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V8 Interceptor: dissecamos todos os detalhes do muscle car apocalíptico de Mad Max

Quase 30 anos depois do último filme, Mad Max está (quase) de volta em “Fury Road”, o quarto filme inspirado no universo pós-apocalíptico do guerreiro das estradas. Como vimos no primeiro trailer do filme, Max Loucão não voltou sozinho: ele veio a bordo de seu lendário V8 Interceptor, um Ford Falcon GT que iremos conhecer a fundo neste post.

Caso você não conheça a história de Mad Max (ou não lembre dela), Max Rockatansky é um agente da Main Force Patrol, uma força policial especial fictícia da Austrália, cujo objetivo é auxiliar a polícia no combate ao crime. A única função da MFP é vigiar as rodovias e perseguir gangues de motociclistas ladrões de combustível — um crime cada vez mais comum depois que uma grave crise energética desestabilizou o país.

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O Ford Falcon XB GT original

Um dia, depois de ver seu parceiro de perseguições severamente queimado no hospital após um acidente durante uma perseguição, Max decide abandonar a MFP. Para não perder um de seus pilotos mais habilidosos, os chefes da MFP oferecem a Max um carro especial de perseguição: o V8 Interceptor de 600 cv — que na verdade é um Ford Falcon (Félcon, em “australiano”) XB GT 351 pesadamente modificado e preparado para produzir realmente esse monte de potência. Max recusa e foge para o litoral com sua família, a fim de se desligar do seu passado como policial.

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Então um dia sua esposa e seu filho são assassinados por uma das gangues perseguidas por ele em seus tempos de MFP e ele passa a buscar vingança perseguindo os bandidos com seu V8 Interceptor. O carro ainda seria usado no filme seguinte, “Mad Max II” ou “Road Warrior”, e acabaria destruído por uma explosão.

Mas agora ele está de volta para Fury Road. Como isso é possível? De acordo com o roteirista dos quatro filmes, George Miller, o novo Fury Road se encaixa cronologicamente entre Mad Max e Mad Max 2 — o que significa que o V8 Interceptor ainda não foi destruído.

O V8 Interceptor veio ao mundo como um Ford Falcon XB GT 351 branco, ano 1973 (o mesmo modelo do ator Eric Bana), originalmente equipado com o motor V8 de 5,8 litros e 300 cv e diferencial de nove polegadas, como todo XB GT de sua época. O que tornou o V8 Interceptor realmente especial e diferenciado, foram o body kit aerodinâmico e, claro, o compressor mecânico (ou blower, se preferir).

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A dianteira foi projetada por um cara chamado Peter Arcadipane. Ele era designer da Ford Australia nos anos 1970 e deixou a fabricante para iniciar seu próprio negócio, vendendo kits de fibra. Eles eram chamados “nose cones” ou cones de bico, e tinham uma suposta funcionalidade aerodinâmica, além de dar ao muscle um visual mais condizente com a chegada dos anos 1980.

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O carro foi comprado pela produção já com esse acessório, que acabou mantido no carro do filme. Além da dianteira especial, o V8 Interceptor também tinha um spoiler Arcadipane na traseira e um outro spoiler de origem desconhecida no teto.

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O que foi modificado pelos produtores foram os para-lamas, alargados com um body kit do Holden Torana SLR5000 — ainda que o cruzamento de marcas seja capaz de iniciar uma guerra civil na Austrália — para acomodar rodas maiores e pneus mais largos que os originais.

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Por falar nas rodas, elas são do modelo Sunraysia feitas de aço, calçadas em pneus B. F. Goodrich Radial T. A. 245/50 R14 de primeira geração na dianteira (com flanco duro e blocos estreitos na banda de rodagem) e 265/50 R15 de quarta geração na traseira (com paredes mais macias e blocos maiores).

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Apesar dos Pursuit Specials da MFP serem pintados de amarelo, o V8 Interceptor recebeu uma pintura “preto sobre preto”, segundo o roteiro original de Miller. Os espectadores com olhos mais treinados certamente já perceberam que ele usa pintura fosca na parte inferior e brilhante na parte de cima, e que a transição é dividida por uma pinstripe igualmente preta sobre os vincos e curvas da carroceria. Ainda no lado de fora, o V8 Interceptor exibe quatro saídas de escape apontadas para o alto. Elas eram reais e vinham diretamente de um abafador tipo glasspacks.

Por dentro, o Falcon GT recebeu poucas modificações. O interior é praticamente todo original, com exceção da sirene no painel, do rádio comunicador no teto, e do volante de três raios MAXROB “semi-dished” com a foto do filho e da esposa de Max no botão da buzina.

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Por último, mas não menos importante, o famoso blower. Aqui novamente os mais ligados em mecânica já devem ter percebido a triste realidade sobre o compressor mecânico mais famoso do cinema: ele era falso. No filme, o compressor é ativado manualmente, o que até seria tecnicamente possível de se fazer, mas impraticável na realidade, pois motores sobrealimentados exigem taxa de compressão mais baixa (o que reduziria a potência com o compressor desligado) e comando de válvulas com maior duração de escape, sem mencionar o acerto de mistura e ponto de ignição.

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Por isso, o compressor visto no filme era vazio, o carburador ficava dentro da carcaça, onde deveriam estar os rotores. Havia uma pequena bomba de água para segurar a polia de acionamento e mover a correia do compressor para a frente, de forma que ela não afetasse a bomba de água original do motor.

Quando Max apertava o botão de acionamento do compressor, ele na verdade acionava o motor elétrico que gira a correia, dando a impressão de que o compressor entrou em ação para produzir 600 cv e atropelar os bandidos. Aliás, quando o carro foi construído, em 1976, era praticamente impossível extrair 600 cv de um 351 usando apenas um compressor roots e sem sacrificar a durabilidade.

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Depois das gravações de Mad Max, o V8 Interceptor teve seu compressor falso removido e fez uma turnê por shopping centers australianos para divulgar o filme, e foi colocado à venda logo em seguida. Quando o filme ganhou fama mundial e os produtores decidiram fazer a sequência “Road Warrior” o carro foi comprado de volta e levemente modificado em relação ao primeiro. Como o roteiro previa a destruição do carro em uma das cenas (e é por isso que ele não aparece em “Mad Max 3”) a produção construiu um clone para a cena e guardou o carro original, que hoje se encontra no Dezer Car Museum, em Miami, nos EUA. 

 

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