A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Automobilismo Zero a 300

Uma visita à exposição “Ayrton Senna L’Ultima Notte” no Museu Lamborghini

Olá a todos! Meu nome é Erich Policarpo e hoje venho contar um pouco da minha viagem até o Museu da Lamborghini que fica em Sant’Agata Bolognese, Itália. A região é bem rica em cultura para quem gosta de automobilismo; o museu da Ferrari é próximo além do museu da Ducatti. Os Autródomos de Imola e Mugello também não ficam muito distantes.

O museu da Lamborghini nunca foi um ponto de grande visitação e, na verdade, ele é um pouco pequeno, mas tive um motivo bem especial para decidir por essa visita: uma exposição de todos os carros que Ayrton Senna piltou na sua carreira! Sim, no museu da Lambo – o que talvez em um primeiro momento não faça muito sentido.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Banner na entrada do museu

Eu e mais três amigos saimos de Graz, Áustria, e dirigimos por 560km até chegar ao museu. A cidade é bem pequena, fica na região metropolitana de Bolonha, a maior cidade e capital da região Emilia-Romana (valeu Wikipédia!). O Museu é um espaço em conjunto com a fábrica e possui um pequeno bar em frente, no qual é possível alugar um Lamborghini Huracán para andar nas ruas ou até mesmo em circuito. O preço, como é de se imaginar, é um pouco salgado. Sao €120 para 10 minutos e €200 para 20 minutos, isso para dirigir na rua. Para andar em circuito você precisa agendar e desembolsar algo em torno de €1.800 por cinco voltas.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Huracán para aluguel

Entrando pelo portão já é possível sentir a atmosfera no lugar – os carros são tratados como obras de arte e tudo, desde o prédio até a iluminação, tem todos os detalhes muito bem pensados, bem ao estilo italiano. Como dito, o museu e a fábrica ficam no mesmo lugar, sendo a fábrica a entrada pela direita e o museu pela esquerda.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

 

Entrada da Lamborghini

Pois bem, chega de enrolação e vamos ao que interessa. No térreo do museu estavam expostos cerca de 15 carros da Lambo e alguns poucos motores. Dos carros que mais chamaram a atenção estavam o Miura, o Diablo e o mais extremo de todas, o Sesto Elemento – esse um dos carros mais insanos que já vi.

O Miura exposto era o segundo protótipo produzido pela Lamborghini e, como esperado, estava em perfeito estado de conservação.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Segundo protótipo do Lamborghini Miura

O Diablo, apesar de estar pintado com uma cor que não é uma das minhas favoritas, chamava muita atenção. O seu design está marcado na mente dos gearheads nascidos na década de 80 e que cresceram vendo esse carro em revistas. Nunca tinha visto um de perto e o carro é realmente impressionante. Equipado com motor V12 6.0 era capaz de produzir quase 600cv. O carro exposto já é um dos modelos com faróis de lente lisa, não os clássicos com faróis escamoteáveis.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

O veículo exposto já com faróis de lente lisa

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Pneus traseiros com 335mm de largura

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Detalhe do escapamento

O Sesto Elemento está em um outro nível de insanidade. O carro é totalmente feito de fibra de carbono (inclusive as rodas) não tem assentos, apenas espuma presa no chassis, o para-choque traseiro é basicamente composto pela tampa do diferencial entre outras loucuras. O resultado final é um carro que tem massa de impressionantes 999 kg e combinado com um motor V10 5.2L de 570hp é capaz de acelerar de 0-100km/h em 2.5 segundos.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Lamborghini Sesto Elemento

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Fibra de carbono em todas as partes do veículo

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

A carroceria parece ser mais curta do que o powertrain, deixando exposta a tampa do câmbio.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Roda em fibra de carbono

Nesse video é possível ver o carro em ação no circuito de Imola pilotado pelo Richard Hammond do Top Gear:

A primeira parte do museu é bem bacana mas subindo as escadas… aí ficou mais interessante. Estavam todos lá, desde o kart até a Williams que infelizmente levou o nosso ídolo no dia mais triste na história recente do Brasil. A exposição é cheia de fotos nas paredes contando a história do nosso querido Ayrton, mostrando desde o dia a dia até momentos de preparação para as corridas. Além das fotos um telão exibe o documentário “Senna: O Brasileiro, O Herói , O Campeão” a todo momento.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Visao geral dos carros

Os carros expostos foram todos carros guiados por Senna e apenas a Williams e a Mclaren estavam sem motor/câmbio; os outros carros estavam todos completos. A Toleman tinha um adesivo da sua participacão em Goodwood e parecia que era guiada com certa frequência (inclusive ela pingava óleo no chão!).

Além dos carros, alguns capacetes e a primeira edição da moto Ducati 916 Senna também estavam lá expostos.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Diversos capacetes expostos

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Ducati 916 Senna

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Variás fotos contando a história de Senna

Senna guiou o carro da Formula Ford 1600 em 1981, ano em que ganhou 12 corridas das 20 disputadas. Esse desempenho o colocou na Formula Ford 2000 em 1982, ano em que teve uma performance ainda mais impressionante, ganhando 22 das 27 corridas, e garantindo assim o campeonato britânico e europeu de Fórmula Ford 2000.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Carro da Formula Ford 1600 a esquerda e Formula Ford 2000 a direita

Já na Fórmula 3 em 1983 Senna foi campeão ganhando 13 corridas. Naquele ano o seu maior rival foi Martin Brundle, hoje comentarista da Sky Sports britânica.

Pra quem tiver o inglês afiado, vale a pena procurar um streaming da Sky Sports F1 para assistir as corridas de Formula 1 (pra quem assim como eu ainda acompanha) pois a transmissão deles é muito completa. Fica a dica.

O carro da Fórmula 3 já era bem mais refinado do que o das categorias anteriores. O carro de Senna era da equipe West Surrey Racing e tinha um motor Toyota aspirado, quatro-cilindros 2.0, com potência máxima de 165 cv.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Detalhe da entrada de ar do motor do carro de Fórmula 3

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Interior do carro de Fórmula 3

 

Toleman

Já na Formula 1, Ayrton correu no seu primeiro ano, 1984, com a Toleman. A grande corrida de Ayrton esse ano foi o GP de Mônaco, o qual chovia muito e Senna depois de largar em 13° chegou em segundo, muito próximo de Prost. Aquela tinha tudo para ser a primeira vitória de Senna. Esse exemplar exposto foi o mesmíssimo carro que Senna pilotou naquela corrida!

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

O pequeno adesivo cinza com o número 19 na lateral indica a participação no Festival de Goodwood

A Tolleman era equipada com um motor Hart 415T, 1.5L Turbo que produzia mais de 600cv na época. Infelizmente a foto do interior do carro nao ficou muito boa. Os carros estavam virados de frente a uma grande área envidraçada e o interior do carro escuro com a câmera virada pra muita luz nao deu muito certo.

Podemos ver esse carro em ação aqui:

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Sistema de dois aerofólios na traseira

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Motor Hart 1.5L Turbo 4 cilindros

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Detalhe do turbo e da “pequena” válvula 

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Vista traseira. Reparem no motor exposto – uma coisa impensável nos dias de hoje

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Interior da Toleman

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Parte traseira do cockpit

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

O pneu naquela época também era bem largo

 

Lotus

Após o primeiro ano de Fórmula 1, Senna foi contratado pela Lotus, equipe a qual ele defendeu de 1985 a 1987. O carro exposto é de 1986 e está equipado com o motor Renault EF15B, 1.5L V6 Turbo. Foi com esse mesmo carro que Senna ganhou o GP da Espanha e o GP de Detroit daquele ano.

O GP da Espanha foi marcado por uma grande disputa de Senna e Mansell, e no final, o Mansell de pneus novos chega a 0.014s (sim, 14 milésimos!) de Ayrton em um dos finais mais acirrados da história da Fórmula 1. O vídeo abaixo mostra os melhores momentos dessa corrida:

No GP de Detroit as coisas foram um pouco mais tranquilas e Ayrton cruzou a linha de chagada a mais de 30s do segundo colocado. Sei que a maioria dos leitores não gosta da Fórmula 1 atual mas olhando os resultados das corridas da época é possível notar que a média de abandono por problemas mecânicos era de +- 50%, ou seja, se 24 carros largavam, 12 em média tinham algum problema de direção, suspensão, câmbio ou motor, principalmente.

O espetáculo nao tem o mesmo apelo, o piloto não briga tanto pelo controle do carro e tudo parece “mais fácil” mas o nível de engenharia do carro é fantástico. Os profissionais que trabalham com isso sao realmente os melhores do mundo em suas respectivas áreas, logo pra quem gosta de engenharia como eu, ainda vale a pena seguir de perto a Fórmula 1.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Lotus de 1986

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Na minha opnião um dos carros mais bonitos que Senna guiou

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Painel com mostradores analógicos – pressão de admissão menor do que 2 bar nem era considerada

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Os três pedais – reparem como são próximos

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

A alavanca do câmbio era um pouco inclinada

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

A lateral do piloto era muito menos protegida nessa época

 

McLaren

A Mclaren provavelemente é o carro que os fãs devem mais associar a Senna pois seus trÊs títulos mundias foram conquistados com a equipe, sempre equipado com o motor Honda, que nada lembram os motores Honda de hoje na Fórmula 1. Senna foi campeão em 1988, 1990 e 1991 com a mítica McLaren com as cores vermelha e branca da Malrboro. O carro exposto infelizmente nao tinha motor nem câmbio, além de um painel que não era real.

Foi nessa época em que Senna viveu os melhores e piores dias na Formula 01. Os melhores momentos sao diversos, como a sua “volta mágica” em Donington Park – 1993, a sua vitória no Brasil em 1992 depois de sofrer com problemas no cambio e Senna segurando Mansell em Monaco 1992.

Volta em Donington Park:

Senna vencendo em Interlagos depois de problemas mecânicos:

Senna e Mansell em Mônaco:

Vídeo On Board de Senna perseguindo as Williams

A sua intensa batalha com Prost foi uma das mais famosas da história da Fórmula 1 e um momento muito duro para Senna, momento o qual exigiu muito do piloto.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Vista frontal da Mclaren vermelha e branca de número 8 com a parte mais triste do documentário passando ao fundo

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

A McLaren tem o design muito clean, sem muitos adereços aerodinâmicos.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Inexplicável ver todos esse carros juntos

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Interior da Mclaren

 

Williams

Foi a Williams o último carro. Ele é bonito e tem um desenho marcante, mas eu não gosto muito pelas muitas lembrancas tristes que esse carro traz.  A intenção de Senna era ter guiado para a Williams já em 1993, entretando ele foi vetado por Prost – Senna tinha se oferecido para guiar de graça pela Williams, tamanha a vontade de ser campeão novamente.

A Williams em 1993 tinha um carro muito superior mas após ter o seu complexo sistema de suspensao ativo banido para 1994, o carro de Ayrton era um carro muito dificil de guiar e com muito a ser melhorado.

O sistema ativo da Williams era capaz de ajustar o carro para cada curva do circuito, o que tornava o carro muito estável. Esse sistema pode ser visto em ação nesse vídeo: 

Quem estiver com o inglês afiado e tiver tempo, pode assistir esse documentário:

Nesse video é possível ver como a Williams era estreita, o que levou a mudança na barra de direção.

Na sua ultima pole postion no Brasil, mesmo tento problemas para controlar o carro, Senna enfiou mais de 1,5s em Damon Hill, seu companheiro de equipe.

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Williams de 1994

Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017Artigo_Senna_Part1_Rev02_06112017

Painel Fake da Williams. É possível notar botões para ajustes à direita, muito diferente das alavancas para regular a suspensão que eram usadas nos anteriores

Espero que vocês tenham gostado e que eu possa ter passado pelo menos um pouco da emoção que foi ver todos esses carros juntos.

Claro que Senna tinha muitos defeitos e ele colecionou vários desafetos na sua carreira, mas em um momento tão complicado como o que estamos passando no país, nada melhor do que alguém para nos inspirar como Ayrton. “If you are no longer go for a gap which exists you are no longer a racing driver” aplique isso na sua vida – mesmo que voce nao seja um racing driver — e muito provavelmente voce será bem sucedido. Um abraço!

Matérias relacionadas

VW confirma detalhes do Jetta GLI brasileiro, Mercedes-AMG GT 73 terá 815 cv, JAC lança caminhão elétrico e mais!

DeltaWing: a saga do protótipo mais excêntrico que já competiu nas 24 Horas de Le Mans

Dalmo Hernandes

Governo de Goiás tenta mudar nome do Autódromo Ayrton Senna, as primeiras imagens do McLaren 675LT, uma Kombi de quase R$ 500.000 e mais!

Leonardo Contesini