Uma das 19 limousines Willys Itamaraty Executivo sobreviventes está à venda!

Dalmo Hernandes 19 janeiro, 2018 0
Uma das 19 limousines Willys Itamaraty Executivo sobreviventes está à venda!

A Willys começou as atividades no Brasil em 1954, montando o Jeep Willys. E você provavelmente sabe que a premissa do Jeep era a de um veículo minimalista e frugal, feito para atravessar terrenos difíceis sem reclamar. Por isso, seu projeto se resumia a motor, transmissão, suspensão, rodas, volante e lugares para sentar. Bem, o nosso Achado Meio Perdido é um Willys, mas é o oposto de minimalista e frugal. É uma limousine Willys Aero Itamaraty Executivo – uma das 19 que sobreviveram no Brasil. Ela está anunciada no GT40, e a gente vai dar uma olhada nela agora!

O Willys Aero (também conhecido como Aero-Willys) foi lançado em 1960, para rivalizar com o FNM JK, que era a versão brasileira do Alfa Romeo 2000 italiano, como contamos neste post; e o Simca Chambord, de raízes francesas. O Willys também tinha projeto de origem estrangeira – no caso, o Aero-Wing que a Willys fabricava nos Estados Unidos. No entanto, mais de 80% dos componentes do carro eram nacionais.

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Era um carro moderno, com linhas retas, e capacidade de levar seis pessoas em sua ampla cabine com dois bancos inteiriços. Seu estilo agradava, mas o motor era o mesmo seis-em-linha de 2,6 litros e 90 cv usado no Jeep, acoplado a um câmbio manual de três marchas. Era pouca potência, o que comprometia o desempenho do enorme sedã de 1.440 kg, que precisava de 17,6 segundos para ir do zero aos 100 km/h e tinha velocidade máxima de 120 km/h.

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Em 1966 veio a versão mais sofisticada, o Willys Aero Itamaraty. As formas da carroceria eram mais imponentes e retilíneas, e o interior levava o refinalmento a um novo nível: bancos revestidos em couro legítimo, e não curvim; rádio com dois alto-falantes e um painel revestido em madeira maciça de jacarandá que pesava 20 kg. Foi o último modelo lançado pela Willys Overland do Brasil como empresa independente: em 1967, a companhia seria absorvida pela Ford, mudando seu nome para Ford-Willys do Brasil em 1969. A partir daí, os Willys passaram a usar um seis-em-linha de origem Ford, com três litros de deslocamento e 132 cv, finalmente adquirindo desempenho à altura.

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Foi também em 1967 que a Willys decidiu aventurar-se na fabricação de limousines, um nicho (compreensivelmente) pouco explorado. A versão estendida do Willys Itamaraty, que recebeu o sobrenome Executivo, foi apresentada no Salão do Automóvel de 1966, quando um exemplar seria entregue ao então Presidente da República Artur da Costa e Silva.

A Willys procurou a Karmann-Ghia, que desde 1962 fabricava o VW Karmann Ghia (sem hífen) sob encomenda da Volkswagen. O KG era um dos automóveis mais bonitos à venda no Brasil na década de 60, portanto a escolha fazia sentido.

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O controle do toca-fitas ficava por conta dos ocupantes do banco traseiro. Já o banco da frente perdia espaço e as regulagens de altura e distância

O entre-eixos do Willys Itamaraty Executivo era 71 cm mais longo que o modelo “comum, passando de 2,73 cm a 3,44 m. O maior aumento aconteceu entre as portas dianteira e as portas traseiras, mas também houve um pequeno acréscimo de distância entre as portas traseiras e o porta-malas. Naturalmente, o cardã precisou ser alongado, e a Willys o dividiu dois, com uma cruzeta ligando as duas metades.

Com mais metal na carroceria, o peso do carro aumentou de 1.440 kg para 1.611 kg. Com isto, o motor de três litros e 132 cv sofria um pouco mais para mover o carro, mas desempenho não era o foco, de todo jeito. No total, foram feitos 27 exemplares, sendo dois deles protótipos.

De acordo com Bird Clemente Jr., dono da concessionária Vintage Garage Curitiba, só sobraram 19 exemplares rodando, e o carro que está anunciado no GT40 é o chassi nº 0001, que originalmente foi encomendado pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Bird diz que o carro pertence há muitos anos a um de seus clientes, e que está totalmente original em termos de mecânica, pintura e acabamento interno e externo.

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Segundo Bird, a estrutura do carro é íntegra, mas que há alguns detalhes que necessitam de reparos – como o sistema de ar-condicionado, mas que no mais trata-se de um carro muito inteiro e bem conservado, e que toda a manutenção básica está em dia. Ele também deixa claro que o valor é totalmente negociável.

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