Edição diária: 20/06/2019
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Project Cars Project Cars #165

Um legítimo Citroën C4 VTS no Brasil – a história do Project Cars #165

Buenas, gurizada! Meu nome é Cesar Leal, e venho apresentar um dos poucos exemplares do Citroën C4 VTS que existem atualmente no Brasil.

Apesar de não entender muito e não ter todo conhecimento técnico como muitos aqui, tenho uma paixão por carros desde pequeno. Hoje tenho 38 anos e me permito algumas loucuras como ter dois VTS — um C4 2005 e um Xsara 1998 que passou pela mesma situação do C4: uma reforma geral, para deixar o carro impecável e utilizável com atualização de freios, troca de mangueiras, amortecedores etc. Mas esse é outro assunto…

 

Desde 2004 só tive Citroën: um Xsara GLX 1.8 vermelho Lúcifer que mais tarde foi preparado com cabeçote, comandos, coletor de admissão, TBI e coletor de exaustão de Xsara VTS 2.0 o que rendeu alguns cavalos a mais para que pudesse participar das antigas provas de subida de montanha que tínhamos em Osório e Teutônia aqui no Rio Grande do Sul e em Campo Largo no Paraná, onde participei uma vez já com o C4 VTR 2008 (sem preparação nenhuma) depois de dirigir 870 km.

Então chegando ao C4 VTS, fui avisado por amigos que na cidade de Caxias do Sul/RS existia um exemplar a venda. Conversando com um e outro fui aguardando pois através dos fóruns que participo lia quase todo dia alguma notícia referente e este carro, e não queria estragar o negócio de ninguém, acredito que se algo deve ser seu, será, mas no tempo certo.

Passados alguns meses, não lia mais notícias do C4 VTS, já imaginava que deveria estar na mão de algum outro louco. Por acaso, trabalhando em Caxias do Sul/RS, passei na frente da loja onde o carro estava, fiz a volta e acabei entrando. Conversando com um senhor, já meio “cabreiro” pois como ele mesmo comentava “o carro tinha chamado muita atenção, até ligações do Rio e de São Paulo” teria recebido, mas ninguém concretizou nada.

Olhei rapidamente o carro, que estava sem bateria e por isso não pude ligar naquele momento. Como tinha compromisso não pude ficar mais do que 15 minutos, então combinamos que voltaria mais tarde para olhar com mais calma e fazer um test drive. Conforme combinado voltei e o carro já estava na frente de loja, com bateria recarregada. Consegui olhar tudo, retirando as borrachas olhando por baixo e onde mais consegui, andei, achei razoável e já com uns quarenta minutos de conversa o valor do carro tinha baixado uma quantia considerável. Liguei para um amigo que tem uma mecânica especializada em PSA na cidade de Bento Gonçalves/RS e pedi para que me ajudasse a decidir se a compra valeria a pena.

Marcamos e mandei um guincho buscar o carro e um vendedor, chegando em Bento, andamos novamente, colocamos no elevador e verificamos que o estado mecânico do carro era compatível com um carro de praticamente dez anos de uso. Obviamente a pintura estava bem mal cuidada, mas seria um processo de recuperação que faria com muita calma (assim imaginava), os faróis direcionais foram substituídos por faróis comuns, os sensores de troca indevida de faixa não estavam instalados além de dois conectores dos sensores de estacionamento dianteiros e traseiros apenas desconectados e acusando erro.

Chorando as pitangas (como se diz por aqui) e com muita insistência o preço baixou mais um pouco, bati o martelo, nos acertamos e o carro não voltou para Caxias do Sul/RS.

Fizemos uma breve manutenção, para que pudesse andar com segurança, como troca de discos de freio, pastilhas, correia dentada e do alternador, fluidos, filtros e ligamos tudo que estava desligado ou desconectado como os sensores de estacionamento e o botão do ESP. Abasteci com gasolina Pódium e levei para a Citroën.

Na concessionária Citroën em Bento Gonçalves/RS fizemos a atualização de sistema, recall na manta de isolamento acústico do compartimento do motor além da troca de um chicote na traseira do carro além de apagar e corrigir dois erros que apareciam no painel.

Recall_c4

Isso foi o básico, após comecei a garimpar os materiais que estavam em falta. Comprei os faróis direcionais adquiridos de um VTR com batida na traseira e perda total na região de Passo Fundo/RS, e os sensores de troca involuntária de pista encontrei uma unidade na concessionária e as outras cinco vieram de um amigo do Paraná. Com um muita ajuda consegui as peças e parti para um Track Day em Santa Cruz do Sul/RS.

Após o Track Day senti a necessidade de freios um pouco melhores, já que na segunda volta fiquei sem freio, e de uma melhora no desempenho do carro. No caso dos freios, eu já tinha um jogo Brembo de quatro pistões com pastilhas e discos, que seriam usados no Xsara VTS, mas abandonei esta opção pois teria de colocar rodas maiores e não me agradava esta opção, então resolvi usar no C4, faltando apenas adaptar e instalar.

Para a potência optei por remapear e obtive um ganho de 10cv medido no dinamômetro conforme mostra o vídeo e as fotos.

Teste Dino (2) Teste Dino (1) Teste Dino (3)

Mas tinha algo que não saia da minha cabeça: O MOTIVO DO CARRO NÃO ESTAR COMPLETO. Decidi pesquisar mais e mais sobre o carro, não consegui respostas satisfatórias e decidi desmontar para ver se encontrava alguma pista no próprio carro que pudesse me contar seu passado. Foi assim que descobri que o carro realmente tinha sofrido um abalroamento, mas estava alinhado e sem grandes ou graves avarias. Vendo aquele carro desmontado e sem interior resolvi repintá-lo.

Busquei por vários dias um bom lugar onde pudesse deixar o carro e que tivesse um serviço de qualidade com preço acessível e com garantia, encontrei em uma cidade próxima chamada São Pedro da Serra/RS. No próximo post vou contar mais sobre a  decisão de trocar de cor, pintura, encomenda das peças novas e a compra dos comandos. Até lá!

Por Cesar Leal, Project Cars #165

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