no radiador, isso acabou gerando um estresse maior na bomba d’água, o que fez com que ela viesse a pedir arrego.

De qualquer forma, se essa informação procede ou não, levantei, após consultas ao CorvetteForum.com, que realmente essas bombas falham aleatoriamente (existem casos de bombas que falharam com 15 mil milhas e outros casos de carros com 100 mil milhas com a bomba ainda funcionando 100%). Resumindo, meu carro tinha 28.000 milhas e uma bomba falecida. E a mesma não tem manutenção, só comprando uma nova. Por sorte, achei a bomba da Gates (uma marca, de acordo com meu mecânico, muito boa) pelo valor de 100 obamas. Com frete e impostos, chegou por aproximadamente 1000 Temers. Após a troca da bomba d’água, o carro não apresentou mais nenhum problema de arrefecimento.

Bomba-nova

 A bomba d’água nova, praticamente uma obra de arte

 

9. Bônus 1: Tapetes Novos.

Uma coisa que fazia meus olhos arder de dor era olhar os malditos tapetes de borracha que vieram no Corvette. De acordo com o antigo dono, são “anti-derrapantes”, por isso a escolha. Vai entender né… De qualquer forma, após ter visitado um encontro de veículos antigos em Florianópolis, peguei o contato de uma empresa no RS que fazia os tapetes sobre medida. Resultado:

Tapetes

Ok, a cor não bateu 100%, mas o flash da foto que acabou enaltecendo essa diferença. Ao vivo, posso dizer que o resultado ficou excelente. Custo: R$ 140, com frete.

 

10. Bônus 2: Fotos!

Bom, pra quem reclamou no outro post que eu tinha postado poucas fotos, seguem algumas aí tiradas nesses últimos tempos, bem como um relatório dos últimos consumos do Vette.

placa2 [1280x768]

 No dia da troca de placas

mINI

 Placa mini na frente

Malas

Porta-malas antes (com o sub-woofer) e depois.

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Lavando

Vette-e-Challenger

Rolê com o brother de Dodge Challenger

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 Night Shot

Alguns flagras do insta:

E um breve relato das últimas médias de consumo do Vette:

Consumo

Bom, espero que vocês tenham curtido esse post (apesar de ter sido mais técnico), e por ora, gostaria de solicitar aos editores do FlatOut que meu projeto fosse colocado na geladeira, já que por enquanto não haverá mais grandes novidades no Vette (como o HUD funcionando, por exemplo). Aguardo ansiosamente os comentários, perguntas, questionamentos, conjecturas, colocações e similares abaixo. Valeu e um grande abraço a todos!

Por Danilo Serra, Project Cars #386

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