A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
História

Vector M12: uma alternativa muito mais rara e obscura ao Lamborghini Diablo

Imagine que você quer comprar um supercarro exótico da década de 1990. Vamos supor, também, que você faça questão que ele tenha um motor V12 italiano. A opção mais óbvia é o Lamborghini Diablo – o sucessor do Countach, que foi criado durante um período turbulento para a companhia italiana e acabou se mostrando crucial para sua recuperação. O Diablo era um dos objetos de desejo da molecada, com sua imagem pregada nas paredes de quartos pelo mundo todo e ícone de diversos games de corrida da era 32 bits.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Membro especial, com todos os benefícios: acesso livre a todo o conteúdo do FlatOut, participação no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), descontos em nossa loja, oficinas e lojas parceiras!

A partir de

R$20,00 / mês

ASSINANTE

Plano feito na medida para quem quer acessar livremente todo o conteúdo do FlatOut, incluindo vídeos exclusivos para assinantes e FlatOuters.*

De R$14,90

por R$9,90 / mês

*Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em nossa loja ou em parceiros.

No entanto, suponhamos que você queira um carro ainda mais exótico. Nesse caso, talvez você se interesse (em nosso cenário hipotético, claro), pelo Vector M12. Ele também usava um V12 italiano, o mesmo do Diablo; e também apareceu nos games de corrida da era 32 bits – no caso, em Gran Turismo 2, acompanhado de outros modelos da extinta fabricante norte-americana. Seu visual lembrava o do Diablo em proporções e formas gerais, mas o M12 tinha um quê mais futurista e uma identidade visual bem forte. E ele era feito nos EUA, por uma companhia tão cheia de problemas que só o fato de ele existir de verdade já é impressionante.

Nós contamos a história da Vector há um bom tempo aqui no FlatOut, e um refresco é sempre bom. Tudo começou em 1971, quando o norte-americano Gerald “Jerry” Wiegert fundou sua primeira companhia, a Vehicle Design Force. Wiegert queria construir um superesportivo capaz de encarar, de igual para igual, os modelos da Ferrari, da Lamborghini e da Porsche – ou seja, seu carro precisaria ser tão veloz e atraente quanto uma Ferrari Berlinetta Boxer, um Lamborghini Countach ou um Porsche 911 Turbo 930.

Entre a construção dos primeiros protótipos e o início da produção em série, já sob o nome Vector, passaram-se quase vinte anos – o chamado Vector W8, movido por um V8 Chevrolet small block com dois turbos e 633 cv, só começou a ser feito em 1989. Ele era um carro de visual absurdo e desempenho mais ainda: segundo a Vector, o W8 ia de zero a 100 km/h em 3,9 segundos e alcançava os 389 km/h.

Entre 1989 e 1993, foram fabricados algo entre 13 e 17 exemplares do W8 – o que não era pouco para um superesportivo artesanal que custava, na época, US$ 455.000 (pouco mais de US$ 800.000 em valores corrigidos). E, com o relativo sucesso, Wiegert decidiu projetar um novo carro, o WX-3, para o Salão de Genebra de 1993 – em versões roadster e cupê.

Depois do evento, Wiegert retornou de Genebra para os EUA e teve uma surpresa nada agradável: uma empresa indonésia chamada Megatech havia “comprado” a Vector enganando seus investidores, que entregaram a companhia sem o conhecimento de seu fundador. Depois de uma longa batalha nos tribunais, Wiegert conseguiu proteger a propriedade intelectual de quase todos os os seus projetos, mas acabou demitido de sua própria empresa. Wiegert até tentou impedir que isto acontecesse trancando-se dentro da sede da Vector, rodeado de seguranças armados, mas preferiu não contrariar a decisão judicial e deu o braço a torcer.

Foi a Megatech quem projeto o sucessor não-planejado do Vector W8, chamado M12 – sem qualquer envolvimento de Wiegert, embora a base fosse a mesma do W8. A carroceria era diferente, mais longa e mais baixa, com formas mais arredondadas e modernas, bem como o interior. Mas o que realmente mudava era o conjunto mecânico: em vez do V8 Chevrolet, o M12 tinha o V12 do Lamborghini Diablo atrás dos bancos.

Isto foi possível porque, na época, a Megatech também era dona da Lamborghini. A fabricante italiana estava em uma fase de transição, pois havia acabado de ser abandonada pela Chrysler, e os indonésios acharam interessante a ideia de aproveitar seu powertrain em um projeto norte-americano.

Com 499 cv a 5.200 rpm e 58,7 kgfm de torque a 4.900 rpm, o M12 era capaz de ir de zero a 100 km/h em 4,8 segundos, com velocidade máxima de 304 km/h. Assim como aconteceu com o W8, foram feitas poucas unidades – apenas 17 entre 1993 e 1999, quando a disputa judicial foi revertida e Wiegert recuperou a propriedade da Vector. Ele não gostava do M12, pois o considerava um Vector “falso”, e estava decidido a não seguir em frente com ele.

Por conta disto, tanto o W8 quanto o M12 são carros extremamente raros – e só não são mais obscuros por conta de suas aparições nos videogames.

Foi por este motivo que chamou nossa atenção a presença de um exemplar do M12 em um leilão. A agência RM Sotheby’s vai leiloar o quinto exemplar fabricado pela Megatech no dia 15 de agosto, durante a Monterey Car Week em Pebble Beach, na Califórnia. O carro foi feito em 1996 e, de acordo com a RM, rodou menos de 6.000 milhas – aproximadamente 9.600 km, e jamais foi restaurado.

Segundo os leiloeiros, o valor estimado de arremate fica entre US$ 250.000 e R$ 300.000. Para efeito de comparação, o preço de Lamborghini Diablo 1996 fica entre US$ 160.000 e US$ 350.000, dependendo do estado de conservação.

 

Matérias relacionadas

Grande Prêmio do Brasil de 1973, a corrida que virou samba-rock

Dalmo Hernandes

Quando o McLaren F1 se tornou o protótipo do Mercedes-Benz CLK GTR

Leonardo Contesini

A história das motos BMW, parte 2: a quase falência, a recuperação e a volta como uma das maiores do mundo

Dalmo Hernandes