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Universo paralelo: os Jeep “alternativos” que existiram ao longo das décadas

Há poucos dias contamos aqui no FlatOut a história da Jeep em uma série épica dividida em três partes (parte 1, parte 2, parte 3), aproveitando o lançamento da nova geração do Wrangler, que conseguiu a proeza de ficar mais moderno e, ao mesmo tempo, mais fiel ao espírito do original.

Acontece que sempre haverá quem acredite que nada substitui os clássicos, e que o Wrangler ainda é sofisticado demais para ser um off-roader à moda antiga de verdade. Por isto, desde que o primeiro Jeep civil começou a ser produzido, lá em 1945, outras fabricantes de automóveis criam suas próprias interpretações da receita.

Algumas são antigas e já fazem parte do passado, enquanto outras ainda podem ser compradas zero-quilômetro em diferentes partes do mundo. É sobre elas que vamos falar neste post!

 

Alfa Romeo Matta

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Quem diria que a Alfa Romeo, a fabricante mais cheia de alma e paixão do planeta, teria seu próprio “Jeep”? O Alfa Romeo Matta foi concebido em 1951 para ser um “veículo de reconhecimento” utilizado em vias não pavimentadas, sob encomenda do Ministério da Defesa italiano. Ele foi fabricado entre 1951 e 1954. A versão oficial para uso das forças armadas italianas tinha o código AR 51, enquanto a versão civil lançada logo depois era a AR 52.

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A construção do Alfa Romeo Matta era bastante semelhante à do Jeep CJ clássico, com chassi do tipo escada, carroceria minimalista, para-lamas destacados e faróis circulares na face dianteira. Já a suspensão era independente na dianteira, com braços triangulares sobrepostos, e a traseira tinha um eixo rígido. O motor era surpreendentemente sofisticado: um quatro-cilindros de 1,8 litro com comando duplo no cabeçote e um carburador Solex para entregar 65 cv, acoplado a uma caixa manual de quatro marchas com reduzida.

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Foi justamente por conta de sua mecânica sofisticada que o Alfa Romeo Matta teve vida curta. Apesar de ter sido lançado com versões para combate a incêndio, agricultura e manutenção de rodovias, o Matta só foi fabricado até 1954, quando deu lugar ao Fiat Campagnola. Que, não por coindicência, é o próximo item desta lista.

 

Fiat Campagnola

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O Fiat Campagnola foi a versão da Fiat para o Alfa Romeo Matta, e também foi lançado em 1951. Contudo, sua mecânica era mais simples: o motor era um quatro-cilindros de 1,9 litro com comando no bloco que podia ser movido a gasolina ou a diesel e entregava entre 40 cv e 63 cv, dependendo do carburador e do sistema de escape escolhidos. A primeira geração foi produzida por 22 anos, de 1951 a 1973, antes de dar lugar a um Campagnola totalmente remodelado.

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Maior e com formas mais retilíneas, o Fiat Nuova Campagnola foi lançado em 1974 e trouxe um novo motor de 1,9 litro com comando no cabeçote, ao lado das válvulas atuadas por varetas. A suspensão agora era do tipo McPherson nos quatro cantos, sendo que os amortecedores traseiros vinham com molas duplas. Todas as seis molas do utilitário eram idênticas e intercambiáveis, e sua eficiência em absorção de impactos era considerada melhor que a do Land Rover Defender na época. O Nuova Campagnola foi fabricado até 1987.

Uma curiosidade: era em um Fiat Campagnola o Papamóvel no qual o papa João Paulo II estava quando sofreu um atentado contra sua vida na Cidade do Vaticano em 13 de maio de 1981. Por conta disto, a partir de 1987 o Papamóvel passou a ser um Mercedes-Benz Classe M e a contar com uma cabine com janelas blindadas e proteção extra no assoalho contra explosões de minas terrestres.

 

Asia Rocsta

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Este é praticamente um clone do Jeep Wrangler de primeira geração, desenvolvido pela Asia Motors para o mercado sul-coreano. O Rocsta de primeira geração foi lançado em 1985 e vendido até 1997. Ele era muito parecido com o original da Jeep – a maior diferença é o tamanho da grade dianteira, que era menor e tinha apenas seis frestas, em vez de sete como os Jeep ou nove (como o Willys original). Costuma-se dizer que o Rocsta foi o veículo que mais contribuiu para a popularização do off road na Coreia do Sul.

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Os motores eram um 1.8 a gasolina e um 2.2 a diesel. Este último, com aspiração natural e 65 cv, é o que pode ser encontrado no Brasil, onde o Rocsta foi vendido entre 1994 e 1996. A tração era integral com reduzida e o câmbio, manual de cinco marchas. Não é muito comum encontrar um deles à venda.

 

Troller T4

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É claro que o Troller merece seu lugar na lista. Sediada na cidade de Horizonte, no Ceará, em 1995, a Troller surgiu com a proposta de ser uma alternativa brasileira ao Wrangler e o resultado foi o Troller RF, que tinha motor AP 2.0, painel e carroceria muito parecida com a do Jeep americano, mas surpreendeu por ser robusto, confiável e por continuar vendendo bem ao longo dos anos, diferentemente da maioria das fabricantes nacionais que tivemos até hoje.

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Em 2000 o Troller RF deu lugar ao T4, que tinha visual parecidíssimo mas agora era movido por um motor a diesel MWM de 2,8 litros e 132 cv, e em 2005 este propulsor deu lutar a um 3.0 com injeção eletrônica e 168 cv, também da MWM. Em 2007 a Troller foi comprada pela Ford, que trouxe uma melhora sensível no padrão de qualidade do jipe e ainda lhe deu um novo interior, com painel de instrumentos mais sofisticado e acabamento mais caprichado. Graças a sua construção simples e robusta, seu sistema de tração 4×4 com reduzida e sua mecânica popular, o Troller conquistou fama de indestrutível – especialmente depois de enfrentar uma enchente em São Paulo em rede nacional em um vídeo que até virou propaganda.

A segunda geração do Troller T4, apresentada em 2014, ganhou design próprio, assinado pelo mesmo projetista dos atuais Ford Ecosport e Ka, João Marcos Ramos. O fora-de-estrada ficou mais sofisticado e potente, dividindo o motor cinco-cilindros a diesel de 200 cv com a Ranger.

 

SsangYong Korando

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Há um bom motivo para o Asia Rocsta ser um clone do Jeep: o Ssangyong Korando, lançado em 1969, era nada menos que um Jeep CJ-5 construído sob licença na Coreia do Sul, com direito a um quatro-cilindros Willys de 75 cv. O Jeep era fabricado pela extinta Dong-hwan Motors e vendido como Asia KM410, ou Asia Landmaster a partir de 1974. Em 1986 a Dong-hwan foi absorvida pela SsangYong, e o 4×4 foi rebatizado como Korando.

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Em 1996 o Korando ganhou uma nova geração, que manteve a construção simples de carroceria sobre chassi do tipo mas passou a contar com linhas mais urbanas e arredondadas – mais ou menos como aconteceu com o CJ original e o Wrangler. Em 1999 a SsangYong teve a maior parte de suas ações comprada pela Daewoo, e com isto o Korando ganhou novos emblemas, embora tenha permanecido praticamente igual ao longo de 15 anos – ele deixou de ser fabricado em 2014.

 

Nissan Patrol

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O Nissan Patrol foi uma resposta dos japoneses ao Jeep CJ. Lançado em 1951, ele era outro clone do utilitário pioneiro americano, exceto pela dianteira bem mais alta, com uma grade dianteira maior, e o motor era um seis-em-linha de 3,7 litros e 75 cv já usado nos ônibus da marca. Ele sofreu duas reestilizações, uma delas em 1955 e a outra em 1958, e em ambas as alterações se resumiram ao formato da grade.

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O Patrol ganhou sua segunda geração em 1960 e ficou mais quadrado e robusto, lembrando um pouco o Land Rover original. O motor era um seis-em-linha da família P da Nissan, com deslocamento de quatro litros e 105 cv. O utilitário foi oferecido nos EUA através das concessionárias Datsun até 1969, e no Japão continuou à venda até 1980.

 

Mahindra Armada/Thar

O Mahindra Armada foi lançado pela fabricante indiana em 1993 e utilizava o projeto do Jeep CJ original como base, porém com um motor Peugeot a diesel de 2,1 litros e 62 cv e tração que podia ser integral ou traseira. A ideia, porém, era que o Armada fosse uma opção mais confortável e civilizada do Jeep, com um painel de instrumentos de verdade, ar-condicionado e direção assistida.

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O Armada foi um sucesso, dando origem a versões de entre-eixos mais longo e carroceria fechada, e foi vendido até 2001. Então, deu lugar ao Mahindra Thar, que foi lançado depois mas tem visual ainda mais parecido com o Jeep original. O Thar é fabricado desde 2010.

 

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