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Achados meio perdidos Car Culture

Um legítimo Renault 5 Turbo do Grupo B de rali à venda é algo raro de se ver

Uma característica marcante do Grupo B de rali era o modo como as fabricantes transformavam carros baratos e sem graça em verdadeiros monstros para a competição. O Renault 5 Turbo é um dos melhores exemplos disso: em sua encarnação civil, ele era um hatchback de tração dianteira típico do anos 70 e 80: compacto, econômico e leve. Na versão de competição, era um bólido de motor central-traseiro muito mais potente, com entre-eixos curto e comportamento extremamente arisco – um carro de rali, afinal de contas.

Já faz um bom tempo que contamos a história do Renault 5 Turbo aqui no FlatOut, tanto da versão de rua quanto do modelo de competição. Para se ter uma ideia, foi em 2015, e só agora um exemplar apareceu à venda. Mas vamos falar disso depois. Primeiro, vamos dar uma olhada no carro.

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O Renault 5 (ou R5) foi lançado em 1972 e era um carro bastante competente, com espaço interno surpreendente para seu tamanho, suspensão com barras de torção que garantia um rodar relativamente confortável pelas irregulares vias francesas, e até seu design minimalista e funcional colaborou para sua boa aceitação – ele é meio esquisitinho comparado a alguns contemporâneos, como o VW Golf e o Ford Fiesta da época, mas depois passou a ser considerado chic.

Saca só quanta elegância

Suas dimensões compactas e dirigibilidade acertada foram os fatores que levaram Renault a optar pelo R5 como base para sua resposta ao sucesso do Lancia Stratos no rali – por questões de custo, era mais prudente aproveitar um projeto existente do que desenvolver um novo carro, com chassi tubular e carroceria própria. Aproveitando o entre-eixos curto e a boa reputação do carro, a Renault poderia até se beneficiar nas vendas caso a versão de rali fosse um sucesso.

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O carro aproveitava boa parte do monobloco original do Renault 5, mas toda a porção atrás dos bancos era retrabalhada para receber o conjunto mecânico. Originalmente, deveria ser um V6, mas a Renault não tinha dinheiro para isto. Por isso, o quatro-cilindros de 1,4 litro original da versão de rua foi aproveitado na versão de rali, com turbo e até 300 cv, movendo as rodas traseiras – ele não tinha tração integral como outros ícones do Grupo B que vieram depois, como o Peugeot 205 T16.

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Ele também era menos potente, e por isso, acabou ficando em desvantagem rapidamente. Isto não significa, porém, que ele não era competente: em 1981, o Renault 5 Turbo venceu o Rali Monte Carlo, mais três vitórias – no Tour de Corse, na França, em 1982 e 1985; e no Rallye de Portugal de 1986.

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É justamente um exemplar de 1981 o carro amarelo que aparece nestas fotos. O carro, de chassi D000020, competiu exatamente no Rali Monte Carlo daquele ano, com Bruno Saby e Daniel Le Saux, com o nº 20 adesivado na carroceria. Ele não venceu a prova – foi o carro de Jean Ragnotti e Jean-Marc Andrié que o fez – pois sofreu um acidente. Depois disso, foi restaurado e enviado para a Grécia, onde competiu no Rali Acropolis em 1982 e 1983.

No ano seguinte, o carro foi vendido a seu mais recente dono: Dimitris Manolopoulos, que junto de seu filho Thomas acumulou mais de 200 vitórias em 30 anos com o carro, em subidas de montanha regionais na Grécia.

Ou seja: o carro não é uma garage queen e não foi restaurado à perfeição. Ele conserca as cores da equipe Elf e está visivelmente íntegro, mas a carroceria e o interior exibem orgulhosas marcas de batalha. E também está 100% em ordem para competir, com bancos e cintos de corrida, sistema de supressão de incêndio e toda a parte mecânica e elétrica em dia. Além disso, o R5 Turbo acompanha uma boa seleção de peças de reserva: coletores de admissão e escape, tampa do cabeçote, discos de freio, uma transmissão, rodas e pneus e muito mais.

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Ficou parecendo um anúncio daqueles canais de compra por telefone, não é. Seria difícil resistir se estimativa da RM Sotheby’s, organizadora o leilão no qual o carro será oferecido, não fosse de algo entre € 200.000 e € 500.000, o que dá por volta de R$ 670.000 a R$ 1,6 milhão. O leilão acontecerá no dia 8 de fevereiro, em Paris – e a gente só não vai até lá porque, bem… não podemos bancar. Mas certamente alguém deveria comprar este carro e mantê-lo na ativa.

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