Um dos dois Lamborghini Countach Turbo S que existem no mundo foi encontrado depois de 30 anos

Dalmo Hernandes 8 maio, 2018 0
Um dos dois Lamborghini Countach Turbo S que existem no mundo foi encontrado depois de 30 anos

Recentemente você deve ter visto aqui no FlatOut a notícia de que a Lamborghini eventualmente adotará tecnologia híbrida em seus supercarros a partir de 2026. O CEO da marca italiana, Stefano Domenicali, confirmou a informação, e já cantou a bola: mesmo depois que se tornarem híbridos, os Lamborghini continuarão usando motores a combustão naturalmente aspirados – nada de turbos, como é regra desde que a Lamborghini foi fundada 55 anos atrás, em 1963. Tudo bem que eles tenham tração nas quatro rodas e câmbio de dupla embreagem, mas caracóis no motor? Nunca.

Mas é claro que houve quem tentasse mudar esta história. Como Walter Wolf contribuiu para o desenvolvimento do Countach, um distribuidor suíço e seu engenheiro de confiança trabalharam para tornar o Countach um pouco mais potente. Quanto? Bem, com dois turbocompressores ele ficou mais potente até mesmo que o atual (e já veterano) Aventador. Mas… como assim?

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O Lamborghini Countach teve uma vida longa: apresentado na forma de conceito pela primeira vez em 1971, o superesportivo com design de Marcello Gandini estabeleceu a fórmula básica seguida até hoje pela fabricante de Sant’Agata Bolognese: perfil em forma de cunha, com uma linha quase ininterrupta do bico à traseira; visual extravagante; dois lugares e um V12 central-traseiro em posição longitudinal. Quando chegou às ruas, em 1974, o Countach LP400 contava com a força dos 375 cv e 36,8 mkgf de seu motor naturalmente aspirado de 3,9 litros. Com o passar dos anos este motor, concebido originalmente para o primeiro de todos os Lamborghini – o 350 GT, grand tourer de motor dianteiro – foi crescendo em deslocamento e rendimento ao longo dos anos.

Em 1982, por exemplo, foi Lamborghini Countach LP500 S, que passou a usar um motor de 4,8 litros que, apesar de entregar os mesmos 375 cv, tinha mais torque (42,6 mkgf). A taxa de compressão reduzida fazia dele um motor mais durável, e o aumento no torque garantia o melhor desempenho.

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Foi pouco depois, com base no Countach LP500 S, que o engenheiro decidiu criar uma edição especial turbinada – provavelmente influenciada por outros superesportivos da época: a Ferrari tinha a 288 GTO, a Porsche tinha o 911 Turbo e até mesmo marcas mais populares, como a Ford e a Peugeot, estavam lidando com carros turbinados por causa do Grupo B de rali – o Ford RS200 e o Peugeot 205 T16 eram praticamente superesportivos disfarçados de compactos, com direito a motor central-traseiro e potência que arranhava os 800 cv nas versões de competição. Além disso, é possível que a Lamborghini também tenha sido influenciada pelos motores turbos adotados na Fórmula 1 naquele período, com carros que superavam os 1.000 cv quando acertados para classificação.

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Este suíço era Max Bobner, representante da Lamborghini em seu país e proprietário de um Countach LP500 S. Bobner pediu ao engenheiro austríaco Franz Albert para adaptar dois turbos ao V12 do Countach porque, aparentemente, o desempenho do supercarro naturalmente aspirado não era suficiente para ele.

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Faltam detalhes técnicos a respeito da modificação – afinal, estamos falando de um projeto dos anos 80 sobre o qual não se sabe muito até hoje – mas o que se sabe é que o Countach recebeu dois turbocompressores e um sistema de pressão variável. Um botão giratório ao lado da coluna de direção permitia escolher entre 0,7 e 1,5 bar.

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Com a pressão mais baixa, o V12 passava a entregar 520 cv – 145 cv a mais que os 375 cv originais. Já com a pressão mais alta, eram nada menos que 757 cv, ou pouco mais que o dobro da potência de fábrica. Em 1984, cara! Vale lembrar: um V12 projetado em 1963, com seis carburadores, tinha 57 cv a mais que o motor do Lamborghini Aventador na época do lançamento, em 2011.

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Com câmbio manual de cinco marchas e tração traseira, o chamado Countach Turbo S era capaz de ir de zero a 100 km/h em 3,7 segundos, com velocidade máxima de nada menos que 360 km/h. O Aventador LP700-4, com tração integral, câmbio automático de sete marchas e quase 50 anos de desenvolvimento técnico a seu favor, vai de zero a 100 km/h em 2,9 segundos e tem velocidade máxima declarada de 350 km/h.

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Valentino Balboni e o Countach Turbo S vermelho, em uma de suas últimas aparições públicas no fim da década de 1980

De acordo com a história, Franz Albert modificou dois exemplares do Countach para Max Bobner, um vermelho e um preto. Algumas fontes dizem que o carro vermelho foi o protótipo de testes, enquanto que o carro preto era o primeiro exemplar de produção de uma série limitada que Bobner pretendia vender em sua concessionária. Ambos eram praticamente originais por fora, com exceção de um enorme letreiro “TURBO” na parte inferior das laterais.

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Até pouco tempo atrás apenas o carro preto tinha seu paredeiro conhecido – o carro está em uma coleção particular na Alemanha e de tempos em tempos posa para fotos. Já o carro vermelho supostamente foi enviado para os Estados Unidos, em Las Vegas, no estado de Nevada.

Quem o encontrou foi uma revenda de supercarros clássicos chamada Curated, que fica em Miami, na Flórida. Sempre a procura de superesportivos vintage em território americano, o fundador da Curated, John Temerian, decidiu investigar.

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O carro estava em um galpão, ao lado de outro Countach. Ligando para o proprietário do lugar, Temerian descobriu que nenhum dos carros estava à venda, mas recebeu autorização para vê-los de perto.

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Ao examinar o carro de perto, Temerian não teve dúvidas: se tratava do carro vermelho que estava perdido desde 1988. E ele estava todo original: a pintura vermelha metálica, as rodas combinandos, e até mesmo os pneus Pirelli P7R de fábrica – os traseiros com 345 mm de largura para passar toda a força do motor para o chão. Eles estão enre os pneus mais largos já colocados em um carro de fábrica até hoje.

Segundo Temerian contou no blog da Curated, foram precisos oito meses de negociação para que ele conseguisse comprar o Countach Turbo S vermelho, que não estava à venda. Segundo ele o carro será oferecido pela loja, mas primeiro será necessário encontrar mais documentação e obter mais informações a respeito da história do carro antes de estabelecer um preço.

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De todo modo, o fato de ele ter encontrado um carro dado como desaparecido por quase três décadas já é digno de nota. Ainda mais se tratando de um dos dois Lamborghini Countach Turbo S que existem no mundo.