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Achados meio perdidos

Um legítimo Mercedes-Benz 190E Cosworth à venda no Brasil

Um dos especiais de homologação mais legais da história é um sedã relativamente careta que se transformou em um mito: o Mercedes-Benz 190E Cosworth, feito para que a Mercedes pudesse competir no WRC. Se eles desistiram antes de começar, ao menos o mundo ganhou um dos melhores Mercedes de todos os tempos. E nós encontramos um deles à venda no Brasil!

Bem, tecnicamente a Mercedes não desistiu de competir com o 190E. Não podemos culpá-los por cancelar a inscrição no WRC — era o início dos anos 80 e a Audi havia acabado de lançar o Quattro, com motor turbinado e tração integral, e quase que instantaneamente todos os outros concorrentes ficaram obsoletos. Na verdade temos que agradecer, porque se não fosse esta retirada estratégica, não teríamos um 190E Cosworth de rua para cobiçar e escrever a respeito.

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Havia outro campeonato importante onde a Mercedes se sentiria literalmente em casa: o Deutsche Touring Meisterschaft, ou simplesmente DTM — o Campeonato Alemão de Turismo. Com tração traseira e um belo motor, o 190E Cosworth certamente faria bonito. Só que, para se qualificar, o carro de corrida precisava ser baseado em um carro de rua. Foi aí que tudo começou.

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O sobrenome Cosworth vem do cabeçote do motor desenvolvido pela empresa britânica. O bloco vinha do motor M102, de quatro cilindros, que estreou no 190E W201, e tinha versões de 1,8 a 2,3 litros. Com o cabeçote original, de 8 válvulas, o motor 2.3 produzia 136 cv. Com o cabeçote da Cosworth, feito de liga leve, com comando duplo e quatro válvulas por cilindro, a potência chegava 320 cv (!). Para os carros de rua o motor foi amansado para 185 cv a 6.200 rpm e 24 mkgf de torque a 4.500 rpm. Com ele, o 190E 2.3-16 Cosworth de rua chegava aos 100 km/h em menos de oito segundos e a velocidade máxima era de 230 km/h.

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Mas o motor não era a única exclusividade do 190E Cosworth. A carroceria recebia um kit aerodinâmico que reduzia o coeficiente aerodinâmico para 0,32 — um dos menores entre os sedãs na época —, a direção era mais direta, o tanque de combustível tinha sua capacidade aumentada de 55 para 70 litros e o câmbio Getrag de cinco marchas era do tipo dogleg — com a primeira marcha para trás. Lembra do James May confundindo as trocas no Top Gear?

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O interior só acomodava quatro pessoas, com bancos Recaro na frente e banco traseiro com muito apoio lateral para os passageiros. Além dos instrumentos básicos no painel, o console central trazia termômetro de óleo, voltímetro e cronômetro.

O 190E 2.3-16 também trazia diferencial de deslizamento limitado, bem com o o sistema ASD da Mercedes — um sistema eletrônico que otimiza a tração bloqueando o diferencial entre 15% e 100% dependendo da situação. A suspensão também é melhorada: mais baixa e mais rígida, com amortecedores de curso mais curto, barras estabilizadoras maiores e regulagem hidráulica na traseira. 

Depois de tudo isto, é simplista demais dizer que este carro é especial só por causa do motor Cosworth. E quer saber de mais um detalhe bacana? O carro foi apresentado em setembro de 1983 no Salão de Frankfurt, e passou por um teste de longa duração de 50.000 km no circuito de Nardò, com velocidade média de 247,94 km/h. No ano seguinte, o carro foi usado na corrida inaugural do novo GP de Nürburgring. Quem venceu? Um novato chamado Ayrton Senna.

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Seria bacana ter um carro com tanta história, não é? Pois você pode: nós encontramos um 190E Cosworth à venda no Brasil. Trata-se de um 190E fabricado em 1985, pintado na cor Pearl Black. Segundo o anúncio no Webmotors, o carro rodou apenas 75.000 km e está impecável — só é uma pena que as fotos não mostrem mais detalhes. O anúncio diz ainda que é um carro de embaixada — uma das maneiras mais comuns para que um carro importado raro chegue ao Brasil.

Quanto pedem por ele? Para nós, um valor justo: R$ 59 mil — menos do que muitos clássicos nacionais que estão à venda por aí. Você encararia?

[ Webmotors, dica do leitor Luiz Takumii ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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