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Project Cars Project Cars #44

Um Ford Escort mk1 ao melhor estilo dos ralis clássicos: conheça o Project Cars #44!

Olá galera do FlatOut! Sou Daniel Pita, tenho 26 anos, sou engenheiro mecânico e um petrolhead. Minha paixão por automóveis vem desde pequeno por influência do meu pai, que sempre teve carro antigo – apesar de ele ter uma linha de gosto diferente da minha. Ele prefere carros originais, eu já prefiro carros depenados, com rollcage, motores preparados, etc.

Enfim, eu sempre gostei mais de carros esportivos e de competição, e alguns dos culpados foram os games Gran Turismo 1 e 2 e o Rally Championship de 1995, que me fizeram virar um fanático por carros de rali. Para vocês terem uma ideia, em 2008 vendi um Maverick V8 que eu tinha e comprei um Subaru Impreza GT 2000, que sonhava desde a época destes jogos.

Adorava o carro, mas depois me arrependi. O carro era relativamente frágil, dava muito problema, a manutenção era cara. Desisti de continuar com ele e vendi. Em 2011 comprei um carro nacional para o dia a dia e planejei ter um projeto em paralelo para me divertir, já que estava começando a participar de track days e de outros eventos do tipo.

 

O projeto

Meu Project Car seria um carro antigo para usar e abusar em track days, subidas de montanha, ralis de regularidade e rolês de final de semana com os amigos e namorada – quem sabe, até tentar disputar a Copa Classic.

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Sempre fui muito fã de esportivos europeus e, por isso, me identifico muito com os carros do jogo GT Legends (quem não jogou, recomendo). O game reúne clássicos como Mini Cooper, Ford-Lotus Cortina, Lotus Elan, Porsches, BMW, Escort, Capri, dentre outros. E minha ideia era criar um carrinho neste estilo e que eu pudesse fazer tudo em casa, já que sempre mexi nos meus carros e sou do estilo “Do It Yourself”.

Com essa preferência de carros, fui procurar algo no mercado nacional. Olhei Fiat 147, Chevette, Gordini, Karmann Ghia, Corcel, Puma, Opala, etc. Decidi pelo Chevette, por ser um automóvel de tração traseira leve, barato de manter e igual aos Opel Kadett C. Minha intenção era montar um Chevette AP ou com motor GM 2.0. Achei alguns exemplares interessantes na internet e quase fechei negócio em um que estava no Paraná.

Mas, por sorte ou não, o destino me reservou uma surpresa. Resumindo a história, fui ajudar um amigo a vender um Maverick GT para um colecionador e voltei com um Escort Mk1 1300 GT de 1971. O carro estava em bom estado, mecânica boa e lata também, alguns detalhes a fazer, mas nada sério. Ah, e já estava depenado de forrações e tinha um santo antônio traseiro, justamente o que eu planejava fazer no Chevette, caso tivesse o comprado.

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Eu nem acreditava. Achei o carro que sempre me tirou o sono. Sempre sonhei em ter um, mas até então nunca imaginava achá-lo no Brasil… Aí ferrou! Perdi horas e horas na internet pesquisando tudo sobre este automóvel, achei fóruns, lojas, livros e mais um monte de coisa. Com esse monte de material, decidi o que iria fazer nele. Vi que seu motor oferece muito potencial de preparação e que na Inglaterra (país de origem dele) encontra-se todo tipo de peça para o Escort mk1. Praticamente dá pra montar um veículo zero km com a quantidade de peças que eles vendem lá fora.

Lá em cima eu falei que, por sorte ou não, achei um MK1, estão lembrados? Pois é: o “não” se refere à grana torrada em frete, impostos e conversão cambial das peças importadas da Inglaterra. Mas tudo bem, resolvi aceitar isso para manter o meu sonho, mesmo que isso adie, e muito, o final do projeto…

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Aliás, o projeto já está em andamento. Logo que peguei o carro achei que o upgrade mais importante no momento seria instalar um diferencial autoblocante. Comprei na Inglaterra e mandei trazer para o Brasil. Como não manjo nada de diferencial, mandei para um amigo mecânico instalar o componente. Não preciso nem falar que o Escort mudou da água pro vinho! Agora as curvas estão muito mais divertidas de serem contornadas, principalmente nos dias de chuva e na terra.

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Uma coisa que me incomodava muito era o assoalho do interior do carro, forrado com uma grossa camada de manta asfáltica. Quando fui instalar o cinto de quatro pontas e fiz o furo no assoalho para encaixar o parafuso, percebi que sob a manta estava começando a aparecer pontos de ferrugem. Não tive dúvida: no mesmo dia comecei a desmontar o interior e a raspar a maldita manta!

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Foi o “trabalho mais trabalhoso” que fiz nele até agora. A camada de asfalto não saía por nada. Tentei de tudo: soprador térmico, thinner, maçarico… e a manta custava a sair. Resumo da ópera: demorei quatro meses para raspar, lixar o assoalho todo e deixar na lata. Depois pintei tudo de preto para facilitar futuros reparos e retoques, e remontei o interior.

Isso foi apenas o começo. O carro já está em uma fase mais avançada. Para o futuro, o motor receberá uma leve preparação, instalarei rodas mais largas, serão feitas melhorias na suspensão, o rollcage será integral e estará ligado às torres dos amortecedores, alguns reforços no monobloco serão feitos, câmbio de cinco marchas de Ford Sierra e, por último, penso em fazer toda a funilaria do carro. Tudo isso será assunto para outro post. Valeu!

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Por Daniel Pita, Project Cars #44

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