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V12 a céu aberto: as antecessoras da Ferrari 812 GTS

À medida que o tempo passa e o mercado evolui, fica mais difícil impressionar o público. Por exemplo: a Ferrari apresentou hoje a nova 812 GTS, versão conversível da Ferrari 812 Superfast. Não parece um lançamento bombástico – trata-se em essência, de uma 812 Superfast conversível com capota automática. Sua ficha técnica (espetacular, por sinal) já é bem conhecida: um V12 naturalmente aspirado de 6,5 litros com 800 cv, câmbio de dupla embreagem e sete marchas, zero a 100 km/h em três segundos, máxima de 340 km/h. E, fora a presença do teto automático e das adaptações necessárias por conta do mesmo, não há grande diferença entre a 812 GTS e a Superfast.

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No entanto, uma vez que se pensa a respeito, a Ferrari 812 GTS ganha outro significado: ela é a primeira Ferrari V12 conversível de série em 14 anos: a última foi a 575M Superamerica, lançada em 2005. De lá para cá, houve apenas séries especiais limitadas. O que é quase contraditório porque, nos primórdios da Ferrari, quase todos os modelos tinham motor V12 na dianteira, e a carroceria conversível era muito comum. Foi quando a Ferrari começou a usar o V12 em posição central-traseiro, com a 365 BB de 1973, que as coisas mudaram e as V12 conversíveis praticamente desapareceram.

Com o lançamento da 812 GTS, é uma boa hora para revisitar a trajetória das Ferrari V12 conversíveis modernas – as antecessoras da 812 GTS, tanto as produzidas em série quanto as séries limitadas.

 

Ferrari 365 GTS/4

Também conhecida como Ferrari Daytona, a 365 lançada em 1968 foi a última Ferrari topo de linha com motor dianteiro – um V12 Colombo de 4,4 litros com seis Weber de corpo duplo, 352 cv a 7.500 rpm e 44 kgfm a 5.500 rpm. Era o suficiente para ir de zero a 100 km/h em 5,4 segundos, com velocidade máxima de 280 km/h. Isto no modelo europeu – a versão norte-americana tinha taxa de compressão reduzida (de 9,3:1 para 8,8:1) e um abafador central maior, reduzindo ligeiramente a potência, as emissões e o nível de ruído.

O câmbio era sempre manual de cinco marchas, montado na traseira para melhorar a distribuição de peso, e a suspensão usava braços triangulares sobrepostos nos quatro cantos.

A 365 Daytona deixou de ser vendida em 1973 e foi substituída por dois modelos: a 365 Berlinetta Boxer, que tinha um flat-12 central traseiro e deu origem à 512 BB e à Testarossa; e pela 365 GT4 2+2, que evoluiu para 400 e, depois, 412. Estas eram modelos 2+2 com carroceria de três volumes. Nenhuma delas foi vendida com carroceria aberta de fábrica, embora tenham sido feitas adaptações.

 

Ferrari 550 Barchetta Pininfarina

Foi só em 2000, 27 anos depois, que a Ferrari voltou a ter um modelo V12 com carroceria aberta em sua linha. Mais do que isto: a Ferrari 550 Barchetta Pininfarina não tinha nenhum tipo de teto – ela era, de fato, um barchetta.

A Ferrari 550 Barchetta Pininfarina foi criada em comemoração aos 70 anos do estúdio de design/encarroçadora. Havia uma capota de tecido inclusa, mas ela só servia para velocidades inferiores a 115 km/h – só em caso de emergência, para proteger da chuva. O para-brisa dianteiro era mais inclinado, e havia santo-antônios atrás dos encostos de cabeça para proteger os ocupantes em caso de capotamento. Além disso, a traseira era mais longa para aumentar o espaço para bagagem. Além disso, as rodas de 19 polegadas tinham desenho exclusivo.

O plano inicial era produzir 444 exemplares da Ferrari 550 Barchetta, mas havia receio quanto a reação do público japonês a este número – no Japão, o número 4 é associado à má sorte. Por isso, foram feitos 448 carros.

O conjunto mecânico da 550 Barchetta Pininfarina era exatamente o mesmo da 550 Maranello: um V12 de 5,5 litros com coletor de admissão variável, 485 cv a 7.000 rpm e 57,9 kgfm de torque a 5.000 rpm. Com câmbio manual de seis marchas (o único disponível) ela era capaz de ir de zero a 100 km/h em 4,4 segundos – o mesmo tempo do cupê – e chegar aos 300 km/h.

 

Ferrari Superamerica

Em 2002, a Ferrari 550 Maranello foi atualizada e passou a se chamar 575M (de Modificata). A principal mudança foi a adoção de um novo V12 de 5,75 litros capaz de entregar 515 cv e 59,5 kgfm. E, pela primeira vez, havia a opção pelo câmbio automatizado “F1” de seis marchas, além do câmbio manual tradicional. Com a nova transmissão, a 575M era capaz de ir de zero a 100 km/h em 4,2 segundos, com máxima de 320 km/h.

A versão aberta era bem diferente da 550 Barchetta. Chamada Superamerica, em homenagem à 410 Superamerica de 1955, ela tinha um teto de vidro com atuação elétrica. Ao toque de um botão, a peça dava um giro de 180° e se encaixava no deco traseiro, em uma operação que levava 60 segundos. Fornecido pela francesa Saint Gobain, o vidro era eletrocrômico (a Ferrari o chamava de Revocromico), e escurecia quando o teto era fechado. O teto trazia uma estrutura de fibra de carbono com uma dobradiça, e permitia que o porta-malas fosse acessado mesmo quando o teto estivesse recolhido.

Além disso, diferentemente da 550 Barchetta, a Superamerica era mais potente que o cupê que lhe deu origem. O motor V12 era um pouco mais potente, com 540 cv em vez de 515 cv. Na época, a Ferrari disse que a Superamerica era o conversível mais veloz do planeta, com máxima de 320 km/h.

Com 559 unidades fabricadas (sendo 43 equipadas com câmbio manual), a Ferrari Superamerica foi a última V12 conversível produzida em série pela Ferrari – depois dela, vieram apenas séries especiais.

 

Ferrari SA Aperta

A Ferrari SA Aperta era baseada na 599 GTB Fiorano, que foi a última GT com câmbio manual oferecida pela fabricante italiana. Apresentada em 2010 no Salão de Paris, ela era uma homenagem aos designers Sergio Pininfarina e Andrea Pininfarina – daí a sigla “SA”. O teto era removível, de tecido, e novamente era uma peça feita para uso temporário, na cidade, sem correr muito. A tampa do porta-malas era de alumínio, enquanto as colunas da área envidraçada eram feitas de fibra de carbono com pintura em prata acetinado (opcionalmente, claro).

O grande barato da SA Aperta era seu motor: em vez do V12 de seis litros da 599 GTB Fiorano (que já era uma verdadeira usina de força com seus 620 cv e 62 kgfm de torque), a SA Aperta tinha o mesmo motor da Ferrari 599 GTO, que entregava 670 cv a 8.250 rpm e 63,2 kgfm a 6.500 rpm, e era sempre acoplado à transmissão automatizada de seis marchas. Ela também tinha a suspensão 10 mm mais baixa que na 599 GTB Fiorano, para-brisa mais inclianado e para-choque dianteiro com entradas de ar maiores. As rodas eram exclusivas, de cinco raios, com acabamento cromado.

Foram feitos 80 exemplares da Ferrari SA Aperta, em referência aos 80 anos da Pininfarina. Será que podemos esperar por outro modelo especial em 2020?

 

Ferrari F60 America

Enfim, chegamos à última Ferrari V12 conversível lançada antes da 812 GTS. A F60 America era uma homenagem aos 60 anos da fabricante nos Estados Unidos, e foi feita sobre a F12berlinetta.

O motor era o mesmo V12 da F12berlinetta, com 6,3 litros, 740 cv a 8.250 rpm e 70,3 kgfm a 6.000 rpm, moderados por uma caixa de dupla embreagem e seis marchas que levava a força para as rodas traseiras. Era o suficiente para que o carro fosse de zero a 100 km/h em 3,2 segundos, com máxima de 330 km/h.3

Foram feitos dez exemplares, todos eles com acabamento interno “assimétrico” – os bancos do motorista e do carona tinham revestimento em cores diferentes. O teto, como em outras Ferrari do tipo, era de tecido e apropriado apenas para uso temporário.

Na maioria dos exemplares, a carroceria era pintada de azul com uma faixa longitudinal branca, em referência à pintura da equipe North American Racing Team (NART), operação que deu origem à operação da Ferrari nos EUA. No entanto, houve algumas encomendas especiais em outras cores, como a amarela mais acima.

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