Um dos 402 De Tomaso Mangusta que existem no mundo está à venda por R$ 1,4 milhão – e vale cada centavo

Dalmo Hernandes 10 janeiro, 2017 0
Um dos 402 De Tomaso Mangusta que existem no mundo está à venda por R$ 1,4 milhão – e vale cada centavo

Quando se fala na De Tomaso, é do Pantera que todo mundo lembra – ele foi o grande sucesso da companhia italiana fundada por um argentino para vender carros para os americanos, e foi fabricado por 21 anos, entre 1971 e 1992. Foram mais de 7.290 unidades fabricadas neste período, o que não parece muito até lembramos que o Pantera era um superesportivo produzido em pequena escala e montado artesanalmente. É um carro raro, claro, mas não é um carro muito difícil de encontrar à venda.

O mesmo não pode ser dito de seu antecessor, o Mangusta, que teve apenas 401 unidades produzidas entre seus quatro anos de vida, entre 1967 e 1971.

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O Mangusta foi a primeira tentativa da De Tomaso de conquistar o mercado americano. Antes dele, a fabricante havia lançado o Vallelunga, um esportivo bonito e cheio de curvas equipado com um quatro-cilindros de 1,6 litro e 104 cv oriundo do Ford Cortina, do qual só fizeram 50 exemplares. Ele não fez muito sucesso porque, além de não ser muito rápido, seu chassi do tipo espinha dorsal (como os Lotus da época) não era dos melhores em termos de rigidez.

Foi aí que Alejandro De Tomaso decidiu mudar de estratégia e concentrar as vendas de seus carros no outro lado do Atlântico. Para isto, ele firmou uma parceria com a Ford, que forneceria motores V8 para seu novo modelo.

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O Mangusta é um belo carro, com carroceria desenhada por Giorgetto Giugiaro e, na boa, é um carro tão bonito quanto o Pantera. Na verdade, ele tem até mais charme com sua carroceria mais baixa, com o topo dos para-lamas traseiros quase encostando na linha do teto, e a tampa dupla do motor, que se abre como as famosas portas asa-de-gaivota do Mercedes-Benz 300SL Gullwing.

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O monobloco do Vallelunga foi modificado e reforçado para o Mangusta, a fim de permitir que se equipasse o carro com motores V8 no lugar do quatro-cilindros em linha. Eram duas opções de motor V8 Ford: o 289 HiPo da família Windsor, de 4,7 litros, com 306 cv; ou o V8 do Mustang Boss 302, que também era baseado na família Windsor. O primeiro equipou os cerca de 150 carros vendidos na Europa, enquanto o segundo era encontrado nos carros restantes, para o mercado americano.

A potência do 302 era declarada em 221 cv, mas na prática ficava em cerca de 300 cv. Vale lembrar que estamos falando daquilo que, na prática, é um motor de corrida que era oferecido nos carros de rua como opcional, em uma versão amansada, para fins de homologação.

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Ele tinha o bloco reforçado, com quatro parafusos por mancal e feito de uma liga rica em níquel, com paredes mais espessas e deck mais alto, enquanto o cabeçote vinha do motor Cleveland 351, que tinha dutos enormes e válvulas preenchidas com sódio para reduzir a temperatura. O comando tinha tuchos mecânicos em vez de hidráulicos e um graduação muito mais agressiva, enquanto o virabrequim era forjado e as bielas, bem mais avantajadas. Com carburador Holley e coletor de admissão de alto fluxo, era um motor girador, podendo passar dos 8.500 rpm — rotação estratosférica para um V8 americano das antigas. E também era muito potente, arranhando os 500 cv na versão de competição. A versão de rua, além de mais mansa, girava menos, com rotações limitadas a 6.150 rpm. Mas não deixava de ser impressionante.

E saca só o potencial do bicho

Para não dizer que o motor do Mangusta era completamente idêntico ao do Mustang Boss 302, é possível que o comando de válvulas fosse diferente. Mas todo o resto é igual.

Era o bastante para que o Mangusta chegasse aos 100 km/h em cerca de seis segundos, com velocidade máxima de 250 km/h de acordo com o lendário jornalista americano Paul Frére.

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Ele só tinha um problema: 0 V8 atrás dos bancos tornava sua distribuição de peso ridícula, com apenas 32% de seus 1.300 kg na dianteira e 68% concentrados na traseira. Com isto, o Mangusta não era dos carros mais fáceis de controlar.

Isto acabou comprometendo o sucesso do carro, e levou a De Tomaso a mudar a fórmula no Pantera: os motores eram os mesmos, mas a estrutura agora era um monobloco de alumínio, mais rígido e leve.

É claro que, hoje em dia, isto não faz tanta diferença – as falhas perdem muito da importância quando um carro se torna clássico. Ainda mais no caso do Mangusta, que é muito mais raro que o Pantera.

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Encontramos anunciado no eBay este Mangusta 1969 americano, que está descrito como um dos primeiros exemplares. É tão difícil um exemplar aparecer à venda que não estamos nem nos importando com o fato de este carro ter algumas características diferentes das originais, como as faixas nas laterais, capô, teto e deque traseiro (que parecem inspiradas pelo Ford GT40); e também a asa traseira integrada.

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Além disso, dá para ver que o interior não está 100% impecável, com alguns acabamentos soltos e marcas do tempo e um aparelho de som moderno.

Mas quem se importa? Isto são detalhes fáceis de se corrigir. Embora seja um carro que precisa de cuidados para voltar às condições originais ele, já tem preço de carro de coleção: US$ 425.000, ou o equivalente a R$ 1,38 milhão em conversão direta, sem impostos e taxas. Se for restaurado, seu valor certamente vai passar dos US$ 500 mil.

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