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FlatOut!
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Project Cars Project Cars #294

Uma surpresa na construção do Escort Mk4 de corrida

Fala, Flatouters! Hoje volto a contar para vocês, a saga da construção de um carro de corrida feito do zero, por um estudante de engenharia de 21 anos, na garagem do avô. Como vocês já podem presumir pela introdução, eu não tenho experiência na construção de carros de pista. E tendo isso em mente, desde o começo eu sabia dos erros que eu poderia cometer, dos mais simples de resolver, até os mais graves. Mas a determinação falou mais alto.

 

Ah, a inexperiência

Todo mundo que está nesse meio, tem, ou sonha ter um PC próprio. Eu comecei com meu Fiesta (PC #31), tentando melhorar os tempos em trackdays. Levando em consideração as modificações que fiz nele, poderia se dizer que já tenho certa experiência no assunto. Porém, é completamente diferente, pegar um carro novo, de dia dia, e fazer algumas modificações, em comparação com procurar um carro velho, para desmontar todo, e montar um carro de corrida completo.

Eu só fui perceber isso, quando eu já havia embarcado nessa ideia do Escort. A “certa experiência” que eu pensei em ter, não passa dos conhecimentos mais básicos para desenvolver um carro de pista. E, a falta de experiência não se restringiu apenas a preparação. Ela começou a fazer seu papel a parir da compra do carro.

Na hora de comprar o carro, a animação com o projeto misturada com a visão do carro pronto, se transformou em ansiedade. Um dos meus maiores sonhos (construir um carro de corrida) vai ser realizado, com um dos meus carros dos sonhos (Escort), como não ficar animado? Fiquei cego pela motivação, e a pressa de começar foi tanta, que não avaliei o carro corretamente antes da compra.

Sim, erro estúpido.

Descobri que o Escort azul tinha um empenamento monstruoso no monobloco, e como se já não bastasse, o eixo traseiro estava desalinhado também. Com alguma esperança, levei o carro em um lugar especializado em alinhamento de chassi, mas não teve jeito. O conserto era mais caro que outro Escort, e o carro não ia ficar 100%.

Depois de querer tacar a cabeça na parede, decidir não me desanimar. Desde o começo sabia que iria errar várias vezes, mas não contava com um dos piores erros possíveis. Porém, não podia parar por ai.

Aproveitei o máximo de peças possíveis do Escort Azul para vender, e diminuir o prejuízo ao máximo. A sorte foi o preço baixíssimo que paguei pelo carro (agora eu sei porque), que me permitiu recuperar 90% do que foi pago no carro, com as vendas das peças.

 

Agora é “só” achar outro

A procura pelo carro (que preste) começou. OLX, carango, web motors, jornal, voltas pela cidade… onde tinha Escort, eu estava olhando. Porém nunca achei o carro. Fui olhar inúmeras propostas, mas nenhuma me agradou. Quem achou o Escortson ll foi meu amigo David. Que estava em um comércio na periferia de Maceió, e viu o carro parado, com uma mulher e o filho encostados.

David: “A senhora sabe de quem é esse carro?”

Senhora: “É do meu marido, e ele vende!”

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O carro estava em ótimo estado, 80.000 km rodados, ficava guardado na parte alta de Maceió e não pegava maresia. Na verdade o carro não estava à venda, mas acho que a senhora “convenceu” o marido. Quando David me disso isso me interessei muito, mas dessa vez fui com calma. Fui ver o carro, levei um macaco, olhei por baixo, procurei empenos, medi distância das rodas, procurei ferrugens, andei no carro. Depois levei meu pai e o mecânico dele, depois de aprovado pelo veio, levei na oficina de alinhamento de monobloco, o carro foi para a mesa de alinhamento para checar tudo, e foi aprovado!

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Tirando o atraso

O carro novo chegou em casa e comecei a trabalhar nele imediatamente, precisava prepara-lo para receber a Rollcage. Fiz uma lavagem completa no carro, desmanchei o interior, já coloquei as buchas de PU e algumas peças novas que tinha comprado para o azul, e corri para a garagem para cortar a gaiola fora do Escort “velho”.

Fiquei com medo da Rollcage não dar certo no Escort novo, por conta dos erros do Azul, mas deu tudo certo. Os cortes foram feitos por seções, para facilitar o transplante ao máximo. Nao prata, tudo ficou em seus devidos lugares. Só não fiz a parte dianteira (que conecta o cockpit com as caixas de roda dianteiras e a alma do para-choque) porque o motor ainda não estava no lugar.

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Junto com o santo Antônio, foram todas as adaptações feitas no azul. Regulagem de posição de direção, extensão do cubo do volante, base do banco, esquema para sustentar o fundo chato, e tudo mais.

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Novas belezuras

Cabeçote – Não preciso dizer aqui a importância de uma boa preparação de cabeçote, especialmente quando você escolhe ir no modo hard na hora de preparar o motor. Procurei uma empresa renomada e que tive muitas indicações de amigos. Entrei em contato com a Paula Faria, fui muito bem atendido, fizeram questão de tirar todas as minhas dúvidas, e saber o máximo possível sobre a preparação do meu carro.

Peguei um cabeçote Fluxo cruzado 8V, trabalhado pelo pessoal da PF. o trabalho todo feito em bancada de fluxo, válvulas de inox 40.5mm na admissão, e 36mm no escape, pratinhos, molas, e travas especiais, e junto com o cabeçote veio o relatório completo de desempenho e fluxo da peça.

Comando – Como quero uma taxa alta, e um motor que gire alto, tive que escolher um comando com alta duração e não tanto levante. A escolha foi o Samcams 0.34. Trata-se de um comando de 308° simétrico, com lobe center de 104°, 58° de overlap, e 11,6mm de levante. Junto com o comando, comprei a polia regulável, essencial na hora de acertar o motor.

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É isso ai galera, Espero que alguns possam aprender com meu erro, e não passar pelo que passei. E o mais importante, se fizer uma c*gada, não desanime! Assuma o erro, concerte, siga em frente, e não se envergonhe disso!

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Até a próxima.

Por Luiz Leão, Project Cars #294

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