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História

Uma breve história de (quase) todos os hot hatches da Volkswagen – parte 1

O Volkswagen Golf de oitava geração já está batendo na porta. Depois que ele for lançado – o que deve ocorrer até o final deste ano – será questão de tempo até que a Volkswagen apresente um novo GTI. Que, se mantiver o padrão das últimas sete gerações, tem tudo para se manter como referência no segmento dos hot hatches.

Dito isto, decidimos dar sequência a nossa série sobre (quase) todos os hot hatches de diferentes fabricantes com a Volkswagen. Afinal, o Golf GTI Mk1 pode não ter sido o primeiro de todos os hot hatches, mas ele foi o responsável por popularizar a categoria. Depois dele, as concorrentes se apressaram em lançar suas próprias versões da receita.

Como a maior parte dos hot hatches da Volkswagen possui décadas de história, é possível que tenhamos mais de dois posts dedicados à fabricante alemã – afinal, são muitos modelos com diferentes gerações e versões esportivas. Vamos começar com alguns dos nomes mais importantes das décadas de 1970 e 1980.

 

Golf GTI

Não há muito mistério aqui. Além de ser o primeiro hot hatch da Volkswagen, o Golf GTI foi um dos primeiros hot hatches da história – e, possivelmente, o mais icônico da década de 1970. Ele foi lançado em 1976, dois anos depois da estreia do Golf, e estabeleceu o template básico dos hot hatches clássicos: motor mais potente, suspensão mais baixa e firme, decoração esportiva na carroceria e uma boa lista e interior equipado com volante de pegada mais firme, bancos de maior apoio e acabamento diferenciado.

Inicialmente, o Golf GTI era movido por um motor 1.6 da família EA827, a mesma que deu origem ao nosso AP – visualmente ele era muito parecido, inclusive. Entregava 110 cv e 14 kgfm de torque, suficientes para levar o hatchback de 810 kg de zero a 100 km/h em 9,7 segundos, com máxima de 182 km/h. O câmbio era manual de quatro marchas.

Seu verdadeiro trunfo, porém, era a dinâmica. A suspensão (MacPherson na dianteira, eixo de torção na traseira) mais baixa e firme era muito bem calibrada, e o entre-eixos curto – 2.400 mm, como no Fusca – garantia agilidade na hora de mudar de direção. As rodas de 13 polegadas calçavam pneus 175/70 e abrigavam discos de freio ventilados na dianteira, com 240 mm de diâmetro. Os freios traseiros eram a tambor.

A Volkswagen não esperava vender mais que 5.000 unidades do Golf GTI – por acaso, o número necessário para homologá-lo em competições de turismo da FIA. Contudo, seu sucesso estrondoso garantiu uma vida longa – tanto que, 45 anos depois, o Golf GTI ainda é a referência entre os hot hatches.

Em 1982, a Volkswagen deu ao Golf GTI um pouco mais de pimenta. Aumentando o deslocamento do motor para 1,8 litro, e a taxa de compressão de 9,5:1 para 10:1, a potência passou a 112 cv e o torque, a 15,6 kgfm.Com isto, o GTI 1.8 era capaz de ir de zero a 100 km/h em 9,2 segundos, e atingia a velocidade máxima de 186 km/h – graças, também, ao novo câmbio manual de cinco marchas.

Alargadores funcionais nos para-lamas: as bitolas eram visivelmente maiores

Foi só em 1983 que o Golf GTI foi lançado nos EUA. A versão norte-americana, porém, chamava-se VW Rabbit GTI. Além dos faróis quadrados do tipo sealed beam, a legislação norte-americana também exigia lanternas traseiras mais largas e para-choques mais volumosos. mas no geral o Rabbit GTI era praticamente igual ao Golf GTI e mantinha as mesmas qualidades.

A segunda geração do Golf também foi lançada na Europa em 1983 – e a Volkswagen não titubeou em atualizar a versão GTI de acordo. Inicialmente, o GTI MkII usava o mesmo motor 1.8 8v de 112 cv da primeira geração, mas em 1986 foi introduzido o Golf GTI 16v.

Com comando duplo no cabeçote, o motor do Golf GTI 16v era capaz de entregar 139 cv e 17,1 kgfm de torque, e de levar o carro de zero a 100 km/h na casa dos oito segundos, com velocidade máxima próxima dos 200 km/h.

 

Golf Rallye

 

Embora fosse esteticamente muito parecido com o primeiro Golf, o Mk2 era um carro maior e mais sofisticado – e o mesmo valia para suas versões esportivas, com as quais a Volkswagen começou a explorar diferentes soluções de engenharia, por diferentes razões.

O Golf Rallye é um excelente exemplo. Criado em 1989 para a homologação do Golf no Campeonato Mundial de Rali (o WRC), o Golf Rallye tinha carroceria alargada – não muito diferente do Audi Quattro ou do Lancia Delta HF Integrale; visual exclusivo na dianteira, com faróis retangulares, projetores e uma nova grade; e um motor 1.8 8v supercharged debaixo do capô.

Capaz de entregar 160 cv e 22,9 kgfm de torque, o motor era acoplado a uma caixa manual de cinco marchas que levava a força do motor para as quatro rodas através de um sistema com diferencial Haldex de acoplamento viscoso. Com isto, além de apresentar muito mais estabilidade, o Golf Rallye era capaz de ir de zero a 100 km/h em 8,6 segundos, com velocidade máxima de 209 km/h.

Foram feitos apenas 5.000 exemplares do Golf Rallye – quantidade mínima para homologá-lo no Grupo A do WRC. Nenhum deles foi vendido oficialmente fora da Europa.

 

Golf Limited

Uma das variantes mais desconhecidas do Golf de segunda geração é a Limited, lançada em 1990. Trata-se de uma série especial feita com base no Golf GTI, com os componentes de tração nas quatro rodas do Golf Rallye. O motor também trazia um supercharger, porém tinha cabeçote multiválvulas e, com isto, entregava saudáveis 210 cv e 25,7 kgfm de torque – fazendo do Limited o Golf mais potente produzido em série, superado apenas pelo Golf R Mk4 lançado em 2003, que tinha 241 cv.

Era o suficiente para garantir desempenho superior ao de qualquer outro Golf: o Limited ia de zero a 100 km/h em 7,2 segundos, e tinha velocidade máxima de 210 km/h.

Esteticamente, ele diferia do Golf GTI pelo friso azul em volta da grade, pelos emblemas da VW Motorsport e pelas rodas BBS de 15×6,5 polegadas, além dos para-choques mais volumosos do modelo norte-americano, mesmo sendo voltado primariamente ao mercado europeu.

O Golf Limited foi feito especialmente para executivos do Grupo Volkswagen e era construído à mão pela divisão de competição da marca, a VW Motorsport. Por isso, apenas 71 exemplares foram feitos, a maioria com carroceria de quatro portas – e todos eles extremamente recheados para a época, com vidros e retrovisores elétricos, freios ABS, direção hidráulica, bandos dianteiros reguláveis em altura e teto solar.

 

Scirocco GT

Apesar de ser vendido e anunciado como um cupê feito com base na plataforma do Golf, o Volkswagen Scirocco, lançado em 1974, era um hatchback – apenas a linha do teto tinha caimento mais suave, formando uma traseira fastback.

O Scirocco já possuía um perfil naturalmente mais esportivo por conta de seu design, que privilegiava a silhueta e o espaço para os ocupantes do banco da frente.

Mas a Volkswagen não deixou de dar a ele versões mais apimentadas, começando pelo Scirocco GT, que foi lançado em 1976 e tinha exatamente o mesmo conjunto mecânico do Golf GTI (motor 1.6 8v de 110 cv e câmbio de quatro marchas), bem como as demais modificações. De acordo com a VW, ele era capaz de ir de zero a 100 km/h em 8,8 segundos.

O nome da versão variava de acordo com o mercado. Na Alemanha, era o Scirocco GTI. Na França, GTX. Nos EUA, apenas GT.

A segunda geração do Scirocco foi lançada em 1981, e adotou um visual mais moderno, com para-choques melhor integrados à carroceria e uma dianteira mais baixa, com quatro faróis retangulares, que lembrava muito o Passat. E, da mesma forma que o Golf GTI, o Scirocco GTI também ganhou o motor 1.8 8v de 112 cv em 1982, junto com o câmbio manual de cinco marchas.

Ele tinha força o bastante para ir de zero a 100 km/h em 9,3 segundos, com máxima de 192 km/h. A razão para a ligeira queda no no desempenho foi o aumento de peso, de 970 para 1.045 kg – reflexo da carroceria mais volumosa e da oferta de equipamentos mais generosa.

Da mesma forma que o Golf GTI Mk2, o Scirocco GTI Mk2 adotou o motor 1.8 16v de 139 cv em 1986. Com visual distinto, dotado de para-lamas alargados e spoilers frontal e traseiro, o Scirocco GTI com comando duplo no cabeçote ia de zero a 100 km/h em 8,1 segundos, com máxima de 210 km/h.

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