Um Kadett de 411 cv: a história do Project Cars #457

Leonardo Contesini 22 outubro, 2017 0
Um Kadett de 411 cv: a história do Project Cars #457

Fala, galera do FlatOut! Tranquilo?! Meu nome é Hygor Uyeno, tenho 23 anos, sou aluno de Engenharia Mecânica e hoje proprietário da HGRacing Preparações. Bom, vou contar em três partes a vocês um pouco de tudo que passei com esse Kadett SL/E 93 1.8 de 99cv, desde o inicio de todas as ideias até a finalização do PC com um C20NE Turbo de 411cv, que é como o carro está hoje!

Bom chega de enrolação e vamos lá, tudo começou no início de 2012, havia acabado de sair de uma empresa em que trabalhava e como já estava procurando o carro por algum tempo estava com o dinheiro na mão! A ideia principal na época era um Corsa GSi, seria um hot hatch leve, com o famoso 1.6 16v, completo e direito a teto solar. Procurei por um bom tempo e nada. Sequer tinha visto um na rua, até que um dia de manhã achei um na cor que queria, branco. O preço era razoável mas precisava ser refeita a mecânica. Sem pensar duas vezes liguei para o vendedor e combinei de ir ver o carro.

Como na época só tinha 17 anos e não conhecia o local pedi minha mãe para me levar até o lugar. Só que tinha um problema: ela também não sabia onde ficava. E como já era de se esperar chegamos lá 30 minutos atrasados, o suficiente para o carro estar em cima do guincho, partindo para a garagem de seu novo proprietário. Foi por pouco.

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Voltei para casa bem triste, pensando que nunca mais ia achar outro igual com o mesmo valor (e não estava errado) resolvi então ir à procura de outros carros. Em casa era uma disputa entre VW e GM: meu avô paterno sempre teve VW, mas na época eu só tinha como referência Passat VR6 e Golf GTI, meu pai teve um Corsa mas sempre foi um fã dos AP! Do outro lado da família meu outro vô tinha uma D20 e um Monza de dar inveja, era único dono da cor vinho, SL/E 2.0 EFI, pesquisei entre esses carros por alguns meses e alguns logo de cara descartei pela manutenção elevada ou pelos valores absurdos na época.

Mas se você pensou que eu desisti!? Negativo. Como a maioria de vocês eu ia fazer meus 18 anos, fazer a CNH e precisava de um carro e rápido! Depois de vários anúncios e vários e vários carros que fui ver pessoalmente, me apareceu um que era bem interessante: Kadett SL/E 1.8 EFI a álcool. Era um hatchback de duas portas interessante, tinha um motor C18NZ com uma manutenção barata, confortável e completo. Só não tinha teto solar.

Chamei meu amigo Caio Rocha do PC #268, e já joguei na lata:

— E aí? O que você me diz do Kadett?

— Pode comprar que é top!

— Tem certeza?

— Compra logo, lazarento!

Então fui até o local ver o carro e dessa vez fechei negócio!

Não tinha nada melhor do que ficar olhando cada detalhe do carro, inspecionando tudo o que tinha sido feito pelo antigo dono. Por sorte, não havia muitas coisas fora do original, só senti falta do chicote original do som e das rodas, mas paciência. Isso era fácil de se arrumar — nada que em alguns meses não fosse ajeitado. Bom como eu havia feito muitos cursos na área automotiva quando era moleque decidi fazer tudo eu mesmo, sendo assim economizando na mão de obra, a final não tem nada melhor do que você ter a ciência onde cada parafuso está e onde deve permanecer.

Resolvi todos os problemas elétricos que o carro tinha e todas infiltrações que haviam aparecido em dias de chuva, as rodas eram 13 e os pneus estavam novos então optei por aguardar mais algum tempo até trocar as rodas, e então o carro permaneceu assim por um bom tempo.

 

Mas como nem tudo são flores… – Parte 1

Já havia andado quase um ano com o carro sem qualquer novidade. Não baixava agua nem óleo, suspensão ok e pneus ainda meia vida. Mas um belo dia fui levar minha mãe até SP e o carro apagou simplesmente desligou no meio do trânsito, sem mais nem menos.

Não havia centelha mas tinha pulso no bico e logo pensei: “perdi a bobina”. Rebocamos o carro até em casa por um longo percurso até que no outro dia fui atrás de outra bobina.

Instalei a nova, fui ligar o carro, e adivinha? Nada de centelha. Como não conhecia muito bem a injeção Multec700 pedi ajuda a um conhecido na época que acabou virando um grande amigo meu. Liguei para o Gomes perguntei se ele poderia me ajudar, mas logo de cara ele já me falou “essa injeção dá muito problema no módulo “HEY”. Pensei na hora: “Mas que @#$# de modulo é esse? Onde fica isso?”

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Foi assim, amigos, que fiquei sabendo que a bendita injeção tinha essa má fama! Trocamos o módulo HEY e voltou a funcionar. Ufa! Que alívio! Comprei um módulo original que por sinal na época era muito caro e comprei um paralelo que custava mixaria e deixei no porta luvas. E essa foi a única vez que fiquei na rua, não na mão mas na rua!

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Problema resolvido então vamos voltar aos planos de estética né? Não… rodei mais um tempo com o carro e começou a fumar, vamos lá ligar para o Gomes novamente. Depois de alguns testes chegamos à conclusão que era anéis e que não compensaria abrir o motor para trocar só os anéis, então vamos fazer o motor inteiro? Vamos sim!

Sem esperar muito tiramos o motor do carro, desmontamos tudo e levamos para a retífica. Como era tudo std o virabrequim foi para 0,25 Pistão 0.50 a álcool, cabeçote foi só dado um passe e feito teste de trinca. Fiz uma lista bem rápida em casa do que teria de ser comprado, dês de retentor até parafuso.

E então fiquei mais alguns meses sem carro novamente, mas tá bom né? Pelo menos eu teria um motor praticamente novo e confiável novamente sem se preocupar por um bom tempo!

Hora da montagem, torquímetro estalando pra cá e pra lá, baixamos várias tabelas de apertos à risca, com todas as folgas e medidas conferidas.

Certo! Agora é só dar a partida vamos lá!

Espera! Espera! Espera! Tem óleo no chão!

Eu bem que queria uma foto desse momento, mas na hora fiquei tão P#to que não queria saber de mais nada, fomos olhar e a retífica esqueceu de tampar um furo no bloco que tem em todos F2, e por sinal também não percebemos né! Que bonito!

Com tudo isso tinha passado apenas uns dois anos com o carro, voltei a andar numa boa com o motor “novo” o carro tinha um comportamento totalmente diferente do que estava acostumado, tinha mais torque e potência, mas que logo com o passar do tempo acabei acostumando e acabou perdendo a graça, e ai acabei percebendo que eu mais andava perto do corte de giro do que em rotações medias, estava virando um verdadeiro cupim de aço, andei 20 mil km assim e pensei melhor dar uma maneirada e andar de boa afinal se parava uma velinha no farol com um carro mais forte já era digno de arrancada. Piada!

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Quando então resolvi andar numa boa peguei um buraco, um buraco não, aquilo era uma passagem para outra dimensão, certeza que era dali pra Nárnia, mas tudo bem né? Nosso asfalto quase não tem buraco mesmo, foi só um buraco nada demais!

 

Mas como nem tudo são flores… – Parte 2

Andei mais uns 80km até que cheguei em casa fui abrir o portão e deixei o carro ligado, quando cheguei próximo ao capo um tec tec tec diferente, bem baixinho mas diferente. Como eu tenho umas paranoias pensei que poderia ser rolamento de embreagem ou algo do tipo, aliás o motor era tudo novo não tinha o que se preocupar, passou uns dias então e o maldito barulho foi aumentando até que percebi que estava rajando!

Na hora aquele pensamento, não é possível, esse carro está zombando comigo!

Não queria acreditar que o motor novo estava rajando, fui na ideia então de tirar o cárter para verificar as bronzinas de biela pois algo estava errado ali, foi quando então depois de tirar o protetor vi que o cárter estava todo amassado e na hora já lembrei, MALDITO BURACO, ele se amassou e “prensou” contra o pescador de óleo, ou seja tinha pressão de óleo suficiente para não ascender a luz mas não para lubrificar todas galerias em altas rotações.

Pensei, pensei e pensei… se trocar só as bronzinas não vai valer a pena pois o pouco que a pressão de óleo caiu perdi meu comando e logo já imaginei que as camisas estivessem todas riscadas que mais para frente voltaria a fumar tudo novamente, fora quanto pó de limalha não teria contaminado o óleo que estava ali.

Bom… Vamos fazer tudo de novo, paciência só aceitar e fim!

Mas espera, se vamos fazer tudo não é melhor montar aspirado?

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É. E é disso que vou falar na próxima parte: como era minha receita aspirada, com injeção programável 4 bicos com volante aliviado e por aí vai. Se você leu até aqui em baixo fico feliz que está acompanhando a história do meu PC, obrigado e até a próxima!

Por Hygor Uyeno, Project Cars #457

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