Edição diária: 19/06/2019
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Um Série 1 com o motor V10 do M5 é o engine swap mais incrível que se pode fazer com um BMW

Por muito tempo o Série 3 foi o menor BMW da linha — desde que foi lançado, em 1975, até 2004. Naquele ano, foi apresentado o hatchback Série 1, que em 2007 ganhou versões cupê e hatch de duas portas. Desde então, é do Série 1 o posto de baby Bimmer, apelido carinhoso dado pelos fãs ao modelo.

Sendo o modelo de tração traseira mais compacto da BMW, é natural que o Série 1 já tenha um apelo especial para os admiradores da marca — menor tamanho significa que mesmo as versões mais pacatas (como o antigo 116i aspirado, com um motor 1.6 de 116 cv) sejam interessantes de guiar. Por outro lado, a mente de um entusiasta trabalha de forma diferente. Sabendo qual é o menor carro de uma fabricante, costumamos pensar: “e se a gente colocar o maior motor da linha debaixo deste capô, hein?”

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É quase isto que vamos mostrar hoje. “Quase” porque o S85, V10 de cinco litros e mais de 500 cv do BMW M5 E60, não é o maior motor já produzido em série pela BMW — este posto fica com os V12 N73 e N74, de seis litros (o primeiro é aspirado e o segundo, biturbo), usados no atual Série 7.

 

No entanto, acreditamos que o único V10 produzido pela BMW, com direito a tempero Motorsport, é uma escolha perfeita: seu tamanho é compacto o bastante para caber no cofre do Série 1 sem tanto aperto; feito todo de alumínio, ele não pesa muito e, bem, estamos falando de um dos roncos mais incríveis já feitos pelos alemães.

O carro que você vê no vídeo foi feito pela TJ-Fahrzeugdesign, empresa especializada em preparação de BMW cuja sede fica em Hessen, na Alemanha. O Série 1 com motor V10 é seu cartão de visitas, mas eles também oferecem serviços mais simples, como a instalação de turbocompressores e conversões de câmbio automático para transmissão manual.

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Considerando que o Série 1 tem um cofre relativamente espaçoso, capaz de acomodar motores de seis cilindros em linha e até três litros — caso do N55, com turbo e 340 cv, que equipa o fabuloso Série 1 M —, acomodar o V10, que é um tanto mais largo, porém mais curto, não exige modificações extensas na estrutura do carro.

Sendo assim, a TJ-Fahrzeugdesign consegue transplantar não apenas o conjunto mecânico (que pode incluir uma caixa manual de seis marchas ou SMG de sete marchas), mas toda a eletrônica do M5 sob a carroceria do pequeno BMW. Além de outros componentes para adequar outros aspectos da performance do Série 1 ao novo patamar de potência.

 

Não importa se o carro que serviu como base era um dos modelos mais básicos, se tinha motor a gasolina ou a diesel, se é um cupê ou hatchback: todo Série 1 V10 recebe também os freios Brembo do BMW M5 F10 na dianteira, e do M3 E90 na traseira; novas molas e amortecedores ajustáveis da KW Clubsport e rodas de 20 polegadas da divisão Motorsport, com 8,5” de largura na dianteira e 10” na traseira. Para fechar o pacote, a ECU é reprogramada que o motor entregue 555 cv a 7.750 rpm e 59,1 mkgf de torque a 6.100 rpm — para efeito de comparação, originalmente são 507 cv e 53 mkgf de torque. Além disso, o limite de giro do motor sobe para 8.800 rpm.

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Considerando que o Série 1 é mais leve que o M5 — são cerca de 1.450 kg contra mais de 1.800 kg —, o resultado também é um carro mais veloz: o Série 1 V10 é capaz de chegar aos 100 km/h em menos de quatro segundos, com máxima superior a 330 km/h graças à remoção do limitador eletrônico de velocidade. O M5 chega aos 100 km/h em 4,1 segundos, com máxima de 250  km/h.

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Agora, se você é daqueles que coloca modificações funcionais acima de quaisquer perfumarias estéticas, até te entendemos. E a gente adora sleepers — aqueles carros que não aparentam, mas são verdadeiros foguetes quando se acelera. No entanto, não dá para dizer que o visual do carro ficou ruim com a adoção dos para-lamas alargados e para-choques do Série 1 M, que conferem um visual mais agressivo e um stance mais colado no chão (no melhor sentido, claro).

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Mas quanto custa a brincadeira? Bem, se você tiver um motor de M5 V10 sobrando na sua casa, um Série 1 de primeira geração e só precisa do kit para juntar os dois, vai precisar investir € 22.999, o que dá cerca de R$ 98 mil em conversão direta. Se você precisar do motor, o preço do sobe para € 35.999 — R$ 154,3 mil.

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Mas eles não são os únicos a oferecer o serviço, aparentemente. O Série 1 hatch abaixo também recebeu um V10 de M5 com modificações para entregar 550 cv. De acordo com a preparadora reponsável, a alemã KJ-Performance, o carro também recebeu o eixo traseiro de um M3 E92 (a geração anterior, com motor V8).

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E eles também fornecem um dado interessante: a troca do motor não interferiu muito na distribuição de peso do Série 1 — se antes a divisão era perfeita, com 50% do peso do carro sobre cada eixo, agora são 55% na dianteira e 45% na traseira.

Ficamos até meio decepcionados por ver este monstrinho acelerando apenas em linha reta…

 

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