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Car Culture

Up GTi: uma pitada extra de potência e visual apimentado (com direito a bancos xadrez)

Em junho de 2016, correram pela imprensa automotiva boatos de que o Volkswagen Up poderia ganhar uma versão GTi, finalmente injetando um pouco de esportividade no já competente compacto. Foram os britânicos da Autocar os primeiros a cravar: o pocket rocket, previsto para 2018, usaria uma versão de 115 cv do motor 1.0 TSI de três cilindros, e seria capaz de chegar aos 100 km/h em cerca de oito segundos.

Agora, pouco menos de seis meses depois a Volkswagen emprestou o protótipo do pocket rocket para a imprensa britânica, que divulgou suas primeiras impressões e detalhes sobre o futuro Up GTi.

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Mas antes, vamos contextualizar um pouco as coisas. A gente já tem um Up com motor TSI há algum tempo – além da versão Speed Up, quase todas as outras (com exceção da Take, de entrada) podem receber o motor turbinado como opcional.

O negócio do Up TSI é o downsizing – com menor cilindrada e sobrealimentação, o três-cilindros de 12 válvulas consegue, ao mesmo tempo, ser econômico e entregar bom desempenho. Seu torque de 16,8 mkgf entre 1.500 rpm e 4.500 rpm o coloca em posição de dar trabalho até mesmo para sedãs médios com motores maiores, como observamos em nossa avaliação. Com 105 cv a 5.000 rpm e 1.000 kg, a relação peso/potência é de cerca de 9 kg/cv, o que também não é nada mau.

Por outro lado, as pretensões esportivas com o Up TSI não vão longe: a proporção entre as bitolas estreitas e o teto alto aumenta a transferência lateral de peso, comprometendo a estabilidade nas curvas; o ajuste dinâmico do carro é bastante voltado ao subesterço; e seu sistema de controle de tração é bastante conservador, além de não poder ser desligado (a não ser que você remova o fusível dos freios ABS). Nós andamos nele, e você pode entender melhor lendo a avaliação completa e assistindo ao nosso onboard, abaixo:

Ainda em meados de 2016, a Volkswagen apresentou a primeira reestilização do Up. Com a (leve) mudança no visual, o motor TSI passou a ser oferecido também na Europa. Está vendo para onde as coisas caminhavam? Agora, na Europa, o Up GTi usará o motor turbo que ficou disponível primeiro aqui no Brasil, calibrado para render 11 cv a mais – 116 cv, no total.

É a mesma potência do motor 1.0 TSI que equipa o Golf, quando abastecido com gasolina: 116 cv a 5.500 rpm (com álcool, são 125 cv) e 20,4 mkgf de torque. Há grandes chances, portanto, de ser exatamente o mesmo motor, ou pelo menos extremamente parecido. Isto ainda não foi confirmado.

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Já os dados de desempenho são bem concretos: 0-100 km/h em 8,8 segundos, com velocidade máxima de 191 km/h, aferidos pela Autocar em seu teste com o protótipo, equipado com câmbio manual de seis marchas. Para se ter uma ideia, o Up TSI, com seu motor de 105 cv, vai até os 100 km/h em 9,1 segundos (abastecido com etanol) e tem máxima de 184 km/h.

Claro, o Up GTi não é feito só de motor, e por isso você não deve ficar desanimado caso o fôlego extra seja pouco. O protótipo foi bastante modificado, usando componentes derivados do Polo, como a caixa de direçaõ e os freios com discos ventilados. A suspensão também foi bastante modificada: novos pratos nos amortecedores, braços inferiores com novo formato e amortecedores mais firmes. O carro é 15 mm mais baixo do que um Up comum e, a julgar pelas fotos, também teve as bitolas alargadas para acomodar as rodas maiores (de 16 polegadas, aparentemente).

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O carro foi testado na África do Sul, onde a Volkswagen está avaliando a durabilidade e a resistência do carro, e por isso as impressões da Autocar são limitadas. Eles dizem, contudo, que o carro está mais firme e responsivo, com uma direção bem calibrada, e que a suspensão é confortável apesar do acerto mais duro. Também disseram que o carro ficou mais neutro, ainda que continue voltado ao subesterço. Por outro lado, os engenheiros da Volks teriam dito que, caso provocada, a traseira pode dar suas escapadas.

O protótipo foi decorado com a parte central do para-choque dianteira em preto brilhante e faixas nas laterais que remetem ao primeiro Golf GTi. Aliás, segundo os britânicos, a VW está encarando o Up GTi como uma espécie de “sucessor espiritual” do Golf GTi Mk1 por suas dimensões e sua potência. O motor 1.6 do hatch lançado em 1976 entregava 109 cv.

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O interior não aparece nas fotos, mas ele é digno de um GTi: costuras vermelhas no volante, detalhes vermelhos no painel e bancos com tecido xadrez, como é tradição.

Gostamos. Mas vamos ser realistas: a nosso ver, o Up GTI está mais para um trabalho de badging para uma versão com uma dose extra de pimenta do que para um esportivo puro-sangue. Primeiro, por conta das já citadas limitações de projeto (mesmo com a suspensão mais baixa e as bitolas mais largas, as proporções ainda estão lá). Além disso, geralmente os GTI têm motorização exclusiva, o que não é o caso aqui, o que é mais um indício de badging.

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Trocando em miúdos, talvez o Up GTi seja, na prática, uma versão mais dinâmica do Up TSI, e não um GTi de fato – que seria algo bem acima dos irmãos da família Up, tal como o Golf GTi em relação aos outros Golf.

Parece notícia ruim, não é? Em um primeiro momento, pensamos a mesma coisa. Mas é só encarar pelo outro lado outro lado: considerando o emprego extensivo de peças de prateleira, fica aparentemente fácil para VW do Brasil nos presentear com o Up GTi. Nós já temos até o motor nas ruas!

A pergunta é: será que a VW do Brasil tem coragem de fazer o Up GTi no Brasil?

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