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Vasinho de flores e as bananinhas: a história dos acessórios mais charmosos do Fusca

O Volkswagen Fusca é tão popular no Brasil que, além do Dia Mundial do Fusca, comemorado no dia 22 de junho, temos o Dia Nacional do Fusca – 20 de janeiro, também conhecido como “hoje”. Por isso, nada mais justo que gastar algumas linhas com o Besouro, não?

Uma das razões do sucesso do Fusca no mundo todo, além da mecânica robusta e do projeto simples e eficiente que garantiu seu sucesso na década de 1930, é seu design. O perfil formado por três semicírculos, a dianteira sorridente, os para-lamas destacados do carro e outras peculiaridades tornam qualquer Fusca instantaneamente reconhecível – e, mais do que isto, carismático.

Talvez seja por isto que os fãs do Fusca são muito apegados a certos elementos de design característicos do carro – um bom fusqueiro sabe a diferença entre um “oval” e um “split”, uma lanterna “pata de cavalo” e uma “Fafá”, ou um farol “olho de boi” e um farol reto.

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Há, contudo, elementos de design ainda mais peculiares. Neste post, em especial, vamos falar de dois deles: o pequeno vaso de flores no painel e as bananinhas.

 

Flower Power

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É preciso desmistificar uma coisa aqui: o Fusca não foi o primeiro carro a vir com um pequeno vaso de flores preso ao painel. Os vasos de flores eram um acessório relativamente comum na década de 1930 e, de acordo com o site CarVase.com, dedicado exclusivamente aos vasos de flores automotivos (sim, este site existe e é todo em Comic Sans), foram oferecidos pela primeira vez em 1895, como uma forma de perfumar o interior dos primeiros carros.

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Ou seja: eles surgiram praticamente junto com o automóvel. Eram vasos de vidro soprados à mão e decorados com diferentes temas artísticos, e alguns até pareciam peças de joalheria.

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Embora seja virtualmente impossível encontrar registros visuais, a Volkswagen já disse em comunicado oficial que os primeiros Käfer alemães vinham com um vaso de flores preso ao painel. Como naquela época o painel do Fusca não tinha saídas de ventilação, o vasinho ficava preso por ventosas na chapa.

Segundo consta, o vasinho no painel também foi um acessório disponível nas concessionárias VW americanas na década de 1950, e eram muito populares. Era um vasinho de porcelana branca, que podia ficar próximo ao volante ou na tampa do porta-luvas. Ao longo da década de 1960, o vasinho passou a ser associado à cultura hippie flower power que dominou os Estados Unidos, e também podia ser visto em alguns exemplares da Kombi (que, não por acaso, foi apelidada pelos americanos de hippie van).

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Apoiada nesta tradição, a Volkswagen apresentou o New Beetle no fim da década de 1990 com um vasinho de flores ao lado do volante. Em vez de preso a uma ventosa ou às saídas de ar do painel, ele ficava em um suporte ao lado do console central. E era de plástico, não de porcelana.

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A geração atual, lançada em 2011, também tem o vasinho de flores disponível como opcional em algumas concessionárias. Ele fica encaixado em um suporte plástico preso ao painel por uma ventosa.

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Bananinhas

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As bananinhas são algo bem mais funcional. Se você observar um Fusca fabricado antes de 1960, vai reparar que ele não tem as características lanternas dos piscas sobre os para-lamas, e nem nos para-choques. Em vez disso, eles têm as chamadas “bananinhas”.

Eram pequenas hastes iluminadas que, na maioria dos casos, ficavam instaladas na coluna “B”, à frente das janelas laterais traseiras. Elas foram inventadas no início dos anos 1900, inicialmente operadas por cabo, e foram inspiradas no braço semafórico usado nas ferrovias da Royal Bavarian Railway. Em 1918, elas se tornaram elétricas, e passaram a usar solenóides e sistemas pneumáticos no final dos anos 1920.

Ao acionar a chave de seta, a haste luminosa do lado correspondente era ejetada e iluminada, indicando o lado para o qual o Fusca iria virar. Originalmente, a lâmpada dentro delas não piscava, ficando acesa o tempo todo – embora houvesse quem instalasse um relé em cada uma delas, para que atuassem, de fato, como pisca-piscas.

No caso do Fusca conversível, obviamente a bananinha precisava ficar em outro lugar. Para quem não sabe (ou não lembra), havia duas empresas principais responsáveis por transformar o Fusca em um conversível: a Karmann, que também construía a carroceria do Karmann Ghia, criou um Fusca conversível que mantinha os quatro lugares e apenas recebia uma nova capota de tecido no lugar do teto original. A bananinha ainda ficava instalada na coluna “B”, porém na parte inferior, próxima à porta.

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Já nos Hebmüller, conversíveis de dois lugares feitos pela empresa de mesmo nome, a bananinha ia parar no espaço entre os para-lamas dianteiros e as portas.

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Os Fusca europeus mantiveram as bananinhas até o fim de 1959, e depois disso foram adotados os piscas nos para-lamas. No Brasil, o mesmo aconteceu no ano de 1961.

Nos EUA, as coisas foram um pouco diferentes: por causa de uma mudança nas leis de trânsito que entrou em vigor no ano de 1955, a Volkswagen foi impedida de instalar bananinhas nos Fuscas vendidos por lá. Os piscas nos para-lamas ainda não existiam, e por isso os carros destinados aos Estados Unidos receberam lanternas na base dos para-lamas, ao lado dos faróis, com base pintada na cor do carro e lentes de acrílico. Por causa do seu formato que e era, digamos, sugestivo, elas ficaram conhecidas aqui no Brasil como “tetinhas”.

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Era muito comum que as bananinhas apresentassem problemas e não subissem quando era necessário – o mecanismo que as atuava era muito frágil. Na época, havia duas soluções possíveis.

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A primeira era trocar a bananinha por uma lanterna fixa conhecida como “orelha de padre” ou “lustrinho”, que era fabricada por diferentes companhias do aftermarket. A outra, mais radical, era simplesmente arrancar fora as bananinhas e tampar o buraco, instalando os piscas nos pára-lamas. Era esta a opção da maioria dos donos de Fusca, e é por isso que existem poucos exemplares equipados com elas hoje em dia.

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